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Sem reforma da previdência, recuperação vira voo de galinha
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Gesner Oliveira

A votação da reforma da Previdência ficará para o ano que vem. Dado que havia uma (pequena) chance de aprovação neste ano, a notícia afetou o mercado.

 A Ata do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana. apontou para novo corte de juros, de 0,25 ponto percentual na reunião dos dias 6 e 7 de fevereiro de 2018, o que levaria a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 7,0% ao ano, para 6,75% aa. Segundo a própria ata, os riscos para a materialização deste cenário, no entanto, residem na não aprovação da reforma da previdência e piora no ambiente externo.

Até agora, o cenário internacional segue dando suporte à melhoria interna. Há uma janela de oportunidade com oferta de capital na Asia, Europa e América do Norte, e baixas taxas de inflação.

Se o cenário externo continua contribuindo, a confirmação de que o Congresso deve deixar para iniciar a votação da reforma da previdência apenas em 2018 jogou um balde de água fria no mercado. A notícia elimina a possibilidade de uma queda maior nas taxas de juros e adiciona incertezas para 2018.

É natural que haja dúvida sobre a possibilidade de aprovação da reforma da previdência. A votação já foi adiada inúmeras vezes e o ano que vem será mais curto, com eleições e Copa do Mundo. Mais uma dúvida em um ambiente político já incerto.

Ainda assim, a recuperação em 2018 deve continuar. Um exemplo são os dados de consumo. O varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e materiais de construção deve crescer em torno de 4,0% para 2017 e 6,5% em 2018.

A janela de oportunidade da economia mundial não estará aberta indefinidamente. A resistência corporativa a eliminar as aberrações do sistema previdenciário poderá transformar uma recuperação promissora em novo voo de galinha.

 


Crescimento de 2018 será maior do que o mercado espera
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Gesner Oliveira

Apesar das incertezas na política com relação aos candidatos à presidência e suas propostas de governo, a economia vai crescer no ano que vem. Hoje a projeção do mercado está em alta de 2,58% do PIB em 2018. Mas as condições são propícias para um crescimento até maior, acima de 3%.

Apesar do cenário incerto na política, há motivos para ser otimista com a economia. Ao menos no ano que vem. De acordo com o relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central (BC), a expectativa do mercado para a alta do PIB em 2018 passou de 2,51% na última semana para 2,58%. A projeção da GO Associados é mais otimista, de 3,2%.

Primeiro, a inflação deve permanecer bem-comportada. A expectativa é que termine 2017 em torno de 3,1% e salte para 4% no ano que vem, ainda abaixo da meta de 4,5%. Segundo a Conab, a safra agrícola ano que vem terá queda de cerca de 5,6% em relação a desse ano. No entanto, o balanço entre oferta e demanda dos principais produtos continua confortável. Não haverá deflação no preço dos alimentos como em 2017, mas nada que constitua uma bomba inflacionária.

Segundo, a taxa de juros Selic deve ficar em torno de 7% ao ano em 2018. Na próxima semana, o Copom deve reduzir a taxa de 7,5% em 0,5 ponto percentual, levando-a ao seu menor nível. Com a inflação bem-comportada, a expectativa é que os juros permaneçam assim no ano que vem. Os juros “baixos”, para padrões brasileiros, tendem a estimular os investimentos e o consumo.

Terceiro, em contraste com as eleições de 2002, quando o risco Lula assustou o mercado, o preço do dólar não deve oscilar tanto dada a situação confortável das contas externas.

Por fim, a recuperação mostra-se disseminada na economia. O Índice de Difusão da GO Associados, que acompanha 35 séries econômicas de diferentes segmentos, indica que 85,7% do total vêm melhorando. A indústria e o varejo têm trazido números melhores e o mercado de trabalho dá sinais de vida.

Na próxima sexta-feira (1), será divulgado o PIB do terceiro trimestre. A expectativa é que a economia tenha crescido pelo terceiro trimestre consecutivo, em 0,2% ante o trimestre anterior. Do lado da demanda, a principal novidade será o crescimento dos investimentos, que devem ter voltado a crescer, depois de 14 quedas em 15 trimestres. Do lado da oferta, indústria e serviços lideram a recuperação.

Com os dados positivos de sexta-feira, espera-se que o mercado atualize suas projeções para o ano que vem. Para um crescimento sustentado no médio e longo prazo, há muito o que ser feito. Mas para 2018, apesar da bagunça na política, há espaço para um otimismo moderado.


