Blog do Gesner Oliveira

Maior risco pós “choque JBS” é travar reformas e país afundar na recessão

Gesner Oliveira

O maior risco da crise política desencadeada com as delações da JBS é travar a política econômica e condenar o país ao terceiro ano consecutivo de recessão.

A não aprovação das reformas da Previdência e trabalhista, juntamente com a paralisação dos leilões na infraestrutura, teriam forte impacto sobre a produção e o emprego. O Brasil pode terminar o ano com queda de 1% do PIB e mais de 14 milhões de desempregados.

O “choque JBS” fortaleceu as correntes que propõem eleições diretas, atendeu aos interesses das corporações que resistem às reformas e permitiu o desembarque de forças políticas do governo, que se mostravam relutantes em relação às mudanças na Previdência e na CLT. O custo? Interromper a modesta retomada da economia.

Depois do choque JBS, há dois cenários que servem como referência. O primeiro é pessimista. A hipótese é que a atual crise política institucional vai se arrastar ao longo ano, gerando uma paralisia na agenda de reformas econômicas no Congresso.

Neste cenário pessimista o dólar vai ficar mais caro, algo entre R$ 3,5 e R$ 4; os juros continuarão em dois dígitos, a economia continuará em recessão e o desemprego vai piorar.

O segundo é otimista. Pressupõe uma solução relativamente rápida da crise, com pequeno efeito sobre a tramitação das reformas. Apesar do choque, os juros devem cair a um dígito e a recuperação vai continuar com modesta expansão do PIB e uma lenta retomada do emprego.

Política e economia estão diretamente ligados. Mas tem tempos diferentes. Uma solução política para a crise atual requer um longo processo de negociação. A economia está a exigir providências imediatas, especialmente para fechar o rombo das contas públicas.

Quem duvidar, pode perguntar a um servidor do Estado do Rio de Janeiro que recebe seu salário com atraso e não tem segurança se continuará a receber no futuro. Por isso, a economia não pode esperar pela política. Independentemente do nome do presidente da república, será preciso um pacto em torno do ajuste e recuperação do emprego.