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Crianças, exijam presentes melhores, economia em recuperação!
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Gesner Oliveira

Há bons argumentos para os pequenos na legítima barganha por um presente melhor no Dia das Crianças. Afinal, a recessão acabou.

O cenário de queda dos juros e de inflação, somado à melhora no mercado de trabalho e de crédito, têm afetado positivamente o comércio. O dado do setor de agosto mostrou que as vendas no varejo cresceram 3,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, a quinta alta seguida nessa base de comparação. Assim, não surpreende o otimismo com as vendas no Dia das Crianças deste ano. É a recuperação da economia.

Depois de uma queda acumulada de mais de 11% no biênio 2015/16, a expectativa para o Dia das Crianças deste ano é de alta de 3,4% nas vendas, o melhor resultado em quatro anos.

A data existe desde 1925, após decreto aprovado pelo então presidente Arthur Bernardes um ano antes. Passou a ser de fato assimilada pelos brasileiros apenas 30 anos depois, quando a marca Estrela, de fabricação de brinquedos, investiu em uma campanha para aumentar suas vendas. Hoje é uma data importante para o setor de comércio e dá bons sinais de como os consumidores devem se comportar no Natal.

De acordo com pesquisa elaborada pela FGV/IBRE, os brasileiros estão mais dispostos a gastar neste 12 de outubro. A média de intenção de gasto para o Dia das Crianças ficou em R$ 82,50 neste ano, contra R$ 78,60 em 2016. O indicador que mede o ímpeto de gastos avançou 5 pontos, de 59,3 para 64,3, interrompendo trajetória de queda iniciada em 2014.

Para se ter uma ideia, no ano passado a mesma pesquisa apontava que quase metade dos entrevistados pretendiam reduzir os gastos no feriado em relação ao ano de 2015, o que representou a menor intenção de compra de presentes em 11 anos. De fato, os resultados comprovaram a gravidade da crise. As vendas do Dia das Crianças caíram 3,6% em 2015 e 8,1% em 2016.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a expectativa é de que a data neste ano movimente R$ 7,4 bilhões, uma variação de 3,4% frente ao ano passado. Os setores de lojas de vestuário e calçados, com alta de 10,2%, seguido de brinquedos e eletroeletrônicos, com alta de 5,7% devem puxar o crescimento.

Também há otimismo no e-commerce. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) estima faturamento de R$ 2,15 bilhões nas lojas virtuais, alta de 5% ante 2016.

O que mudou? O ambiente macro. Há um ano, a taxa de juros Selic estava em 14,25% ao ano contra 8,25% na atualidade, devendo fechar 2017 em 7%. A taxa média de juros das operações de crédito seguiu a mesma tendência, saindo de 33% ao ano em agosto do ano passado para 28,45% em agosto desse ano. Caíram o endividamento das famílias e a inflação. O acumulado em 12 meses do IPCA batia 8,48% há um ano, enquanto hoje está em apenas em 2,54%.

O impacto da inflação nos produtos mais demandados no Dia das Crianças explica parte do otimismo para este ano. O acumulado em 12 meses do IPCA de brinquedos, caiu de 9,62% em setembro de 2016 para 0,37% em setembro deste ano. Na mesma base de comparação, a taxa acumulada de chocolates em barra e bombons era de 23,42% e passou para deflação de 6,35%. Eletrodomésticos e equipamentos passaram de 4,43% para deflação de 2,44%; roupas infantis passaram de 4,29% para 2,61%; bicicletas de 6,01% para deflação de 0,42%; CDs e DVDs já vinham em queda de 0,86% e caíram ainda mais, para -1,18%; e assim vai.

Infelizmente nem todos poderão celebrar com tranquilidade. Há mais de 13 milhões de desempregados. O crescimento vigoroso para dar oportunidade a todos só virá quando não faltar para as crianças brasileiras aquilo que elas mais precisam e que até elas topariam trocar por um brinquedo: saúde e educação.


