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Recessão acabou, mas já dá mostras de que pode voltar
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Gesner Oliveira

A recessão acabou, mas não há muitos motivos para se comemorar. O PIB brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano, depois de oito trimestres consecutivos de queda.

Quando a economia parecia estar voltando aos trilhos a nova crise política balançou o país e trouxe muitas incertezas com relação ao futuro. No pior cenário, de paralisia das reformas no Congresso e dos investimentos em infraestrutura, o PIB poderia cair até 2%, levando o país a um terceiro ano consecutivo de recessão.

Além do PIB, nas últimas 24 horas houve outras duas notícias que deram certo alívio à economia, mas que pouco dizem sobre o que pode ocorrer ao longo de 2017. A Pnad contínua surpreendeu positivamente e mostrou uma leve melhora no mercado de trabalho. A taxa de desemprego saiu de 13,7% no trimestre encerrado em março para 13,6% no trimestre encerrado em abril. O número de desempregados recuou de 14,2 milhões para 14 milhões, enquanto o número de ocupados apresentou alta de 88,9 milhões para 89,2 milhões.

Apesar dos números positivos, não dá para celebrar. O crescimento do pessoal ocupado foi puxado por ocupações como conta própria (+167 mil), setor público (+140 mil), informal (+77 mil) e trabalhador doméstico (+44 mil). O trabalho com carteira assinada, por exemplo, recuou 120 mil em relação ao trimestre encerrado em março. Com isso, o estoque de trabalhadores CLT atingiu 33,3 milhões, o menor valor desde o início da série em 2012.

O número de pessoas que entrou no mercado de trabalho diminuiu no último mês, o que também ajuda a conter o aumento do desemprego. Desacelerou o crescimento da população em idade ativa, capaz de trabalhar: depois de crescer 1,37% em março, desacelerou para 1,22% em abril.

Se a política não atrapalhar, o segundo semestre deve mostrar um início mais consistente do processo de recuperação do mercado de trabalho. Mas se o nevoeiro ficar mais forte, essa melhora fica ameaçada. Em vez de serem criados 150 mil empregos neste ano, como era previsto antes da delação da JBS, poderá haver perda de 760 mil postos com carteira assinada, diferença de 910 mil vagas. No pior cenário, o número de desempregados pode superar 16 milhões no final do ano.

Outro refresco foi a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa de juros em 1 ponto percentual. A taxa básica de juros da economia, a chamada Selic, passou de 11,25 para 10,25% ao ano.

O corte poderia ter sido mais agressivo, não fosse a instabilidade política. As incertezas com relação ao avanço das reformas e seus efeitos negativos sobre o preço do dólar tornaram o Copom mais cauteloso. O comunicado, inclusive, aponta um futuro incerto: diante da maior incerteza, o Copom deverá reduzir o ritmo de queda dos juros.

Fazer projeções econômicas hoje no Brasil é como dirigir sob forte nevoeiro. Você não consegue enxergar um metro à frente! O único jeito é ir devagar, quase parando. Olhar no retrovisor para prever o futuro nem sempre ajuda. Há alguns meses, quando olhávamos para trás, a gente via o PIB cair, mas as expectativas eram positivas. Agora o PIB subiu, mas pode voltar a cair nos próximos trimestres. Eis o perigo de uma crise prolongada nublando o horizonte de planejamento. A economia pode parar.


Traduzindo o Copomês: como a ata do Copom afeta suas finanças
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Gesner Oliveira

O Banco Central divulgou hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 28 de fevereiro e 1° de março. Nesta reunião o Copom decidiu reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual (“pp”), passando de 13% para 12,25% ao ano.

A cada 45 dias, em média, acontece a reunião do Copom que define a taxa básica de juros da economia (Selic). E a cada 45 dias o Copom libera a ata da sua reunião recheado de termos econômicos, em Copomês. Para quem não é familiarizado com os termos, entender a ata é quase uma prova de interpretação de texto. Embora seja cheio de termos técnicos, é importante saber o que diz a ata, pois o documento sinaliza como o Banco Central deve alterar a taxa básica de juros da economia, fato que tem impacto no bolso do brasileiro diariamente.