Taxa Selic caiu para 7,5%, mas juro civilizado só com reformas
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Gesner Oliveira

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,75 p.p. Com isso, a taxa que estava em 8,25% passou a 7,5%, nível próximo da mínima histórica de 7,25%, atingida em outubro de 2012.

É o fim de um ciclo de corte nas taxas de juros teve início em outubro de 2016, quando os juros ainda estavam em 14,25%. De lá pra cá foram mais de 6 p.p. de cortes nas taxas de juros.

Ao atingir a mínima histórica em dezembro, surge a pergunta: vem mais cortes por aí ou é o fim da queda na taxa de juros?

A inflação acumulada de 12 meses em 2,5%, o cenário externo de alta liquidez e câmbio em níveis comportados, devem fazer o comitê levar os juros para 7,0%, na última reunião do Copom em dezembro. O comunicado pós-decisão foi claro a respeito.

Seja 7,25% ou 7,0% a estabilização da Selic, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Estamos longe de um juro civilizado. Enquanto vários países desenvolvidos têm juro real (isto é, juro descontado a inflação) abaixo de zero, no Brasil o juro real ainda é superior a 3%.

Embora positiva. a própria queda atual ainda está sob risco. Conforme o mesmo comunicado do Copom, dois fatores podem mudar o cenário de queda dos juros. Primeiro, os juros internacionais que dependem da política monetária dos EUA, sujeita aos humores de Donald Trump. Se os juros dos EUA subirem rápido, não haverá muito espaço para continuar a queda do custo do dinheiro no Brasil.

Segundo, se as reformas não prosseguirem no Brasil, ajustando a economia, não será possível baixar os juros de forma sustentada. Não será por decreto, como tentou a Dilma e muito menos no grito como promete demagogicamente o Bolsonaro que os juros cairão.

Terminado o longo, custoso e inútil processo da segunda denúncia de Janot, o país precisa começar a discutir uma agenda séria para transformar a recuperação em crescimento sustentado.


Denúncia deve ser arquivada, qualquer outro resultado é zebra
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Gesner Oliveira

Essa semana deve terminar a grande perda de tempo com a discussão da denúncia contra o presidente Temer. O Brasil parou por mais de um mês para assistir o mesmo filme: uma denúncia inepta, o Congresso gastando recursos e esforços até o arquivamento. É quase certo que o desfecho será o mesmo da primeira denúncia; qualquer resultado diferente seria tão surpreendente quanto desastroso para a economia.

Isso não quer dizer que os temas levantados não mereçam investigação. O problema é que a denúncia foi mal feita com um indisfarçável viés político. Não bastasse ter interrompido o cronograma de reformas, uma denúncia tão mal formulada e acompanhada de um suspeito acordo de delação com a JBS prestou um desserviço ao combate à corrupção.

A pergunta chave é o que acontecerá depois. A esperança é a de que o Congresso volte a debater temas relevantes para o Brasil, como a tão necessária reforma da Previdência.

As expectativas do mercado continuam otimistas, apesar da confusão da política. A projeção para o crescimento do PIB teve uma ligeira melhora para este ano, de 0,72% para 0,73% de alta. Para o ano que vem permaneceu em 2,50%. A projeção para o comportamento da produção industrial sofreu uma revisão mais forte e saltou de alta de 1,18% para 2% ao ano. Enquanto em 2018 subiu de 2,50% para 2,73%.

Com relação aos juros, é quase unânime a expectativa de queda de 0,75 ponto percentual na reunião de quarta-feira (25) do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Isso significa que a taxa Selic deve cair de 8,25% ao ano para 7,5% ao ano, menor patamar desde maio de 2013. Espera-se que os juros fiquem em 7% ao ano no final de 2017.

A grande expectativa da reunião do Coimitê de Política Monetária (Copom) de quarta-feira será pelo comunicado pós-decisão. O texto pode indicar se o Copom vê chances de a taxa continuar caindo no início de 2018. Fala-se em taxas em torno de 6,75% ao ano ou mesmo 6,5% ao ano. Caso isso aconteça, seria um estímulo adicional à atividade, dado que a queda da Selic reflete uma taxa de inflação bem-comportada e tende a estimular o consumo e o investimento.

As boas perspectivas para a economia, no entanto, dependem da decisão de quarta-feira sobre a denúncia contra Temer. O mercado ficará atento ao número de votos favoráveis ao presidente, que pode ser um indicativo do tamanho da base aliada para votações importantes que se espera agora depois da conclusão da denúncia.