Pode levar até 2024 para indústria voltar a ser o que era
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Gesner Oliveira

Recessão é passado, a recuperação está em curso. Em julho, a produção industrial cresceu 0,8% contra o mês de junho, acima das expectativas do mercado. A cada dado divulgado, reforçam-se os sinais de retomada da indústria. Acontece que o setor ainda sofre sequelas da crise e só deve recuperar os níveis de produção pré-crise daqui a sete anos. Isso porque entre 2014 e 2016 foram três duras quedas, um tricampeonato de recessão!

Em julho, todas as grandes categorias econômicas apresentaram alta, com destaque para a produção de bens de consumo duráveis (+2,7%) e bens de capital (+1,9%). Ambas categorias foram as que mais sofreram no período 2014/16, com queda acumulada de 36,8% e 39,8%, respectivamente. Dentre os 24 ramos industriais, 14 apresentaram alta no mês. Destaque para a produção de móveis (+6,0%), equipamentos de informática (+5,9%) e produtos farmacêuticos (+4,8%).

Já são dois trimestres consecutivos de alta contra o trimestre anterior, o que não acontecia desde o segundo trimestre de 2013. Três altas seguidas não ocorrem desde o segundo trimestre de 2010 e devem acontecer com o fechamento do terceiro trimestre deste ano, com alta acima de 1%. Agora, a projeção para a produção industrial de 2017é de alta de 2,1%.

Acontece que mesmo supondo crescimento anual de 2,4% a partir do ano que vem, que foi a média de crescimento dos dez anos anteriores à crise, a indústria só recupera seu nível de produção pré-crise em 2024. O baque da recessão foi grande e deixou enormes sequelas.

Enquanto o país sediava a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016, a indústria nacional descia ladeira a baixo. A queda acumulada no período foi de mais de 16% e liderada pelas categorias de bens de capital e de consumo duráveis. Ao contrário de bens como roupa ou alimentos, que respondem mais à capacidade de consumo das famílias e mercado de trabalho, ambas dependem de investimento. E este já não sabe o que é crescer faz tempo.

Em época de crise e sobretudo com grandes incertezas no cenário político ninguém quer investir. Hoje a taxa de investimento está em 15,5% do PIB, ante 21,1% no final de 2013. No segundo trimestre deste ano, a taxa sofreu nova queda na margem, de 0,7%. É a décima quarta queda nos últimos 15 trimestres! Com recuo previsto de 3,5% em 2017, os investimentos se tornarão tetracampeões em recessão.

A indústria é um dos setores que mais sofre quando não há investimentos. E esta situação ainda deve se prolongar por mais uns anos. Hoje ainda há elevada incerteza acerca da evolução das reformas econômicas e das eleições de 2018. Não se sabe bem que rumo o país pode tomar, então menos gente se atreve a arriscar algum investimento. Além disso, o nível de ociosidade nas empresas é muito alto, ultrapassando mais de 50% em alguns setores. Com um monte de máquinas paradas, vai levar certo tempo até as empresas passarem a comprar novas.

Daí a importância de reduzir o chamado Custo Brasil com um conjunto de reformas econômicas. O país e em particular a indústria, sofrem com inúmeras dificuldades estruturais que vão desde burocracias e elevada carga tributária, até altos custos trabalhistas e previdenciários, insegurança jurídica e corrupção. Reformas como a trabalhista, já aprovada, a tributária e a da Previdência são fundamentais para destravar os investimentos.

Não existe mágica na economia. Com a indústria crescendo 2,4% a partir do ano que vem vai levar cerca de sete anos para voltar aos níveis pré-crise. Mas esse crescimento ainda requer a aprovação das reformas e de um conjunto permanente de mudanças que visem modernizar o país. Sem nada disso, só resta se preparar para a estagnação e aprofundamento da desindustrialização.


Cenário Maia é mais complicado do que parece
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Gesner Oliveira

O cenário de uma eventual substituição do presidente Michel Temer por Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara dos Deputados, é mais complicado do que parece. Uma grande parte dos analistas de mercado subestima o custo de mais um processo de afastamento de um presidente da República a esta altura do campeonato.

