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Por que os planos de saúde doem tanto no bolso?
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Gesner Oliveira

Depois do salário, o plano de saúde é o bem mais valorizado pelo trabalhador. Mas uma queixa comum entre os brasileiros é o valor pago. O preço que já é alto, está aumentando ainda mais. Em 2016, o índice oficial de inflação aumentou 6,2%. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula o setor, autorizou um reajuste nos preços de até 13,5%. Porém, a chamada inflação da saúde, que mede os custos das operadoras, teve alta de mais de 18,0% no mesmo ano. O País tem umas das taxas mais elevadas. Esse elevado preço dói muito no bolso do consumidor. Mas por que tão alto?

O plano de saúde funciona como qualquer “seguro”. Quanto maior a probabilidade de um usuário utilizar aquele seguro, maior deve ser o preço. Pessoas mais velhas têm mais riscos de contrair doenças, por isso pagam mais caro. Pessoas com doenças preexistentes, também.

A pressão dos custos de saúde é um problema mundial. Em parte, decorrente do sucesso. O avanço da medicina permite que as pessoas vivam muito mais. E tenham a chance de ter muitas doenças sobre as quais nem desconfiavam que existiam! Mas uma boa parcela do problema decorre de falhas de gestão e de regulação que podem e devem ser corrigidas.

Além da chance de alguém utilizar o plano de saúde, outra coisa que interfere no seu preço é a gama de serviços oferecidos. Um convênio com quarto individual é mais caro do que um que apenas ofereça quarto compartilhado. Planos que dão acesso ilimitado a qualquer tipo de serviço são necessariamente mais caros do que aqueles que possuem carteira mais restrita de opções.

Este é o problema dos planos de saúde que oferecem serviços ilimitados. Os excessos nos serviços acabam saindo muito caro, pois em medicina tudo tem custo. Se, por um lado, ter serviços ilimitados é bom pela ampla proteção obtida, por outro, acaba por deixar muitas pessoas sem acesso ao plano de saúde, pelo seu elevado preço.

Para melhorar esta situação, a solução é óbvia: cobrar preços mais acessíveis para excluir o menor número de pessoas possíveis do sistema de saúde complementar. Mas como cobrar mais barato pelos planos de saúde?

Nós não podemos mudar a nossa idade. Infelizmente! Mas pode-se fazer com que as pessoas utilizem menos serviços. Calma! Não somos a favor de uma menor cobertura de saúde. Mas pode-se mudar a maneira como as pessoas utilizam o plano de saúde.

É comum muitas pessoas pedirem a seus médicos diversos exames para checar sua saúde em geral. Mas isso tem um custo. Uma das formas de reduzir os preços dos planos de saúde é incentivar o seu uso de maneira mais racional. Quanto mais eficiente for o uso dos planos de saúde, menor será o preço final para os usuários e maior será o número de pessoas com acesso a um bom plano de saúde.

Portanto uma das propostas é ofertar planos a preços mais baixos, mas com uma cobertura menor, os chamados planos populares. As empresas e grupos de saúde podem incentivar a prevenção, e assim reduzir a necessidade do uso do convênio médico. Incentivar uma segunda opinião médica também pode evitar diversos exames e tratamentos desnecessário, entre outras medidas.

Além disso, boa regulação no setor é imprescindível. Cabe às agencias fiscalizar o setor e aplicar multas quando necessário. Este processo pode ser aprimorado em termos de equilíbrio, para que se atinja sua finalidade primordial: melhorar a qualidade dos serviços prestados aos clientes, sem comprometer a saúde financeira e a capacidade das operadoras.

Fornecer o uso ilimitado de alguns bens geralmente é bom para quem consegue pagar por este serviço. Porém, prejudica aqueles que não têm acesso pelo seu elevado preço. Tornar o uso mais racional dos planos pode corrigir esta deficiência. Neste ponto, reside o papel central da boa regulação que de ser minimalista e pró-concorrencial. Dessa forma, indústria, prestadores de serviços médicos, operadores podem ter incentivos alinhados para trabalhar da melhor forma possível com recursos escassos para atender o paciente.


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