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Copom errou duas vezes ao manter a taxa de juros
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Gesner Oliveira

O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado ao anunciar a manutenção da taxa básica de juros em 6,5% ao ano (aa).

A expectativa era de que o Copom anunciasse uma última redução na taxa Selic de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros a 6,25% aa. No entanto, contrariando indicação neste sentido, o Comitê mudou de posição.

Há dois erros na decisão do Copom. O primeiro é o excesso de conservadorismo. Manteve-se a taxa de juros mesmo com a evidência de inflação abaixo da meta tanto em 2018 quanto em 2019 e de uma recuperação capenga da atividade econômica.

O segundo equívoco é de comunicação. O comunicado emitido logo após a reunião não explica de forma convincente por que a taxa de juros foi mantida a despeito da ociosidade da economia e da inflação bem-comportada. Pelas informações divulgadas pelo Comitê, a conclusão seria outra.

A verdadeira razão para interromper o ciclo de queda da taxa de juros foi o medo da explosão do dólar. Não há mal nenhum nisso. Mas seria preciso explicar de forma clara e objetiva o motivo da mudança em relação à política que vinha sendo adotada.

Isso mereceria uma explicação no comunicado, de forma a orientar as expectativas. Em vez disso, apontou-se para a manutenção dos juros na próxima reunião, o que não encontra base, pelo menos a julgar pelas informações contidas no documento divulgado.

O Banco Central conseguiu a maior vitória do período recente ao reduzir a inflação que estava em dois dígitos no Governo Dilma, para uma taxa inferior a 3% na atualidade. Em grande medida, isso foi obtido com uma comunicação clara que conferiu credibilidade à política monetária. Não foi o que aconteceu nesta última reunião do Copom.

 


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