A demora na tramitação da denúncia contra Temer pode fazer com que Maia só assuma praticamente às vésperas das eleições presidenciais de 2018. Isto pode ser uma má notícia para a economia, que hoje ainda mostra certo descolamento da turbulência política.

A crise política se agravou na última semana. Houve o envio da denúncia contra o presidente do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o relator deu parecer favorável à denúncia e aumentaram as chances de uma possível saída da base aliada do governo pelo principal partido de sustentação, o PSDB.

Em contraste com a política, os indicadores econômicos mostram sinais de recuperação da atividade e inflação comportada.

Houve deflação, isto é, taxa negativa de inflação em junho, em -0,23%, o menor número verificado desde o Plano Real. Apesar das incertezas políticas, isso abriu espaço para mais um corte de ao menos 1 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom, dias 25/26 de julho. O mercado aponta para uma Selic em 8,25% ao ano em dezembro.

Além disso, a indústria e o setor externo também trouxeram boas notícias. A venda de veículos e a produção industrial, além dos crescentes superávits na balança comercial, de US$ 7,2 bilhões no mês passado, indicam que a economia se recupera de mais de dois anos de recessão. Nesta semana, dados para o comércio e o setor de serviços devem confirmar esse cenário. A expectativa para o IBC-Br, indicador prévio do PIB, é de 0,8%.

No entanto, a longa tramitação da denúncia contra o presidente pode ser um balde de água fria nas expectativas de recuperação.

Com a demora das discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os trabalhos podem ser concluídos apenas na véspera do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho. Isso significa que a votação no plenário da Câmara ficaria para agosto. Se aprovada tanto pelo Congresso quanto pelo STF, o julgamento pode se alongar até março do ano que vem. Eventuais eleições indiretas, que poderiam (ou não) levar Maia à presidência, ocorreria possivelmente em abril e posse efetiva em maio, a poucos meses do início da campanha para as eleições presidenciais.

É uma transição longa e incerta demais para o tempo da economia. Enquanto o país acompanha as longas discussões no Congresso, decisões fundamentais de consumo e investimento são adiadas. Isso é uma péssima notícia para os quase 14 milhões de desempregados que são os que mais sofrem com a bagunça na política.


Até quando a economia vai aguentar desaforo da política?
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Gesner Oliveira

A crise política, que pode ganhar novos capítulos nesta semana com a apresentação da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, tem tido efeito limitado sobre a economia.

Três cenários poderiam arrebentar a economia e o emprego. Primeiro, uma paralisia total das reformas. Segundo, uma guinada populista do atual governo. Terceiro, a indicação de que tal guinada pudesse ocorrer com o governo que deverá assumir em 2019.

O primeiro cenário ainda parece improvável, apesar da baixa popularidade do Governo Temer acentuada pela campanha de grupos poderosos da mídia e do corporativismo. O segundo está fora do roteiro do Governo Temer que encontrou na agenda reformista sua razão de existir.

O terceiro cenário tem uma probabilidade difícil de estimar por enquanto. O Datafolha acaba de indicar Lula como favorito nas pesquisas, mas ninguém se arrisca neste momento a dizer que será e quem poderá ser candidato em 2018. E menos ainda projetar quais serão as plataformas de campanha para 2018.

Mesmo quando a crise política atingiu seu ápice em meados de maio, após a divulgação do áudio do diálogo do presidente Temer com o empresário Joesley Batista, a repercussão negativa sobre a economia teve curta duração. A vida econômica parece blindada em relação à política.

Em contraste com o período do impeachment de Dilma, o emprego está dando sinais de melhora e o poder de compra do salário parou de cair com a forte desaceleração da inflação. Os preços nos supermercados estão menos salgados. É pouco, mas faz diferença para a maioria das famílias.

Hoje a projeção do mercado para o crescimento do PIB neste ano está em 0,39%. É muito pouco perto do potencial da economia brasileira, mas parece razoável para um país que caiu 3,8% em 2015 e 3,6% no ano passado. A expectativa para 2018 é de uma alta em torno de 2%. Um novo período de grande incerteza pode comprometer esta frágil recuperação.