O grande desafio é retomar as medidas de ajuste fiscal. Em particular a reforma da previdência, vital para o equacionamento de médio e longo prazo das contas públicas. Mas há também outros projetos importantes, como a elevação da alíquota do INSS de 11,0% para 14,0% dos funcionários públicos e a reestruturação da carreira dos futuros funcionários públicos, com uma escala salarial mais realista.

Ninguém gosta de assistir um filme ruim. Muito menos duas vezes. A economia vai saindo do buraco, mas a política também tem que fazer sua parte. O país precisa que o Congresso volte logo a discutir o que realmente importa.


Enquanto a política derrapa, a economia começa a decolar
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Gesner Oliveira

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,2% no segundo semestre de 2017. Pode parecer pouco, mas dado que o país passou pela pior crise de sua história é algo a se comemorar. Foi a primeira alta contra o mesmo trimestre do ano anterior, após 12 trimestres seguidos de queda.

O PIB não é a única variável que importa para as pessoas, mas também não é a única que tem mostrado recuperação. A taxa de desemprego divulgada esta semana ficou em 12,8% no trimestre encerrado em julho. Foi um recuo de 0,2 ponto percentual contra o trimestre terminado em junho. Após atingir o pico de 13,7% no trimestre terminado em março, foram quatro quedas seguidas e mais de 1,1 milhão de brasileiros saíram da fila do desemprego.

Na semana que vem o Comitê de Política Monetária (Copom) decide sobre a taxa de juros básica da economia (Selic) que hoje se encontra em 9,25%. O Copom deve reduzir os juros em 1 ponto percentual, levando a Selic para 8,25%. Será a menor taxa desde julho de 2013. Isso ajuda na recuperação da economia.

A inflação sob controle, apresentando alta de apenas 2,7% nos últimos doze meses, somado a um desemprego em queda, um PIB crescente e uma taxa de juros cada vez menor, mostram que o pior já passou.

Ninguém se iluda. Ainda é pouco considerando o potencial de crescimento do Brasil e a necessidade de gerar oportunidades de emprego. Mas para isso, é fundamental avançar nas reformas e investir na infraestrutura.


O que a queda de juros muda na sua vida?
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Gesner Oliveira

A decisão sobre a taxa de juros parece algo distante, mas afeta a sua vida em várias dimensões. A sua chance de manter ou conseguir um emprego, o crescimento da dívida que você tem com o banco e o ganho de suas aplicações financeiras são todos afetados pelos movimentos desta taxa de nome estranho, a Selic.

A Selic ou Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é a taxa básica de juros da economia, que acaba de retornar ao patamar mais baixo em quatro anos, caindo de 10,25% para 9,25% ao ano.

A taxa serve como parâmetro para os bancos na precificação do crédito e é usada como instrumento de controle da inflação. Quando os preços estão subindo a um ritmo superior à meta estabelecida, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a taxa Selic. No sentido contrário, como ocorre agora, quando o ritmo de aumento dos preços está diminuindo, a autoridade monetária pode reduzir a Selic.

A taxa Selic foi reduzida de 10,25% para 9,25% ao ano, a primeira vez que retorna a um dígito desde outubro de 2013. Esta redução tem três consequências principais na sua vida.

Em primeiro lugar, sua chance de manter ou conseguir um emprego aumenta. Isso porque a redução dos juros reforça a recuperação da produção, criando mais postos de trabalho.

Em segundo lugar, a taxa de empréstimo do dinheiro que você toma tende a diminuir. Infelizmente, essa redução é pequena e muitas vezes quase imperceptível. A diferença entre a taxa Selic e a taxa de empréstimo para pessoa física é enorme. Por exemplo, a Selic caiu para 9,25% e a taxa média de juros do crédito de recursos livres para pessoas físicas está em cerca de 63% ao ano.

Em terceiro lugar, suas aplicações em renda fixa vão render um pouco menos, porque estes investimentos têm como referência direta ou indireta a taxa Selic. Continuarão, contudo, mais atraentes que a tradicional caderneta de poupança. Mas, para aqueles com maior apetite para risco, talvez valha a pena considerar as alternativas do mercado de ações, que se enquadram naquilo que se denomina renda variável.

