Blog do Gesner Oliveira

Maior risco pós “choque JBS” é travar reformas e país afundar na recessão
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Gesner Oliveira

O maior risco da crise política desencadeada com as delações da JBS é travar a política econômica e condenar o país ao terceiro ano consecutivo de recessão.

A não aprovação das reformas da Previdência e trabalhista, juntamente com a paralisação dos leilões na infraestrutura, teriam forte impacto sobre a produção e o emprego. O Brasil pode terminar o ano com queda de 1% do PIB e mais de 14 milhões de desempregados.

O “choque JBS” fortaleceu as correntes que propõem eleições diretas, atendeu aos interesses das corporações que resistem às reformas e permitiu o desembarque de forças políticas do governo, que se mostravam relutantes em relação às mudanças na Previdência e na CLT. O custo? Interromper a modesta retomada da economia.

Depois do choque JBS, há dois cenários que servem como referência. O primeiro é pessimista. A hipótese é que a atual crise política institucional vai se arrastar ao longo ano, gerando uma paralisia na agenda de reformas econômicas no Congresso.

Neste cenário pessimista o dólar vai ficar mais caro, algo entre R$ 3,5 e R$ 4; os juros continuarão em dois dígitos, a economia continuará em recessão e o desemprego vai piorar.

O segundo é otimista. Pressupõe uma solução relativamente rápida da crise, com pequeno efeito sobre a tramitação das reformas. Apesar do choque, os juros devem cair a um dígito e a recuperação vai continuar com modesta expansão do PIB e uma lenta retomada do emprego.

Política e economia estão diretamente ligados. Mas tem tempos diferentes. Uma solução política para a crise atual requer um longo processo de negociação. A economia está a exigir providências imediatas, especialmente para fechar o rombo das contas públicas.

Quem duvidar, pode perguntar a um servidor do Estado do Rio de Janeiro que recebe seu salário com atraso e não tem segurança se continuará a receber no futuro. Por isso, a economia não pode esperar pela política. Independentemente do nome do presidente da república, será preciso um pacto em torno do ajuste e recuperação do emprego.


Não dependa do seu filho nem do pai Estado, faça sua aposentadoria
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Gesner Oliveira

Muito se fala da reforma da Previdência e como ela pode afetar a vida das pessoas na velhice. Independentemente de ela ser aprovada ou não, contudo, é fundamental que as pessoas se planejem e cuidem de suas próprias finanças. A dica é não depender dos filhos nem do pai Estado. Faça sua aposentadoria.

O brasileiro não tem costume de poupar. Aqui a taxa de poupança em termos do PIB nacional é de cerca de 16%. Em outros países emergentes poupa-se mais, com taxas de 20% no México, 27% na Rússia (27%) e 30% na Índia (30%) no ano passado. Na China a taxa chega a assustar, de 45%. Isso tem efeitos no nível de investimento do país, mas também significa que o brasileiro acaba dependendo muito do Estado para se aposentar.

Pesquisa do Banco Mundial no início do ano com pessoas acima de 15 anos, aponta que apenas 3,64% dos brasileiros fez economias para a velhice. No Chile a taxa é de 12,88%, no México de 20,85% e na Malásia de 53,98%. O Brasil também é o país mais vulnerável do continente para casos de emergência: 44% dos entrevistados, que corresponde a mais de 70 milhões de pessoas, consideram impossível levantar cerca de R$ 2.500 em uma necessidade extrema. Dos que acham possível obter tal quantia, apenas 16% dizem poder recorrer às próprias economias.

À falta de poupança soma-se a melhora na qualidade e expectativa de vida da população. Hoje no Brasil a proporção da população com 60 anos ou mais é de 12,1%. Em 2050 essa parcela saltará para quase um terço do total. Não há sistema da Previdência nem filho, por mais bondoso que seja, que banque tanta gente. Mas não precisa ser assim.