Depois da explosão do desemprego no período de 2015/16, quando o exército de desempregados saltou de 6,5 milhões para 14 milhões, os dados do Ministério do Trabalho começam a sinalizar uma melhora. Em maio foram criadas 34,2 mil vagas de emprego com carteira assinada, segundo mês consecutivo com saldo positivo. A expectativa é que os dados que saem na próxima sexta mostrem uma queda da taxa de desemprego de 13,6% para 13,5%. Ainda é muito alta, mas ao menos parou de crescer.

Quando o time está na zona da degola, surge todo tipo de corneteiro e a solução mais fácil é trocar o técnico. Raramente resolve. A prioridade neste momento deve ser a de proteger a modesta recuperação do emprego e da economia.


O pesadelo da recessão parece estar terminando
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Gesner Oliveira

O setor de serviços fechou 2016 em queda de 5%, segundo ano seguido de retração e o pior resultado desde 2012. O comércio varejista, no conceito restrito, apresentou queda de 6,2% em 2016, maior queda da história do indicador. Vale a pena entender o que dizem esses números.

Dados do setor de serviços são analisados pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que tem como objetivo produzir indicadores que permitam o acompanhamento da evolução conjuntural, isto é, de curto prazo, do setor que responde por cerca de 2/3 do PIB brasileiro. A partir dos dados de receita bruta de cerca de 9.300 empresas situadas nas 27 unidades da federação, desconta-se a inflação do período e estima-se um índice de volume de vendas. Ou seja, pesquisa-se quanto as empresas receberam, desconta-se a variação do nível de preços do período e chega-se à quantidade comercializada no mês.

Para se obter uma análise mais precisa dos dados, o IBGE divide o setor de serviços em cinco grupos diferentes, que podem ser desagregados dependendo da unidade da federação: (i) serviços prestados à família; (ii) serviços de informação e comunicação; (iii) serviços profissionais, administrativos e complementares; (iv) transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio; e (v) outros serviços.

Os dados do comércio varejista, por sua vez, são analisados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). A variável investigada pela pesquisa é a receita bruta mensal de 6.150 empresas proveniente da revenda de mercadorias que, assim como na PMS, quando descontada a inflação possibilita a estimação do volume de vendas.

O resultado da PMC pode ser dado de duas formas: sob o conceito restrito que, no geral, refere-se a produtos não duráveis e que se relaciona mais com o mercado de trabalho; e sob o conceito ampliado, com bens de caráter durável e que muitas vezes são financiados pelo consumidor, de modo que respondem mais ao crédito, taxa de juros e renda.

Sob o conceito restrito, o comércio varejista é dividido em (i) combustíveis e lubrificantes; (ii) hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; (iii) tecidos, vestuário e calçados; (iv) móveis e eletrodomésticos; (v) artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria; (vi) livros, jornais, revistas e papelaria; (vii) equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação; e (viii) outros artigos de uso pessoal e doméstico. No conceito ampliado, a todos esses somam-se mais dois: (ix) veículos e motos, partes e peças; e (x) material de construção.

Os resultados do comércio varejista e do setor de serviços constituem importantes indicadores de como se comportou a atividade econômica no período analisado. É com base neles que economistas elaboram projeções para a atividade nos meses seguintes.

A PMS foi divulgada hoje e o setor de serviços apresentou ligeira alta de 0,6% em dezembro ante o mês de novembro. O que impulsionou o resultado foi o setor de transportes, com peso de cerca de 30% e alta de 0,4%. Este grupo se beneficiou do desempenho positivo do setor industrial, que subiu 2,3% em dezembro. Apesar da boa notícia, o indicador apresentou retração de 2,7% no último trimestre do ano ante o anterior e serviços fechou 2016 em queda de 5%, segundo ano seguido de retração e o pior resultado desde 2012.