A ata da última reunião envia a seguinte mensagem: o Copom abre possibilidade para corte de 1 pp na próxima reunião, apesar de não se comprometer. Com isso, a taxa que está em 12,25% aa tem grande chance de ir para 11,25% na próxima reunião que acontecerá nos dias 11 e 12 de abril. Será a menor taxa desde outubro de 2014. Esta mensagem está no seguinte trecho:

“O Copom ressalta que uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo, mas, também, da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação”.

Percebeu o Copomês? O documento reforçou alguns pontos já levantados no comunicado pós-reunião. Segundo a ata, há sinais mistos para o comportamento da atividade econômica e uma perspectiva de retomada gradual, conforme o trecho:

“A evidência sugere uma retomada gradual da atividade econômica ao longo de 2017. A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego”.

Além disso, o processo de desinflação está difundido pela economia o que significa que não é exclusivo da queda de preço de alguns itens específicos, mas de um conjunto amplo de produtos.

A ata ainda traz a projeção de inflação para 2017 e 2018. No cenário de mercado (taxa Selic e câmbio de acordo com o boletim Focus), a inflação ficaria em 4,2% e 4,5%, respectivamente. No cenário de referência (taxa Selic e câmbio constantes) a projeção é de 3,8% e 3,3%, na mesma ordem. Ambos os cenários mostram uma inflação abaixo da meta de 4,5%.

Mas o que mais é necessário para o Banco Central reduzir a taxa Selic em 1 pp já na próxima reunião?

Segundo o Copom, as reformas econômicas propostas pelo governo são capazes de reduzir a taxa estrutural de juros da economia e, portanto, é uma condição necessária para isso. A taxa estrutural de juros é aquela que gera crescimento econômico sem causar pressão inflacionária.

Outro ponto é que persistam a alta ociosidade dos fatores de produção, inflação em queda e as expectativas de inflação bem comportadas.

Por fim, os membros do Copom preferiram deixar em aberta a decisão para a próxima reunião, e que esta dependerá do cenário econômico. Não quiseram se comprometer com um corte mais forte de juros na próxima reunião, mas caso o ambiente econômico continue favorável, em especial, com o dólar se aproximando dos R$ 3,00, o órgão deve intensificar o ritmo e reduzir a Selic em 1 pp.

Se isso ocorrer a recuperação da economia tem mais condições de ganhar fôlego e, mais para frente, as oportunidades de emprego podem voltar. Esta é a esperança de todos brasileiros, versados ou não em Copomês.


Queda da taxa Selic ainda não bateu no bolso do consumidor
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Gesner Oliveira

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou ontem nova redução na taxa básica de juros da economia, a chamada Selic, em 0,75 ponto percentual, de 13% para 12,25% ao ano. Trata-se do menor patamar para a Selic desde o início de 2015, quando estava em 11,75% ao ano, e da quarta redução seguida feita pelo Banco Central.

A realidade para o consumidor, contudo, é bem diferente. Em janeiro, a taxa cobrada nas operações com cartão de crédito rotativo, voltou a subir atingindo expressivos 486,8% ao ano. É um novo recorde histórico. Em dezembro do ano passado, os juros dessa modalidade de crédito estavam em 484,6% ao ano.

No caso do cheque especial, o juro médio cobrado pelos bancos nas operações com pessoas físicas registrou pequena queda, passando de 328,6% ao ano, em dezembro do ano passado, para 328,3% ao ano em janeiro deste ano. É um valor próximo ao recorde histórico de 330% ao ano, registrado em novembro de 2016.

O governo promete reverter esse quadro. A equipe econômica anunciou recentemente um pacote de medidas com o objetivo de reduzir a taxa de juro médio da economia. O pacote tem como base três pilares: incentivar a adimplência e o controle das garantias, reduzir os custos administrativos e aumentar a concorrência, reduzindo os subsídios cruzados.

Com esse pacote pretende-se baixar os juros do cartão de crédito para mais da metade do patamar cobrado atualmente pelos bancos. Uma das medidas é limitar o prazo para o pagamento do rotativo (que é quando é feito o pagamento do valor mínimo da dívida, com o parcelamento do restante) para até 30 dias. Se implementada, a medida vai reduzir os juros do cartão dos atuais 486% para cerca de 240% ao ano.

A expectativa da equipe econômica é que isso possa acontecer já no final do primeiro trimestre de 2017, segundo o Ministério da Fazenda. Serão necessários cerca de 90 dias para as medidas começarem a ser implementadas.

Um dos principais desafios do governo em 2017 é avançar no ajuste fiscal, especialmente com a reforma da previdência. O que isso tem a ver com o seu cotidiano? Ao equilibrar as contas do Estado, abre-se espaço para reduzir os juros de forma consistente, sem gerar mais inflação.

O Banco Central vem reduzindo os juros e mantendo a inflação no centro da meta de 4,5%. Caso o pacote de medidas para reduzir os juros médio da economia seja implementado, o Brasil deixará de ostentar esta inconveniente liderança de país com as maiores taxas de juros reais do mundo.


Não houve surpresa na decisão do Copom
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Gesner Oliveira

A decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa primária de juros, a chamada Selic, de 13% para 12,25% ao ano, com uma redução de 0,75 ponto percentual, não surpreendeu o mercado. A expectativa da maioria dos analistas era a de que seria mantido o ritmo de redução, como de fato ocorreu.

Uma queda além do esperado no IPCA-15, índice de inflação divulgado hoje pelo IBGE, poderia constituir um fato novo que levasse a uma redução mais acentuada dos juros. O IPCA-15 confirmou a tendência de desaceleração da inflação, mas o resultado foi um pouco superior àquilo que o mercado esperava. Segundo o indicador, a inflação cresceu 0,54%, acima da mediana das expectativas do mercado, de 0,49%. Mesmo assim, trata-se da menor taxa para o mês de fevereiro desde 2012.

O comunicado do Copom não deixou claro se haverá ou não uma aceleração na queda da taxa de juros, mas permite concluir que este é um tema de discussão entre os membros daquele Conselho. O argumento foi de que uma aceleração do ritmo de queda depende da retomada econômica; de fatores de risco, em especial o cenário externo; e das projeções e expectativas para a inflação. A próxima reunião está marcada para os dias 11 e 12 de abril.

O modelo utilizado pelo Banco Central para determinar a taxa de juros é relativamente complexo e abrangente. Porém, nem toda a modelagem econométrica dispensa o bom senso e a intuição na hora de calibrar a taxa de juros. Na atual fase da economia brasileira, a recuperação da atividade e consequentemente dos milhões de empregos perdidos na crise dependerão, em grande medida, da verdadeira arte que é fazer política monetária.


O que decidirá o Copom?
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Gesner Oliveira

Eis a questão mais relevante para a economia nesta semana de pré-Carnaval. A decisão dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom), que será anunciada amanhã no final da tarde, afetará suas dívidas, suas aplicações financeiras e a capacidade de a economia recuperar a produção, e o mais importante, o emprego.

Do ponto de vista técnico, haveria condições para reduzir a taxa primária de juros, a chamada Selic, em 1 ponto percentual. Isto levaria a Selic dos atuais 13% ao ano para 12% ao ano.

Isso se deve à redução da taxa de inflação. As projeções do mercado nesta semana apontam para uma inflação em 2017 de 4,43%, inferior à meta de 4,5%, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Foi a sétima redução consecutiva das expectativas do mercado.

Três fatores têm colaborado para este comportamento da inflação. Primeiro, a forte recessão, que produziu uma ociosidade média na indústria de 26% em 2016, chegando a mais de 40% em alguns casos, como o da indústria de cimento, com 43%. Segundo, a queda do preço do dólar, barateando os preços dos produtos comercializáveis. Terceiro, a perspectiva de uma safra recorde neste ano. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 219,1 milhões de toneladas, o que afasta o risco de choques de preços agrícolas que morderam tanto o bolso do consumidor no passado recente.

Mas uma coisa é a melhor decisão e outra é a mais provável. O Copom deverá ser mais conservador e restringir o corte em 0,75 pp. Isso é coerente com o discurso do Banco Central nos últimos dias. A última coisa que um banqueiro central deseja é surpreender o mercado.

Seria desejável que o comunicado emitido por ocasião da decisão trouxesse nas entrelinhas uma mensagem de continuidade da redução rápida dos juros. É raro surgir uma janela como a atual para diminuir o custo do dinheiro no Brasil. É hora de aproveitá-la e acelerar mais ainda as reformas, abrindo o caminho para a recuperação consistente da economia.


Sem reforma da previdência não há ajuste fiscal
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Gesner Oliveira

Os deputados e senadores encontrarão, na volta do recesso, um cenário mais otimista para a economia em 2017. Os primeiros sinais de recuperação, aos poucos, começam a surgir. A produção industrial, que será divulgada esta semana pelo IBGE, deve mostrar a primeira alta depois de 33 quedas consecutivas na comparação anual.

A taxa básica de juros da economia, Selic, foi reduzida em 0,75 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM). Com isso, o Banco Central teve sucesso em uma importante e difícil tarefa: agradar tanto aos mercados, que estavam preocupados com a inflação elevada, e àqueles setores que desejam juros mais baixos para reativar a economia.

A convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% em 2017 permite vislumbrar a retomada do crescimento econômico no segundo semestre do ano. É razoável esperar que a Selic termine o ano abaixo dos dois dígitos, em 9,5%.

As circunstâncias do momento favorecem a agenda reformista do governo. Há uma leve sensação de otimismo no ar. Mas os desafios ainda são enormes e o ajuste das contas públicas é condição necessária para a recuperação da economia.

Esta semana foi divulgado o resultado das contas do governo para o ano de 2016 pelo Tesouro Nacional. Os números mostram uma situação ainda bastante preocupante devido à persistência do cenário de recessão na economia brasileira e a queda na arrecadação federal. As contas do governo tiveram forte piora em 2016 e registraram um rombo recorde de R$ 154,3 bilhões. Este déficit é equivalente a 2,4% do Produto Interno Bruto e significa que as despesas do governo federal no ano passado superaram as receitas (impostos e tributos) em R$ 154,25 bilhões.

Este valor, embora tenha vindo abaixo da meta de R$ 170,5 bi estipulada pelo governo, é o maior da história.

Em 2015, as contas do governo já tinham apresentado resultado ruim, com um déficit primário de R$ 114,9 bilhões. Em 2014, o rombo somou R$ 17,21 bilhões.

Mas de onde vem essa rápida deterioração das contas públicas? Da previdência social.

Somente o INSS foi responsável por um déficit de R$ 149,7 bilhões, ou seja, 97,0% do déficit primário total. Tanto a previdência urbana como rural foram deficitárias no ano, em R$ 46,3 bilhões e R$ 103,4 bilhões, respectivamente. E ilustram a importância da reforma da previdência para o processo de consolidação fiscal e consequentemente recuperação da economia brasileira. Em 2015 o déficit da previdência foi de R$ 85,81 bilhões em 2015, o que representou 75% do déficit total do governo. Para 2017, a expectativa do governo é de um novo crescimento no rombo do INSS. A previsão que consta no orçamento já aprovado pelo Congresso Nacional é de um resultado negativo de R$ 181,2 bilhões.

