PUBLICIDADE
IPCA
0,24 Ago.2020
Topo

Histórico

Categorias

Apesar da recuperação, desemprego demora a cair

Gesner Oliveira

30/03/2018 20h26

O desemprego demora a cair, apesar da retomada da economia. Os dados do IBGE divulgados na última quinta-feira mantiveram o cenário de melhora gradual do mercado de trabalho. O desemprego atingiu 12,6% no trimestre encerrado em fevereiro de 2018, correspondente a 13,1 milhões de pessoas desocupadas.

No primeiro trimestre do ano é normal que o desemprego suba, refletindo as demissões dos temporários das festas de fim de ano. Comparado com o mesmo período do ano passado passado, o desemprego cai, de 13,2% para 12,6%.

Há três  forças principais atuando sobre o mercado de trabalho neste momento. A primeira é a recuperação da economia que aumenta a demanda por mão de obra. O problema é a expectativa para o médio prazo. Como há incerteza em relação à continuidade da retomada após 2019, muitas empresas aguardam clarear o cenário para contratar.

A segunda é a mudança tecnológica que tende a mudar de forma permanente as relações de trabalho. Parcela da expansão do trabalho por conta própria pode refletir uma nova tendência do mercado. A população ocupada registrou crescimento de 2,1% ante fevereiro de 2017, e segue puxada pela geração de postos informal e por conta própria, que registraram alta de 5,6% e 4,4%, respectivamente. Em contraste, o emprego com carteira assinada caiu 1,8% nesta base de comparação.

A terceira é a reforma trabalhista que representou mudança institucional importante. Empresas, trabalhadores e a própria Justiça do Trabalho estão se adaptando às novas regras e à nova cultura que deverá reger as relações trabalhistas. É natural que seja um processo lento.

A expectativa é a de recuperação ao longo de 2018, mas em ritmo lento, mantendo a taxa de desemprego em dois dígitos em 2018.

Apesar da resistência à queda da taxa de desemprego, a massa salarial aumentou 3,8% no trimestre encerrado em fevereiro, na comparação com mesmo período do ano anterior. Ainda é pouco para gerar uma sensação de sensível melhora de bem estar na população, insuficiente para impulsionar, por si só, uma candidatura alinhada com a atual política econômica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira