Blog do Gesner Oliveira

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Jantar em Buenos Aires em dezembro deste ano será mais barato
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Gesner Oliveira

Jantar em Buenos Aires ficou mais barato para o bolso do brasileiro e deve ficar mais ainda até o final do ano.

O motivo é a forte desvalorização do peso, que tem como consequência a diminuição nos preços de serviços como hospedagem e alimentação para turistas brasileiros. O real tem se valorizado relativamente ao peso argentino desde o início do ano.

Enquanto o dólar subiu 20,1% na Argentina desde o começo do ano, aqui no Brasil, apesar do encarecimento da moeda americana, o aumento foi menor, de cerca de 8,5%. Ou seja, neste período, o real ficou 11,5% mais valorizado que a moeda argentina.

Dado o grande diferencial de inflação no Brasil e na Argentina (3,5% ao ano contra 25,0% dos argentinos), quando se desconta esse fator, o ganho do real foi menor, de apenas 1,9%. Ainda assim, ficou mais barato para o brasileiro viajar para a Argentina.

Diante da atual crise que atravessa o país vizinho, não é improvável que a moeda brasileira continue ganhando terreno em relação ao peso nos próximos meses.

Considerando que o peso argentino continue se depreciando em termos reais, na mesma velocidade atual até o fim do ano, um jantar em Buenos Aires que no fim do ano passado custava R$ 150, no fim deste ano deve custar cerca de R$ 142,50, 5% mais barato.

A diferença é pequena, mas melhor que um jantar em Nova York, que já está quase 10% mais caro.

O câmbio sempre é uma variável difícil de prever. Pode ser que essa tendência permaneça, mas isso depende dos próximos passos das economias argentina e brasileira e sobretudo dos juros nos EUA e dos focos de tensão geopolítica e comercial que acabam afetando os preços do dólar e do petróleo.


São Silvestre pode mexer mais com São Paulo
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Gesner Oliveira

A corrida de São Silvestre não é a mais importante do ponto de vista do atletismo de competição, mas é de longe a mais tradicional e conhecida do Brasil e na América Latina. Você pode contar pra alguém de fora da cidade que fez uma maratona (42km!) que a pessoa, se não for viciada em corrida, não vai se impressionar. “Você correu a São Silvestre? Então, é um atleta!”

Mas o evento poderia fazer mais por São Paulo, reforçando o enorme potencial turístico da cidade para as Festas de Final de Ano. Tudo bem que reveillon é ir à praia, pular sete ondas e presentear Iemanjá. Mas pra quem tem isso o ano inteiro, São Paulo pode parecer um destino interessante pelos restaurantes, museus, virada na Paulista e a própria São Silvestre.

De túmulo do samba, na injusta expressão de Vinícius de Moraes (logo ele, que exaltava a vida!), São Paulo se transformou em um dos pólos do Carnaval. Algo semelhante pode acontecer com Natal e Ano Novo. Isso representaria mais turismo interno, mais renda e especialmente muitos empregos.

E isso sem prejuízo de outros destinos que estão superlotados e não têm a infraestrutura de São Paulo que fica ociosa durante a passagem de Ano. Eu também adoro circular nesta cidade nesta época do ano sem trânsito e sem filas. Mas o leitor não imagina a aflição que dá para um economista ver tanto capital físico sem utilização em um país escasso em capital e com um desemprego alarmante!

Sou fascinado pela São Silvestre desde criança. Desde uma noite de Véspera que meu pai me levou para assistir a prova que até 1988 acontecia à noite, logo antes da queima de fogos. A magia da prova ainda é perceptível hoje; nesta manhã mesmo, estava no olhar das crianças que não se cansam de dar as mãos em um “give me five” aos milhares de corredores amadores que desfilam pelas ruas da cidade.

Dada esta ligação afetiva, sinto-me credenciado para dar palpites de como tornar o evento ainda mais atraente. Há sugestões muito melhores, como as de Sergio Xavier, que explicou de forma didática como evitar muvuca na largada da prova. A 93ª edição realizada hoje não resolveu o problema, mas melhorou em alguns pontos. Foi a mais organizada das 16 São Silvestres que corri (ou andei?). Não faltou água para os inscritos (nem chuva).

Seguem três pitacos. Primeiro, valorizar o percurso da prova, chamando atenção para os marcos da cidade. Quem chega em Sampa de Caetano não necessariamente entende esta cidade e a prova passa pelo cruzamento da Ipiranga e São João, tangencia o Teatro Municipal e acaba na temida Brigadeiro. Por que não integrar o percurso ao roteiro turístico da cidade, lembrando ao visitante que ele está pisando em solo de conquistas de mitos como o tcheco Emil Zatopek, a “Locomotiva Humana”; o brasileiro Émerson Iser Bem, que interrompeu a sequencia de vitórias do queniano Paul Tergat; e mais recentemente, de quenianas, como a avencedora de hoje, Flomena Cheyech, e etíopes, como o atual bicampeão, Dawitt Admasu.

Segundo, este mesmo percurso poderia ser palco de treinos nos finais de semana e feriados, eventualmente patrocidados por marcas esportivas. Seria mais uma alternativa de lazer esportivo e de empregos, oferecendo uma chance para o visitante e o paulistano correr a São Silvestre em qualquer época do ano.

Tais eventos serviriam para múltiplas finalidades como de aulas de iniciação esportiva, história da cidade e tomada de tempo para a formação de pelotões separados para uma largada mais organizada. Nessa linha, poderia ser criada uma Caminhada de São Silvestre, dando oportunidade a iniciantes e àqueles que já correram demais durante o ano.

Terceiro, poderia haver o engajamento de mais voluntários no trabalho de organização da prova. Faltam pessoas dando orientação básica e o quadro de colaboradores poderia ser reforçado com gente que entende e gosta de corridas. Em especial, a comunidade de corredores poderia ser mais envolvida, servindo entre outras coisas como fiscais de zeladoria da cidade. O corredor de rua sabe bem onde está sujo e esburacado e desde quando (ou desde sempre).

É fácil dar ideias. Difícil é implementá-las. Mas estou certo de duas coisas: a São Silvestre pode mexer mais com São Paulo e quando é mesmo a inscrição para a próxima?


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