Diante deste cenário, uma conclusão é simples: sem reforma da previdência não há ajuste fiscal. Por isso, a equipe econômica de Michel Temer já encaminhou ao Congresso uma proposta de reforma das regras da Previdência Social. Entre as principais mudanças está a criação de idade mínima de aposentadoria de 65 anos, para homens e mulheres.

No futuro, o Governo Temer será avaliado pelo grau em que terá logrado encaminhar soluções para a crise, preparando o caminho para um ciclo de crescimento.


Redução da Selic de 0,75 p.p. foi acertada
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Gesner Oliveira

Foi anunciada há pouco a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic para 13,00% a.a., reduzindo a taxa primária de juros da economia em 0,75 ponto percentual (“p.p.”). A maioria do mercado esperava um corte de 0,5 p.p.

O Copom acertou. Era necessário sinalizar uma aceleração no ritmo de corte que até então vinha sendo feito em doses de 0,25 p.p.

O comunicado do órgão destacou que a atividade econômica ainda está muita fraca. Os índices de emprego e produção ainda estão em queda. O Copom também reconheceu que a inflação no curto prazo está abaixo do esperado e as expectativas de inflação próximas à meta de 4,5%.

Ressalte-se que o Copom avaliou que a eleição de Trump não gerou nenhum efeito forte na taxa de câmbio, que voltou a girar em torno de R$ 3,20. Na cifrada linguagem do Copomês, “…até o momento, os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados”. Leia-se, o Trump foi eleito, mas o mundo não acabou.

Por fim, o Copom reconheceu que o ajuste fiscal segue em ritmo mais rápido que o esperado. A   aprovação da PEC de limitação de gastos e o envio da reforma da previdência constituem os exemplos mais importantes.

Diante dessas evidências, o Copom decidiu, de forma correta, acelerar o ritmo de queda dos juros. E o mais importante é que o comunicado explicita que deve manter esse ritmo de queda de 0,75 p.p. nas próximas reuniões.

Diante de uma economia em frangalhos, acelerar a redução da taxa de juros tem diversos impactos na economia.

Quando o Banco Central diminui a taxa, todas as outras taxas tendem a cair, pois a taxa Selic serve como taxa básica de juros de referência para o mercado. Do lado das empresas, elas podem se financiar com juros menores e, portanto, podem, em princípio, investir mais. Do lado das famílias, os indivíduos podem obter mais créditos e passam a consumir mais. Com a demanda maior, as empresas passam a produzir mais, efeitos que aquecem a economia com efeitos multiplicadores.

Foi a maior redução da taxa básica de juros da economia desde de abril de 2012. Sinal promissor para 2017.

Veja na integra o comunicado do Copom

Copom reduz a taxa Selic para 13,00% ao ano

 

O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 13,00% a.a., sem viés.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente;

No âmbito externo, o cenário ainda é bastante incerto.  Entretanto, até o momento, os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados;

A inflação recente continuou mais favorável que o esperado. Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico;

A inflação acumulada no ano passado alcançou 6,3%, bem abaixo do esperado há poucos meses e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação estabelecido para 2016;

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 4,8% para 2017, e mantiveram-se ancoradas ao redor de 4,5% para 2018 e horizontes mais distantes;

As projeções condicionais do Copom também recuaram em relação às divulgadas no Relatório de Inflação passado, que foram baseadas no conjunto de informações disponíveis até 9 de dezembro de 2016. Dentre outros fatores, os recuos nas projeções foram influenciados por dados de inflação e atividade econômica divulgados desde então. As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente; e

Os passos no processo de encaminhamento e aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento.

O Comitê ressalta os seguintes riscos para o cenário básico para a inflação:

Por um lado, (i) o alto grau de incerteza no cenário externo pode dificultar o processo de desinflação; (ii) o processo de desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária requer atenção contínua; (iii) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia é longo e envolve incertezas;

Por outro lado, (iv) a atividade econômica mais fraca e o elevado nível de ociosidade na economia podem produzir desinflação mais rápida que a refletida nas projeções do Copom; (v) a inflação tem se mostrado mais favorável, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário; e (vi) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia pode ocorrer de forma mais célere que o antecipado.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 13,00% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente crescente, de 2018, é compatível com intensificação da flexibilização monetária em curso.