Por fim, fica a pergunta: a taxa de juros vai continuar baixa nos próximos anos ou é mais uma alegria que dura pouco, como ocorreu no governo Dilma? Em contraste com a redução da taxa de juros por decreto em 2011/12, as últimas decisões do Copom têm bons fundamentos. A inflação anda bem-comportada no curto prazo. O grande desafio, no entanto, será garantir juros e inflação civilizados em bases permanentes, o que exigirá arrumar as contas públicas para valer. Ainda estamos longe disso.


Para os juros continuarem caindo, setor público deve parar de se endividar
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Gesner Oliveira

O aumento dos preços dos combustíveis na bomba não irá comprometer a queda dos juros no curto prazo. Apesar do impacto esperado de até 0,53 ponto percentual na inflação, a queda dos preços nos últimos meses ainda deixou espaço para uma redução de 1 ponto percentual da Selic, a taxa básica de juros da economia. Pela primeira vez em quatro anos, espera-se uma taxa de juros abaixo dos dois dígitos, o que tende a estimular o consumo pelas empresas e famílias.

No índice de inflação, há um grupo que segue os preços dos transportes. Quando aumentam os preços dos combustíveis, aumenta a inflação. Dentre os diferentes combustíveis, a gasolina é a com o maior peso no índice e foi a que teve o maior reajuste nas alíquotas (11,78%). Por isso, será responsável pelo maior impacto, de 0,44 ponto percentual. A expectativa do mercado para a inflação no final do ano deve caminhar para a casa dos 3,5% a 3,6%, bem menor que os quase 11% atingido em 2015.

Mas ainda há espaço para a queda dos juros. Em primeiro lugar, o nível de ociosidade na economia é muito alto, tanto de capital, como de trabalho. Em segundo, o preço do dólar já voltou aos patamares anteriores à delação da JBS.  Terceiro, a safra agrícola recorde pressiona os preços dos alimentos para baixo.

Assim, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na próxima reunião nesta quarta-feira, deve reduzir a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 9,25% ao ano. Será a primeira vez desde 2013 que a taxa não fica em apenas um dígito. Até o final do ano, a inflação não deve ser um problema para o comitê e, assim, espera-se que a taxa chegue a 8% ao ano até o final do ano.

Essa é uma boa notícia para as empresas e famílias. O corte nos juros é um estímulo à recuperação do consumo e investimento. A economia mais aquecida ajuda a recuperar o mercado de trabalho, que ainda aflige cerca de 14 milhões de brasileiros.

Contudo, o que irá garantir a queda dos juros no longo prazo é a saúde das contas públicas. Quanto mais o setor público se endivida, menor sua credibilidade como bom pagador e maior o retorno exigido para emprestar para o governo.  Ou seja, sobem os juros.

A dívida pública mobiliária federal (DPF), isto é, a soma das dívidas de todos os órgãos do Estado brasileiro, incluindo o Governo Federal, Estados, Municípios e empresas estatais, atingiu R$ 3,357 trilhões no mês de junho. Uma alta de 3,22% em relação ao mês de maio e de 7,86% no primeiro semestre.

Tal dívida representa hoje cerca de 72,5% da dívida total do setor público. O restante corresponde às chamadas operações compromissadas que o Banco Central faz com o mercado financeiro (25,2%) e dívidas bancárias e externas de Estados e municípios (2,3%).

Outros países emergentes tem uma dívida menor como proporção do PIB: 17,1% na Rússia, 49,4% na Argentina e 49,3% na China.

A dívida pública brasileira não só se encontra em patamar elevado como está em trajetória de crescimento muito acelerada. A expectativa é que chegue a cerca de 90% em meados da próxima década, entre 2022 e 2023.

A queda dos juros só é uma boa notícia se for sustentável. Assim, o maior desafio da economia brasileira não é reduzir os juros no curto prazo. Mas sim, criar condições para que a queda da taxa de juros seja permanente, e se aprofunde ainda mais no médio prazo. Para isso é fundamental o setor público deixar de ser um potencial caloteiro, isto é, estancar a explosão de endividamento. Para que isso ocorra, não se pode abrir mão da reforma da previdência.


Cenário Maia é mais complicado do que parece
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Gesner Oliveira

O cenário de uma eventual substituição do presidente Michel Temer por Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara dos Deputados, é mais complicado do que parece. Uma grande parte dos analistas de mercado subestima o custo de mais um processo de afastamento de um presidente da República a esta altura do campeonato.