Hoje, com o avanço da tecnologia e o imenso volume de informação, cada um pode fazer seu próprio planejamento e ter uma boa aposentadoria pela iniciativa privada. São inúmeras as opções, seja por ações, títulos públicos ou fundos multimercados. Naturalmente, é preciso ter disciplina e fazer um acompanhamento constante dos investimentos, mas várias plataformas facilitam esse processo, como a Easynvest e o Rico.com.

Na hora de investir, vale uma dica: primeiro livre-se das dívidas! É impossível enriquecer no longo prazo se você tem rendimentos a 1% ao mês e dívidas a 5%, 10%, como cheque especial ou cartão de crédito. É fundamental estancar essas perdas para um melhor direcionamento e aplicação dos recursos.

Vale a pena investir um tempo para aprender um pouco sobre outras opções de investimento fora a popular poupança. Para dar um exemplo, uma pessoa que coloca R$ 1.200 na poupança tira cerca de R$ 10.300 após 28 anos. O mesmo montante aplicado em um título do Tesouro Direto, também com vencimento em 2045, teria rendimento líquido de cerca de R$ 11.600. São R$ 1.300 a mais de bandeja. Quanto mais for aplicado e quanto mais a pessoa diversificar em vários investimentos e fontes de renda, melhor.

No fim das contas, o objetivo do investimento para aposentadoria é produzir uma renda passiva e um acúmulo de capital. Ninguém melhor para fazer isso do que você mesmo.


Delação da JBS é de grau 9 na escala de terremotos políticos
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Gesner Oliveira

O impacto da delação da JBS é 9 na escala Richter de terremotos políticos. Até agora o mais forte dos choques sísmicos. O efeito de curto prazo é fortíssimo. A apreensão dos investidores é grande. Mas é cedo para prever os efeitos de médio prazo. Tudo dependerá da capacidade de reação e comunicação do governo, bem como a blindagem da política econômica. Para o bem do combate ao desemprego seria desejável descolar a economia da política.  O Brasil só volta a crescer se as reformas continuarem.

O governo havia anunciado há menos de uma semana os números de um ano do governo Temer. Os dados mostravam, do ponto de vista econômico, um relativo sucesso.  O índice Bovespa tinha saído de 53 mil, quando Temer assumiu, para 67 mil. A taxa de juros básica da economia (Selic) iniciada em seu governo era de 14,25%, contra os atuais 11,25%. A confiança dos empresários também subiu e a inflação despencou de elevados 9,3% para 4,1%. O mercado parecia estar em harmonia com os rumos do país. Mas, antes mesmo da festa terminar, a delação da JBS jogou um balde de água fria.

A expectativa de que a economia estava se recuperando fica para trás. Diante das denúncias que foram lançadas é natural que haja muita incerteza e dúvida em relação à continuidade da política econômica e das reformas iniciadas. Entre os principais efeitos no curto prazo: diminuição no ritmo de queda da taxa de juros que vinha ocorrendo de forma rápida, aumento do risco país e o principal impacto no mercado de trabalho que começava a mostrar os primeiros sinais de recuperação.

Pelo momento, o governo diminui sensivelmente a sua capacidade de continuar com a agenda reformista. As reformas inevitavelmente vão sofrer atrasos e tem um risco maior de não serem aprovadas. Mas seria prematuro concluir que a reforma da Previdência está morta.

Qualquer que seja a solução encontrada para estancar a sangria política, é fundamental que ela seja resolvida da maneira mais rápida e suave possível. Ao mesmo tempo, é necessário blindar a economia do país. As investigações devem continuar – sem dúvidas – mas o mais importante é garantir o descolamento que separe a turbulência política e a política econômica de ajuste que é tão fundamental para diminuir o desemprego e levar novamente a economia para o crescimento. 14 milhões de desempregados não aguentam mais esperar essa indefinição política.


Aposentado também quer trabalhar
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Gesner Oliveira

A imagem do aposentado de pijama, arrastando o chinelo em casa é coisa do passado. Atualmente as pessoas vivem mais e querem um sentido maior para sua vida que passa pelo trabalho. Mas o mercado está fechado para as pessoas da terceira idade e a legislação as ignora, condenando-as à informalidade.

Isso não diminui a importância de uma aposentadoria digna que sirva como proteção. Mas é legitimo querer mais e uma das formas é através do trabalho honesto e formal. Isso permite complementar a renda e buscar mais qualidade de vida.

Hoje no Brasil a proporção da população com 60 anos ou mais é de 12,1%. Em 2050 essa parcela saltará para quase um terço do total. Mesmo que aposentados, os idosos terão que participar cada vez mais do mercado de trabalho. Seja porque não haverá jovens em quantidade suficiente, seja porque os idosos desejarão se ocupar com atividades produtivas.

O mercado de trabalho já tem dado sinais de mudança. No ano passado, a única faixa etária da população ocupada que cresceu foi a com mais de 59 anos, com alta de 1,1% em relação a 2015. O número de jovens de 14 a 24 anos ocupados, por exemplo, recuou 8,4%. Pesquisa recente do Sebrae também é ilustrativa: 47% dos donos de pequenos negócios no Brasil estão mais focados em tocar suas empresas sem planos de aposentar.

Ocorre que a ultrapassada CLT ignora essa parcela crescente da população. Por um lado, as empresas não têm incentivos a contratar idosos por insegurança jurídica ou por mera discriminação. Por outro, os trabalhos disponíveis não satisfazem os idosos, que normalmente buscam jornadas de trabalho menores e mais flexíveis. O resultado é um nível de informalidade maior do que nas demais faixas etárias.

Um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), elaborado pelos professores Hélio Zylberstajn e Nelson Mannrich, propõe a criação do RETA (Regime Especial de Trabalho do Aposentado). A ideia é tornar a contratação de idosos por empresas mais atraente através da simplificação da legislação e da isenção de contribuições sociais sobre o salário do idoso.

O RETA está no espírito da reforma trabalhista e pretende adaptar as normas atuais a uma nova realidade de envelhecimento da população. O regime, explicado em mais detalhes no site do Instituto de Longevidade, apenas tira do papel aspectos importantes já previstos no Estatuto do Idoso.

Há quem tema a precarização do trabalho do idoso, mas isso não faz o menor sentido. A legislação atual é que condena o idoso à informalidade, sem qualquer proteção ou benefícios. Um regime especial daria pela primeira vez a essa parcela da população a oportunidade de poder trabalhar com segurança.

Quem acha que o aposentado tem que ficar parado em casa deveria atentar para alguns números. Você sabia que nada menos do que 2.300 ‘velhinhos” correram a última São Silvestre? Você assistiu o Robert de Niro estagiando ao lado da Anne Hathaway no filme “Um Senhor Estagiário”? Pois é, o mundo do trabalho mudou e uma parcela preciosa do capital humano do país quer legitimamente participar dele.


Temer tirou economia do precipício
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Gesner Oliveira

Em doze meses, pouco mais de três dos quais como interino, o Governo Temer fez mais em matéria de política econômica do que a maioria dos governos da República. A economia brasileira caminhava para o precipício no início do ano de 2016 e hoje dá os primeiros sinais de vida.

A vitória contra a inflação foi o maior êxito do Governo Temer. De uma taxa superior de 10%, a inflação anual caiu para cerca de 4%, pela primeira vez abaixo da meta, depois de 7 anos. A maior virtude, aliás, foi o mercado voltar a acreditar que existe uma meta de inflação e – pasmem – é pra valer!

A crise provocada por vários fatores, mas em grande medida pela sucessão de erros dos Governos Lula e Dilma, cobrou caro em termos de sacrifício dos trabalhadores. A taxa de desemprego cresceu e ainda deve subir até o terceiro trimestre deste ano.