O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião. Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização. A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco mencionados acima.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel


Hora de acelerar a redução dos juros
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Gesner Oliveira

 A primeira reunião do Copom de 2017 ocorre hoje e amanhã. Depois de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual nas duas últimas reuniões de 2016, a decisão é importante para sinalizar uma aceleração no corte de juros.

Por mais longínqua que pareça, a decisão do Copom afeta seu cotidiano.  Menos inflação significa maior poder de compra para as famílias e empresas, maior capacidade de previsibilidade dos preços, e um ambiente mais favorável para se planejar para o futuro. Além disso, o Banco Central poderá reduzir a taxa de juros e ajudar na recuperação da economia no curto prazo.  Juros menores significam menor custo para as famílias e empresas tomarem novos empréstimos ou conseguirem renegociar com taxas mais baixas de dívidas antigas. Juros menores estimulam as empresas a fazerem novos investimentos produtivos, e as famílias a adquirirem bens de consumo duráveis.

Uma coisa é saber o que o Banco Central vai fazer. Outra é o que seria recomendável que a autoridade monetária fizesse. A opção provável é de um corte de 0,50 p.p., levando a taxa Selic para 13,25% ao ano, patamar de abril de 2015. Mas o Banco Central deveria reduzir mais rápido: algo como uma redução de 0,75 p.p. já nesta reunião.

Vários fatores justificam esta aceleração na redução dos juros: a inflação desacelerou e as expectativas estão convergindo para a meta de 4,5% a.a.

Amanhã o IBGE divulgará o resultado final do IPCA de 2016. O mercado espera que o índice oficial de inflação suba cerca de 0,35% em dezembro e assim, encerre 2016 com alta de 6,35%, abaixo do teto da meta, de 6,5%.

A atividade econômica, por sua vez, segue muito fraca. Há elevada ociosidade tanto na capacidade instalada das empresas, e elevado desemprego. O crescimento da produção industrial de apenas 0,2% em novembro, frustrou o mercado, que esperava uma alta maior.  E no geral, os indicadores de atividade e emprego têm mostrado sido pouco animadores.

Um outro ponto a favor de uma maior redução da taxa Selic é o comportamento dos mercados. O dólar tem estado nos últimos dias perto de R$ 3,20. Próximo da taxa de R$ 3,17, registrada no dia anterior à eleição de Donald Trump nos EUA. Depois de um período turbulento inicial, os mercados acalmaram; e com a perspectiva de um crescimento econômico maior nos EUA nos próximos anos, os preços das commodities voltaram a subir, o que ajuda a explicar esta recente queda do dólar. Outro fator positivo que ajuda a conter a alta da inflação aqui dentro.

Por fim, e ainda que se quisesse mais, u dever de casa ainda por fazer. A PEC do teto de gastos foi aprovada no fim do ano passado e a reforma da previdência já foi encaminhada para o Congresso. Ambos acontecimentos ajudam a reduzir o temor sobre a sustentabilidade da dívida pública.

Uma atividade econômica ainda fraca; Inflação em desaceleração e com expectativas ancoradas; ajuste fiscal avançando no Congresso; nenhum grande choque nos mercados, em especial na taxa de câmbio, depois da eleição de Donald Trump geraram um cenário favorável para o Copom acelerar o corte da taxa Selic em pelo menos 0,50 ponto percentual, embora haja mais espaço para uma redução de 0,75 p.p.

A condução da política monetária exige enorme sensibilidade e talento. Ás vezes até maior do que na mais requintada gastronomia. A ver se o Banco Central não perde o ponto do açúcar.

Gesner Oliveira
Professor da EAESP-FGV e Sócio da GO Associados


Decisão de queda dos juros pelo Copom foi conservadora
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Gesner Oliveira

Decisão do Copom sobre a taxa de juros básica da economia

Na última quarta-feira (30), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar a taxa de juros básica da economia, a chamada Selic, em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Trata-se da segunda redução da Selic no ano, mas ainda muito pouco para tirar o país da atual crise econômica, maior da história do país.

Inspirado no Federal Open Market Committee (FOMC) do banco central dos Estados Unidos e no Central Bank Council, do banco central da Alemanha, o Copom foi instituído em junho de 1996. Seu objetivo é definir a taxa de juros básica da economia para assegurar que a taxa de inflação medida pelo IPCA, do IBGE, fique na meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5% ao ano.

O sistema de metas de inflação serve para dar mais segurança e previsibilidade ao mercado sobre os rumos da economia. Uma garantia de que o Banco Central não vai deixar a inflação fora de controle, como ocorreu nas décadas de oitenta e noventa. Entretanto, desde 2009 a inflação tem se situado acima deste patamar.

Toda vez que os preços sobem acima do esperado, o Banco Central costuma intervir com a elevação da taxa de juros Selic. Selic mais alta deixa o crédito mais caro, o que desestimula as famílias e empresas a gastar, investir e tomar empréstimos. Se todos gastam menos, a tendência é que os preços também subam menos e assim mantém-se a inflação sob controle. O problema é que existe um custo associado a segurar a demanda da economia, que é segurar o crescimento.

Desde 2005, o centro da meta (valor da inflação a ser perseguida no centro da faixa de tolerância) se mantém em 4,5% ao ano no Brasil. A regra diz que a inflação pode ficar até dois pontos acima (teto) ou abaixo (piso) do centro da meta. Se o Banco Central não consegue atingi-la, não há punição, mas a perda de credibilidade da autoridade gera insegurança nos investidores, que aumentam assim a exigência por juros para investir no país. Isso ocorreu de 2001 a 2004 e este ano a inflação completará dois anos seguidos acima do teto.

Em 2015 a inflação ficou em 10,67%, a maior taxa desde 2002. Em 2016, a projeção do mercado é de que o IPCA termine em 6,72%, também acima do teto da meta. Contudo, chama a atenção a trajetória de forte desaceleração do índice neste ano, e de todos os grupos que o compõem. O grupo de serviços, por exemplo, que representa 35% do IPCA, apresenta taxa de 6,85% no acumulado de 12 meses, a primeira vez desde setembro de 2010 abaixo de 7%. Com a perspectiva de uma safra agrícola positiva ano que vem, os preços de alimentos também deixarão de ser motivo de preocupação para o Banco Central.

A velocidade de desinflação do IPCA, somada à elevada ociosidade da economia no quadro atual, tanto de capital como de trabalho, permitia uma redução maior da taxa de juros na reunião de quarta-feira. Contudo, o cenário externo pesou na decisão do Copom de reduzir apenas 0,25 pp. A justificativa foi de que o risco externo, o chamado “risco Trump”, trouxe incertezas e pode comprometer a trajetória da inflação para o centro da meta.

A eleição de Trump de fato diminuiu o espaço para o Banco Central cortar os juros no Brasil, mas não tira o caráter conservador da decisão. Nesta semana o IBGE divulgou o resultado do PIB do terceiro trimestre e houve nova queda em relação ao trimestre anterior, de 0,8%. Indicadores antecedentes apontam que a economia só deve voltar a respirar no primeiro trimestre de 2017 e o desemprego, que já afetou quase 3 milhões de brasileiros no biênio 2015/16, só deve parar de crescer no terceiro.

O desempenho da atividade dá mostras de que é preciso aquecer a demanda estimulando o investimento pelas empresas e, portanto, uma queda maior da taxa de juros Selic, pelo Copom, é fundamental para reverter esse quadro.

Gesner Oliveira
Professor da EAESP-FGV e Sócio da GO Associados


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