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FGTS: como consultar, onde investir e qual o impacto?

Gesner Oliveira

14/02/2017 11h30

Hoje o governo divulgou o calendário para o saque das contas inativas do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). A notícia é relevante para toda a população, mas em especial para os leitores que foram demitidos sem justa causa ou que pediram demissão até o dia 31 de dezembro de 2015, pois são eles que têm direito ao saque. Dúvidas como "Como consulto meu saldo?", "Onde devo aplicá-lo?" ou até mesmo "Qual será o impacto na economia?" podem ter surgido e este artigo visa respondê-las.

Há quatro maneiras distintas do beneficiário do FGTS consultar o saldo de sua conta. A primeira delas é pelo site da Caixa Econômica Federal, que administra as contas do FGTS. Basta acessar o site e inserir o número do Programa de Integração Social (PIS), disponível na carteira de trabalho, e a senha de cadastro no site. Outra opção, para aqueles que possuem Android ou Iphone é pelo aplicativo FGTS Trabalhador. O app, disponível no Google Play e na Apple Store, também exige o número do PIS e permite a consulta do saldo, atualização do endereço e localização de pontos de atendimento próximos, tudo pelo celular.

Outra opção é via Internet Banking. Clientes Caixa podem acessá-lo com a senha bancária de internet, clicar na opção "Serviço do Cidadão" e verificar o extrato. Por fim, é também possível comparecer pessoalmente a uma agência da Caixa. Basta apresentar o Número de Identificação Social (NIS) e pedir para consultar o saldo disponível.

Para todos aqueles que são elegíveis, a recomendação é  sacar o dinheiro do FGTS. A rentabilidade do fundo aumentou esse ano, mas continua baixa, em torno de 5 a 6% ao ano mais a chamada taxa referencial, taxa básica referencial dos juros a serem praticados no mês vigente e que reflete o custo ponderado de captação de recurso das instituições financeiras do país. O retorno é próximo ao de uma caderneta de poupança.

Segundo levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio, cerca de 55,6% das famílias brasileiras estão endividadas. Para os beneficiários que fazem parte deste grupo, a melhor opção é se livrar das dívidas, especialmente as mais caras, como o cartão de crédito ou o cheque especial.

Para aquelas famílias em uma situação mais confortável, que não estão endividadas, há diversas opções de investimento melhor que o FGTS. Uma opção é o Tesouro Direto, que possui diversos tipos de papéis (pré-fixados, pós-fixados e indexados à inflação). Para se ter uma ideia, um papel pré-fixado com prazo de vencimento em janeiro de 2023 (daqui a cerca de 6 anos) garante uma taxa de 10,44% ao ano. Um investimento de R$ 10 mil em nesse título público geraria um montante final de R$ 16.694 mil em janeiro de 2023 (já descontados os 15% do imposto de renda), enquanto o mesmo valor aplicado no FGTS por este tempo geraria um montante final de apenas R$ 14.377 mil (usando rendimento médio de 0,52% ao mês e 6,42% ao ano). Ou seja, praticamente R$ 2,3 mil a menos.

Existem ainda outros ativos interessantes de renda fixa, como CDB´s de bancos médios, títulos de letra de crédito imobiliária ou agrícola, os LCI e LCAs, que possuem isenção de imposto de renda. Sem falar em opções mais arriscadas, como investimento em empresas listadas na bolsa de valores. Em um momento de recuperação da atividade econômica, estas podem manter sua trajetória de valorização e se tornar investimentos rentáveis no futuro.

Por fim, o impacto na economia. A estimativa do governo é a de que existam cerca de R$ 43 bilhões nas contas inativas que terão o direito ao saque. Há três destinos para todo esse dinheiro: (i) Quitação de dívidas. Isso tem impacto sobre a economia indiretamente ao diminuir o endividamento e recuperar o crédito e o consumo em um momento posterior; (ii) realocação da poupança financeira em aplicações que rendem mais do que o FGTS (TR + 5-6%), como a renda fixa; (iii) parte desse dinheiro deve ser utilizado para consumo, o que é um incentivo a mais para a economia nesse momento de recuperação.

Entretanto, devemos ser realistas. Esse tipo de medida, apesar de ser positiva, não é o que irá tirar o país do buraco. O que o Brasil precisa é de uma recuperação consistente, pautada em investimentos em infraestrutura e no avanço das medidas de ajuste econômico. A aprovação da reforma da previdência é um exemplo, na medida em que altera a dinâmica do endividamento público e reduz a percepção de risco sobre o país.

Apenas mudanças estruturais serão capazes de viabilizar uma recuperação consistente e fazer a roda da economia girar.

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Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

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