A economia voltou a crescer neste primeiro trimestre depois de oito trimestres consecutivos de queda, na maior crise econômica da história do país. Os balanços de várias empresas começaram a sair do vermelho.

Popularidade e ajuste da economia não andaram juntos. A bolsa subiu, o dólar e os juros básicos caíram, mas a popularidade despencou.

O maior ativo do Governo Temer é sua capacidade de encaminhar a agenda de ajuste da economia no Congresso. Assim, contrariando a aposta da maioria dos analistas, a PEC do teto de gastos foi aprovada, colocando uma primeira trava nos gastos públicos desenfreados dos governos anteriores.

O trabalho não está completo. A bomba relógio da previdência continua ativada para implodir as contas públicas. A crueldade de um sistema injusto só aumenta a desigualdade de renda. Até agora o governo tem dado sinais de combater, na medida do possível, o corporativismo, aumentando a chance de uma reforma razoável.

Mas a oposição é fortíssima daqueles que não querem nenhum ajuste por razões políticas, ou porque não acreditam no capitalismo, ou porque almejam o poder a qualquer custo e não hesitam em mudar de posição ao sabor das conveniências políticas; daqueles que desejam o ajuste para sanear as contas para o futuro, mas preferem passar a conta para o atual governo; e daqueles que não querem de forma nenhuma abrir mão de privilégios indefensáveis. Em geral, os mais fervorosos são aqueles que se enquadram simultaneamente em várias das alternativas anteriores.

Premido pelas circunstâncias, o Governo Temer se lançou na agenda reformista. Assim, depois de anos de paralisia, avança uma reforma trabalhista que finalmente liquida a estrutura fascista montada sob a ditadura Vargas e que engessa até hoje as relações de trabalho no Brasil. 14 milhões de desempregados, 10 milhões de trabalhadores que fazem trabalho remoto, mais de 10 milhões de  subempregados agradecem terem sido lembrados pela primeira vez. Se a reforma passar e “pegar”, há uma chance do Brasil deixar de ser um país campeão de ações trabalhistas com cerca de três milhões de ações por ano.

Ganham as empresas, os trabalhadores e a economia como um todo. Perdem, naturalmente, aqueles que vivem desta indústria de ações trabalhista. Ganham os micro, pequenos e médios empresários que respondem pela maior parte do emprego no Brasil.

O Governo Temer foi rápido ao lançar no primeiro dia o programa de parcerias e investimentos (PPI). A infraestrutura é a principal fronteira de expansão para uma retomada da economia. E não há como investir em ferrovias, estradas, portos e vários outros segmentos sem mobilizar o capital privado. A implementação do PPI não foi tão ágil quanto se esperava, mas começa a sair do papel com o sucesso dos leilões dos aeroportos e energia elétrica. O fim da obrigatoriedade pela Petrobrás da exploração do pré-sal e a prioridade dada ao saneamento também são positivas para o investimento.

Houve melhora na governança das estatais. A Petrobrás está virando o jogo. Reverteu um prejuízo para um lucro de R$ 4,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano e melhorou a classificação de risco. A aprovação da nova lei das estatais já está melhorando a governança de empresas de vários setores.  Uma empresa tão importante quanto a Vale, que não é estatal, mas na qual o governo tem influência na escolha do comando, teve novo presidente com comprovada experiência e excelência técnica.

Em meio a tantas dificuldades e com tantas realizações, daria até para celebrar um ano de Governo Temer. Mas a situação ainda está tão grave que não há clima para festa.


Cobrar dívidas da previdência resolve problema do rombo por apenas 2 anos
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Gesner Oliveira

Um dos principais argumentos daqueles que se colocam contra a reforma da previdência é o de que a cobrança dos devedores já seria suficiente para cobrir o rombo existente. Dessa forma, não seria o trabalhador, mais uma vez, que precisaria pagar a conta deste imenso déficit. Verdade? Não! Este é mais um dos argumentos que estamos desmistificando ao longo de uma série de artigos.

