Blog do Gesner Oliveira

O consumo voltou

Gesner Oliveira

 

Após dois anos, o comércio voltou a crescer e fechou 2017 em alta de 2%. Em 2018, o crescimento continua. O comércio varejista brasileiro cresceu 0,9% em janeiro, bem acima do esperado (0,5%), beneficiado pelas vendas no segmento de hipermercados e alimentos.

Na comparação com janeiro de 2017, o volume de vendas do comércio avançou 3,2%, a 10ª alta seguida e o melhor resultado desde 2014. Já no acumulado de 12 meses, o comércio cresceu 2,5%, maior avanço desde novembro de 2014, quando subiu 2,6%.

Cinco das oito atividades investigadas cresceram. Os avanços mais relevantes foram observados em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,3%) e em outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,8%).

2017 rompeu dois anos de queda nas vendas nacionais, mas ainda está longe de recuperar a perda de 10,2% acumulada neste período. O indicador acumulado em 12 meses é o mais significativo na medida que sugere a real tendência de recuperação do setor.

A reação do comércio repete um movimento também observado na indústria brasileira, tanto no ano passado quanto em janeiro.

A perspectiva segue positiva para o varejo neste ano. A taxa básica de juros, a Selic, deve cair dos atuais 6,75% para 6,50% na reunião do Copom da semana que vem e se manter neste piso até o final do ano. Para a inflação de 2018, a previsão do mercado recuou de 3,70% para 3,67%. Foi a sexta queda seguida do indicador.

Destaque-se, além disso, que pela primeira vez, em 2017, o volume transacionado com cartões superou o uso do dinheiro físico. De acordo com o levantamento da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito), o volume transacionado com cartões de crédito, débito e pré-pago subiu 12,6% em 2017.

A inflação baixa, juros em queda, melhora da confiança e uma modesta recuperação do mercado de crédito e trabalho suportam tal cenário positivo. É ótimo que o consumo do brasileiro tenha voltado. Falta, contudo, o investimento que é essencial para o crescimento sustentado da renda e do próprio consumo.