Divulgada ontem, a PMC registrou queda de 2% em dezembro em relação a novembro de 2016, no conceito restrito. O componente de maior peso, o setor de hiper e supermercados, caiu 3%. Em 2016 o varejo restrito apresentou queda de 6,2%, maior queda da história do indicador. Os resultados refletem a deterioração do mercado de trabalho.

As vendas de veículos e materiais de construção cresceram no mês de dezembro em 1,8% e 2,1%, respectivamente. Mas não foram capazes de compensar a queda no conceito restrito e o varejo ampliado apresentou queda de 8,7% no ano. A expectativa é que a redução da taxa de juros tenha maior capacidade de afetar positivamente o consumo de bens duráveis, mais sensível a condições do mercado de crédito.

Os dados negativos das pesquisas já eram esperados pelo mercado e a projeção é de que a atividade econômica em dezembro sofra queda de 0,4% contra o mês anterior. Isso reforça a percepção de um quarto trimestre fraco em 2016, com queda estimada de 0,5%.

Mas isso é passado. A expectativa para 2017, é mais otimista. Apesar do consumo das famílias ainda continuar fraco, a melhora esperada na atividade industrial deve puxar atividades mais ligadas ao setor, como serviços de transportes. A desaceleração da inflação abre espaço para o Banco Central manter o ciclo de queda dos juros acelerado, estimulando a atividade econômica. Desenha-se lentamente, assim, um cenário de recuperação modesta. O pesadelo da recessão parece estar terminando.


Indústria despenca 16,9% em três anos. Felizmente, chegou o fundo do poço
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Gesner Oliveira

A indústria encolheu 16,9% entre 2014 e 2016. Na comparação com o mês de dezembro de 2015, a produção industrial apresentou queda de 0,1%, pelo 34⁰ mês consecutivo.

O IBGE divulgou nesta semana o resultado da produção industrial de dezembro. O setor registrou queda de 6,6% em 2016. Esta é a terceira queda anual consecutiva. Em 2014 o setor havia apresentado queda de 3,0% e em 2015 de 8,2%.

A queda de 0,1% de dezembro foi a menor de todo o período. Em relação ao mês de novembro, houve alta de 2,3% em dezembro em relação a novembro. A maior alta na comparação mensal desde julho de 2013. E, por fim, foi o segundo mês de alta produção, que já havia subido 0,4% no mês passado. Ou seja, embora muito lentamente, o cenário parece estar mudando.

Os indicadores de confiança do setor mostraram altas expressivas em janeiro. Outros dois dados mostraram significativa melhora no mês de dezembro: fluxo de veículos pesados em estradas pedagiadas e produção de papel ondulado. Conhecidos como indicadores antecedentes. O primeiro dá uma ideia do fluxo de  bens  transportado nas estradas. Quanto mais bens, mais caminhões. E o segundo, reflete a quantidade de bens embalados na economia. Também, quanto maior a produção maior a quantidade de bens embalados.

De novembro para dezembro, a produção de papelão ondulado, caixa, acessórios e chapas, cresceu 1,3%. E o fluxo de veículos pesados em estradas pedagiadas subiu 4,8% também na comparação mensal entre dezembro e janeiro.

Com isso, a queda sustentada dos juros ao longo do ano e um ambiente de avanço das reformas econômicas deve levar o setor a crescer cerca de 1,5% no ano. Será o fim das quedas sucessivas. A taxa Selic está em 13,00% a.a. e deve fechar 2017 em 9,5%. A  reforma da previdência e a PEC dos gastos são essenciais para viabilizar  este avanço.

Dessa maneira, a recuperação da atividade econômica deve começar pelo setor industrial, e essas duas altas consecutivas indicam que o país começa a sair do buraco. Provavelmente a indústria deve voltar a crescer já neste primeiro trimestre.

Essa  recuperação da indústria é importante na geração de empregos, que deve ocorrer com mais intensidade a partir do segundo semestre do ano. O país hoje tem 12,3 milhões de pessoas desempregadas. O fundo do poço chegou. Agora é saber voltar à superfície.


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