A dívida previdenciária, atualmente, é de R$ 433 bilhões. O rombo da previdência em 2017 será aproximadamente R$ 189 bilhões e de R$ 202 bilhões em 2018. Ou seja, mesmo que fosse paga toda essa dívida, o problema seria resolvido por no máximo dois anos. Uma vez feita a cobrança da dívida, não haveria mais recursos para cobrir os déficits dos anos seguintes, que continuaria existindo.

Mas este cenário de cobrança total da dívida também não existe. A realidade é ainda pior. Dos R$ 433 bilhões em dívida ativa previdenciária, R$ 251 bilhões são de baixíssima recuperação, ou seja, de empresas falidas ou sem patrimônio. É como cobrar algo de uma pessoa que perdeu o emprego ou não tem nenhum bem material.

Sobram, portanto, R$ 182 bilhões passíveis de recuperação. Desse restante, R$ 52 bilhões já estão sendo de fato pagos. Os outros 130 bilhões estão em cobrança com potencial de recuperação. Dessa forma, mesmo que esse valor fosse recuperado automaticamente, não cobriria sequer o déficit previsto para este ano de 2017, que é de R$ 189 bilhões.

Outro argumento é que o Governo sequer cobra os devedores da previdência. Como já falado, R$ 52 bilhões já estão sendo de fato pagos e 130 bilhões estão em cobrança. A grande questão é que a cobrança leva tempo, pois segue os procedimentos necessários. Há um custo elevado para que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) promova execuções fiscais. O tempo de recuperação das dívidas médio é de quase 10 anos e chance de recuperação do valor integral de 25%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Além disso, a PGFN – órgão responsável por representar o governo na cobrança de suas dívidas – tem aperfeiçoado seus mecanismos e estratégias de cobrança, para elevar o percentual recuperado. Recentemente, houve a criação de um mecanismo para publicar na internet a lista de devedores. A publicação expõe o devedor, que passa a ter maior interesse de sair dessa lista negativa, além de incentivar o controle social.

Há grandes empresas que não pagam o que devem à previdência, isso é verdade. Parte dos débitos das empresas em atividade, porém, ou já foi renegociado e parcelado ou decorre de discussão judicial. A cobrança da dívida é importante e está sendo feita, mas não elimina a necessidade de reforma. Mesmo que toda a dívida cobrada fosse recuperada, isso não resolveria o desequilíbrio nas contas da previdência. É como querer vender um carro para pagar as contas de alguém que vive se endividando: resolve por um tempo apenas, mas o problema continua lá.


Briga é entre quem se pendura no Estado e quem quer trabalhar livremente
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Gesner Oliveira

Dizer que o que está em jogo na reforma trabalhista são os interesses do patrão contra o do trabalhador é uma mentira. Conversa de quem só olha para seu próprio umbigo e não quer ver o país voltar a crescer e gerar empregos. A briga é entre o Brasil corporativista e o empreendedor. É entre quem se pendura no Estado e entre os que querem trabalhar livremente.

A reforma é um jogo de ganha-ganha. Traz benefícios tanto para os trabalhadores como para os patrões. Parece muito razoável que o acordo entre ambos, nas circunstâncias de cada trabalho, prevaleça sobre uma norma geral. Que o banco de horas possa ser negociado individualmente ou que o trabalhador tenha mais liberdade para definir suas próprias férias.

Hoje a arcaica CLT protege menos de 40% dos trabalhadores brasileiros. Todo o restante, que inclui quem trabalha por conta-própria, o trabalho informal e outros tipos de ocupação, são completamente ignorados por aqueles que dizem defender o trabalhador. Quem presta serviços casuais, temporários, a distância, por projeto ou por tarefa e por prazo determinado não tem direito a férias, seguro-desemprego, 13º salário e descanso remunerado. Um completo absurdo.

O mercado de trabalho moderno requer cada vez mais flexibilidade, trabalhos sob demanda e contratos atípicos. Para que a legislação proteja a todos é fundamental que se adeque às mudanças na sociedade. Você prefere um trabalho fixo? Terá seus direitos e benefícios assegurados. Você prefere trabalhos pontuais, em horas específicas ou para diferentes empregadores? Terá tudo o que merece proporcional ao que trabalhou. Faz todo o sentido.

A insegurança do mercado informal e a falta de direitos de trabalhos por conta própria não prejudicam apenas os trabalhadores. Quem emprega também vive sob o véu da incerteza. As leis atuais oferecem duas escolhas: (i) contratar um trabalhador por prazo indeterminado para fazer uma tarefa pontual ou intermitente, um custo desnecessário e uma tremenda ineficiência; ou (ii) abrir um negócio ilegal com trabalhadores informais e viver com medo do seu negócio fechar. Obviamente é muito mais vantajoso pagar mais direitos e benefícios ao trabalhador e não ter dor de cabeça.

A briga da reforma trabalhista é outra. Os que são contra querem defender o seu e não o coletivo. São os que defendem que o trabalhador seja obrigado a pagar um dia do ano de seu salário para um sindicato que não necessariamente o representa. Os que querem garantir seus subsídios e benefícios sem qualquer contrapartida de resultado. Os que querem se proteger contra a competição externa e condenar o consumidor a produtos caros e de pior qualidade. Os que se penduram no Estado e vivem às custas do resto da população.

Contra esses, e a favor de reformas que modernizam as leis atuais, estão aqueles com espírito empreendedor. Não querem viver às custas do Estado, e sim o direito de trabalhar livremente, com os direitos que merecem. São os que suplicam por menos burocracias e intervencionismo, pois sabem que o que merecem deve depender apenas deles e de mais ninguém. São os que sabem que nada é de graça e que se tem poucos com benefícios de mais, tem muitos com benefícios de menos.

A briga entre patrão e trabalhador é uma grande mentira. A reforma beneficia a ambos. Basta analisar quem hoje é protegido pelas leis atuais. O que está em jogo é um conflito de interesses entre os que querem um Brasil parado no tempo e um Brasil moderno e empreendedor. Para o país voltar a crescer e gerar empregos, é fundamental que o segundo ganhe essa briga.


Consumidor pode se preparar para voltar às compras de imóveis
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Gesner Oliveira

Um dos maiores sonhos do brasileiro é a casa própria. Apesar disso, entre as pessoas que planejaram comprar um imóvel em 2015, 63% não realizaram este sonho. Fruto da maior crise econômica que vive o país. A crise gerou desemprego, reduziu o consumo e fez o brasileiro adiar diversos planos.

Quem olha para trás na economia brasileira vê uma estrada esburacada, um caminho nebuloso. Mas quem olha para frente enxerga um caminho melhor. A economia do país parece demonstrar os primeiros sinais de recuperação. Ainda pequenos, é verdade, porém parece haver um impulso no sentido de tempos melhores.

O preço dos imóveis é um desses sinais. Em 12 meses, o preço de venda dos imóveis acumula alta de 0,69%, valor abaixo da inflação estimada de 4,1%. Ou seja, descontada a inflação, o preço médio apresenta queda real de 3,3% nos últimos 12 meses, segundo o índice FipeZap. Após sofrer uma correção nos preços nos últimos meses, a retomada da economia e do consumo deve dar novo fôlego o valor de venda dos imóveis.

Não é preciso ter pressa, porém. Diante de muitas incertezas na economia, o mercado imobiliário ainda deve sentir a recessão de 2015 e 2016. No entanto, já é hora de o consumidor poder se preparar para voltar às compras. A era de queda nos preços pode estar ficando pra trás e uma nova dinâmica entrar em vigor.

Há um outro fator que beneficia o consumidor nos meses que virão: as taxas de juros. Depois da taxa de juros básica da economia (Selic) iniciar o ano em 13,75%, houve uma redução de 2,5 pp para 11,25%. A taxa Selic deve terminar o ano de 2017 em 8,5% e permanecer em 2018 próxima a esse nível, praticamente sem alteração. Taxas de juros menores significam que o crédito para o consumidor estará mais barato.

Em 2013 e 2014, a euforia no mercado imobiliário fez os preços subirem de maneira brusca. Os preços não refletiam a realidade da economia. Com a crise que o país está passando, houve uma correção nos preços que coloca os imóveis a níveis mais acessíveis. Este ambiente de preços mais modestos somados a um crédito mais barato forma um cenário propício para bons negócios no mercado imobiliário. Para quem esperou para comprar um imóvel – por vontade própria ou por obrigação –, está chegando a hora de realizar esse sonho.


Ser contra a reforma da previdência é incentivar a desigualdade no país
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Gesner Oliveira

A reforma da previdência cria mais desigualdades sociais e prejudica os mais pobres. É assim que muitos se posicionam contra esta importante reforma. A ideia é sedutora, mas basta olhar alguns números para ver que não se sustenta. Na verdade, a reforma da previdência beneficia justamente as classes mais baixas.

Embora possa parecer difícil de compreender, o modo como funciona a previdência no país é simples. De maneira resumida, uma massa de trabalhadores custeia aqueles que estão aposentados. Se as contribuições são maiores do que os saques, então há superávit. Se os saques são maiores que as contribuições então há déficit.

Em 2016, o déficit foi de R$ 149,7 bilhões. Em 2017 deve ser maior, aumentando para R$ 181 bilhões. Fácil de ver que, num contexto de crise econômica e de envelhecimento da população, o déficit das aposentadorias e das pensões representa o principal desafio para as contas públicas.

Vendo que a situação não deve melhorar, fica uma pergunta: quem financia este enorme gasto? Em um primeiro momento, o Tesouro Nacional. O Tesouro é o caixa do Governo, ou seja, o conjunto de praticamente tudo que o governo arrecada, leia-se, recursos que vêm dos impostos dos brasileiros. Portanto quem financia o rombo da previdência é o próprio brasileiro.

Quem paga mais impostos financia mais, quem paga menos impostos cobre menos esse rombo. Uma análise um pouco mais profunda mostra que os mais pobres são os responsáveis por financiar esse rombo proporcionalmente. De acordo com um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os dez por cento mais pobres da população pagam uma carga total equivalente a 32,8% da sua renda, enquanto os dez por cento mais ricos pagam apenas 22,7%. Assim, como o déficit da previdência é financiado via impostos, isso sai proporcionalmente mais do bolso das classes mais baixas.

Mas as injustiças vão além disso. O governo, todo ano deve cumprir uma regra de limite de gasto público. Com os gastos da previdência subindo, o governo, para cumprir tal regra, deverá cortar despesas de saúde, educação, segurança, assistência social e investimentos. Segundo o governo federal, em 2017 já foram cortados R$ 11 bilhões em investimentos em infraestrutura, R$ 6 bilhões em saúde e R$ 5 bilhões em educação para financiar a previdência.

Isso tem um significado: menos recursos para escolas, hospitais e programas sociais como Bolsa Família. Uma vez que são as classes mais baixas que fazem maior uso destes serviços públicos, são eles também os mais afetados.

É um equívoco afirmar que a reforma da previdência irá aumentar as desigualdades. A reforma quebra privilégios dos mais ricos e preserva os mais pobres, atacando justamente os principais fatores que geram a concentração de renda no gasto previdenciário. Caso a reforma não seja aprovada, o déficit crescente da Previdência irá consumir grande parte do orçamento nos próximos anos. Orçamento que poderia ser destinado a serviços que atendam à população mais carente. Outra alternativa seria aumentar ainda mais os impostos. Escolhendo uma ou outra saída, as classes baixas são as que mais vão sentir.


A recuperação é para valer ou o brasileiro que é otimista?
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Gesner Oliveira

De acordo com pesquisa recente realizada pela Datafolha, o brasileiro está menos pessimista em relação à sua própria situação econômica e à do país. A boa notícia é que não se trata apenas de otimismo, a recuperação é para valer. A economia já vem dando sinais de recuperação há alguns meses e agora parece estar de fato batendo na porta das pessoas. Para o primeiro trimestre deste ano, a expectativa é de crescimento de 0,9%.

Se em dezembro do ano passado eram 41% os que pensavam que a economia iria de mal a pior, agora tal percentual caiu para 31%. A parcela daqueles que acham que a atividade econômica vai melhorar pulou de 28% para 31%. No nível individual, a pesquisa mostrou ainda um salto de 37% para 45% na porcentagem dos brasileiros que preveem uma melhora da sua situação financeira.

O otimismo moderado com a economia é justificado. Vários indicadores antecedentes da atividade reforçam essa percepção. Ontem, por exemplo, foram divulgados os dados da Fenabrave de vendas de veículos no mês de abril. Com os devidos ajustes de dias úteis, houve alta de 7,1% na comparação com o mesmo mês de 2016, o que é boa notícia para a indústria.

Também ligados ao setor industrial, na comparação do primeiro trimestre deste ano com o último de 2016, destacam-se resultados como o aumento do fluxo de veículos pesados nas estradas (2,5%), o aumento da utilização de capacidade instalada na indústria (1,4%) e o aumento da produção de veículos (1,2%). O forte crescimento de 6,1% da produção de papel ondulado reforça a expectativa de que a produção industrial deve crescer 1,6% na mesma base de comparação.

Os sinais positivos na economia não param por aí. Ontem foi divulgado a balança comercial brasileira de abril: superávit comercial de US$ 7 bilhões, o maior valor registrado para o mês desde o início da série em 1989. Para o ano de 2017, espera-se um saldo positivo recorde de US$ 60 bilhões, fruto de exportações de US$ 220 bilhões e importações de US$ 160 bilhões.

Índices de confiança têm refletido e ajudado no processo de retomada. Medida pela FGV, a confiança dos empresários na indústria teve alta de 4% no primeiro trimestre frente ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta passa para 16,6%. O resultado segue a mesma linha do índice de confiança dos consumidores, com alta de 6,8% na margem e 19,7% ante o primeiro trimestre de 2016.

A confiança da população surge com a percepção de que a situação está melhorando, mas também tem papel importante para fazer a roda da economia girar. O aumento do otimismo reflete em melhora na disposição de consumo e de investimento, com efeitos multiplicadores pela economia. A decisão por comprar aquela geladeira nova, por exemplo, mesmo que de forma parcelada, traz consigo outros serviços e acaba mantendo toda a economia aquecida.

Diante desses, a expectativa é que não só a indústria apresente resultados positivos como também outros setores. Estima-se que o varejo tenha crescido em torno de 4% nos primeiros três meses do ano e que o setor de serviços, que ainda engatinha, apresente alta de 1,1%. Para o PIB do trimestre, a projeção é de alta de 0,9% frente ao quarto trimestre do ano passado.

A manutenção do otimismo moderado, entretanto, depende do avanço de reformas, em particular a reforma da Previdência. É como parar no pit stop na Fórmula 1. Pode ser custoso, mas é fundamental para garantir uma corrida segura por mais algumas voltas. A maior crise da história brasileira não caiu do céu, ocorreu por um acúmulo de erros de política que agora necessitam de ajustes.

Portanto, os indicadores econômicos mostram que a recuperação é para valer. Mas se durará muito tempo ou se terá intensidade só o avanço das reformas para confirmar.