A demora na tramitação da denúncia contra Temer pode fazer com que Maia só assuma praticamente às vésperas das eleições presidenciais de 2018. Isto pode ser uma má notícia para a economia, que hoje ainda mostra certo descolamento da turbulência política.

A crise política se agravou na última semana. Houve o envio da denúncia contra o presidente do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o relator deu parecer favorável à denúncia e aumentaram as chances de uma possível saída da base aliada do governo pelo principal partido de sustentação, o PSDB.

Em contraste com a política, os indicadores econômicos mostram sinais de recuperação da atividade e inflação comportada.

Houve deflação, isto é, taxa negativa de inflação em junho, em -0,23%, o menor número verificado desde o Plano Real. Apesar das incertezas políticas, isso abriu espaço para mais um corte de ao menos 1 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom, dias 25/26 de julho. O mercado aponta para uma Selic em 8,25% ao ano em dezembro.

Além disso, a indústria e o setor externo também trouxeram boas notícias. A venda de veículos e a produção industrial, além dos crescentes superávits na balança comercial, de US$ 7,2 bilhões no mês passado, indicam que a economia se recupera de mais de dois anos de recessão. Nesta semana, dados para o comércio e o setor de serviços devem confirmar esse cenário. A expectativa para o IBC-Br, indicador prévio do PIB, é de 0,8%.

No entanto, a longa tramitação da denúncia contra o presidente pode ser um balde de água fria nas expectativas de recuperação.

Com a demora das discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os trabalhos podem ser concluídos apenas na véspera do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho. Isso significa que a votação no plenário da Câmara ficaria para agosto. Se aprovada tanto pelo Congresso quanto pelo STF, o julgamento pode se alongar até março do ano que vem. Eventuais eleições indiretas, que poderiam (ou não) levar Maia à presidência, ocorreria possivelmente em abril e posse efetiva em maio, a poucos meses do início da campanha para as eleições presidenciais.

É uma transição longa e incerta demais para o tempo da economia. Enquanto o país acompanha as longas discussões no Congresso, decisões fundamentais de consumo e investimento são adiadas. Isso é uma péssima notícia para os quase 14 milhões de desempregados que são os que mais sofrem com a bagunça na política.


Recessão acabou, mas já dá mostras de que pode voltar
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Gesner Oliveira

A recessão acabou, mas não há muitos motivos para se comemorar. O PIB brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano, depois de oito trimestres consecutivos de queda.

Quando a economia parecia estar voltando aos trilhos a nova crise política balançou o país e trouxe muitas incertezas com relação ao futuro. No pior cenário, de paralisia das reformas no Congresso e dos investimentos em infraestrutura, o PIB poderia cair até 2%, levando o país a um terceiro ano consecutivo de recessão.

Além do PIB, nas últimas 24 horas houve outras duas notícias que deram certo alívio à economia, mas que pouco dizem sobre o que pode ocorrer ao longo de 2017. A Pnad contínua surpreendeu positivamente e mostrou uma leve melhora no mercado de trabalho. A taxa de desemprego saiu de 13,7% no trimestre encerrado em março para 13,6% no trimestre encerrado em abril. O número de desempregados recuou de 14,2 milhões para 14 milhões, enquanto o número de ocupados apresentou alta de 88,9 milhões para 89,2 milhões.

Apesar dos números positivos, não dá para celebrar. O crescimento do pessoal ocupado foi puxado por ocupações como conta própria (+167 mil), setor público (+140 mil), informal (+77 mil) e trabalhador doméstico (+44 mil). O trabalho com carteira assinada, por exemplo, recuou 120 mil em relação ao trimestre encerrado em março. Com isso, o estoque de trabalhadores CLT atingiu 33,3 milhões, o menor valor desde o início da série em 2012.

O número de pessoas que entrou no mercado de trabalho diminuiu no último mês, o que também ajuda a conter o aumento do desemprego. Desacelerou o crescimento da população em idade ativa, capaz de trabalhar: depois de crescer 1,37% em março, desacelerou para 1,22% em abril.

Se a política não atrapalhar, o segundo semestre deve mostrar um início mais consistente do processo de recuperação do mercado de trabalho. Mas se o nevoeiro ficar mais forte, essa melhora fica ameaçada. Em vez de serem criados 150 mil empregos neste ano, como era previsto antes da delação da JBS, poderá haver perda de 760 mil postos com carteira assinada, diferença de 910 mil vagas. No pior cenário, o número de desempregados pode superar 16 milhões no final do ano.

Outro refresco foi a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa de juros em 1 ponto percentual. A taxa básica de juros da economia, a chamada Selic, passou de 11,25 para 10,25% ao ano.

O corte poderia ter sido mais agressivo, não fosse a instabilidade política. As incertezas com relação ao avanço das reformas e seus efeitos negativos sobre o preço do dólar tornaram o Copom mais cauteloso. O comunicado, inclusive, aponta um futuro incerto: diante da maior incerteza, o Copom deverá reduzir o ritmo de queda dos juros.

Fazer projeções econômicas hoje no Brasil é como dirigir sob forte nevoeiro. Você não consegue enxergar um metro à frente! O único jeito é ir devagar, quase parando. Olhar no retrovisor para prever o futuro nem sempre ajuda. Há alguns meses, quando olhávamos para trás, a gente via o PIB cair, mas as expectativas eram positivas. Agora o PIB subiu, mas pode voltar a cair nos próximos trimestres. Eis o perigo de uma crise prolongada nublando o horizonte de planejamento. A economia pode parar.


Traduzindo o Copomês: como a ata do Copom afeta suas finanças
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Gesner Oliveira

O Banco Central divulgou hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 28 de fevereiro e 1° de março. Nesta reunião o Copom decidiu reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual (“pp”), passando de 13% para 12,25% ao ano.

A cada 45 dias, em média, acontece a reunião do Copom que define a taxa básica de juros da economia (Selic). E a cada 45 dias o Copom libera a ata da sua reunião recheado de termos econômicos, em Copomês. Para quem não é familiarizado com os termos, entender a ata é quase uma prova de interpretação de texto. Embora seja cheio de termos técnicos, é importante saber o que diz a ata, pois o documento sinaliza como o Banco Central deve alterar a taxa básica de juros da economia, fato que tem impacto no bolso do brasileiro diariamente.

A ata da última reunião envia a seguinte mensagem: o Copom abre possibilidade para corte de 1 pp na próxima reunião, apesar de não se comprometer. Com isso, a taxa que está em 12,25% aa tem grande chance de ir para 11,25% na próxima reunião que acontecerá nos dias 11 e 12 de abril. Será a menor taxa desde outubro de 2014. Esta mensagem está no seguinte trecho:

“O Copom ressalta que uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo, mas, também, da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação”.

Percebeu o Copomês? O documento reforçou alguns pontos já levantados no comunicado pós-reunião. Segundo a ata, há sinais mistos para o comportamento da atividade econômica e uma perspectiva de retomada gradual, conforme o trecho:

“A evidência sugere uma retomada gradual da atividade econômica ao longo de 2017. A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego”.

Além disso, o processo de desinflação está difundido pela economia o que significa que não é exclusivo da queda de preço de alguns itens específicos, mas de um conjunto amplo de produtos.

A ata ainda traz a projeção de inflação para 2017 e 2018. No cenário de mercado (taxa Selic e câmbio de acordo com o boletim Focus), a inflação ficaria em 4,2% e 4,5%, respectivamente. No cenário de referência (taxa Selic e câmbio constantes) a projeção é de 3,8% e 3,3%, na mesma ordem. Ambos os cenários mostram uma inflação abaixo da meta de 4,5%.

Mas o que mais é necessário para o Banco Central reduzir a taxa Selic em 1 pp já na próxima reunião?

Segundo o Copom, as reformas econômicas propostas pelo governo são capazes de reduzir a taxa estrutural de juros da economia e, portanto, é uma condição necessária para isso. A taxa estrutural de juros é aquela que gera crescimento econômico sem causar pressão inflacionária.

Outro ponto é que persistam a alta ociosidade dos fatores de produção, inflação em queda e as expectativas de inflação bem comportadas.

Por fim, os membros do Copom preferiram deixar em aberta a decisão para a próxima reunião, e que esta dependerá do cenário econômico. Não quiseram se comprometer com um corte mais forte de juros na próxima reunião, mas caso o ambiente econômico continue favorável, em especial, com o dólar se aproximando dos R$ 3,00, o órgão deve intensificar o ritmo e reduzir a Selic em 1 pp.

Se isso ocorrer a recuperação da economia tem mais condições de ganhar fôlego e, mais para frente, as oportunidades de emprego podem voltar. Esta é a esperança de todos brasileiros, versados ou não em Copomês.