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Blog do Gesner Oliveira

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Enquanto a reforma não vem, a economia perde ritmo

Gesner Oliveira

2003-05-20T19:11:50

03/05/2019 11h50

A queda da produção industrial brasileira em março foi além do esperado pelo mercado e causa preocupação em relação a um segmento importante para a geração de empregos.

Mais do que isso, leva à reflexão de como é importante para um país em reformas mostrar resultados em um prazo minimamente aceitável para a sociedade.

Assim como no futebol, o ajuste de uma economia não gera resultados no curto prazo. Mas quando o time começa a perder jogos e títulos, há risco de a torcida exigir a saída do técnico antes de o trabalho frutificar.

Embora o pessimismo de alguns analistas seja exagerado, a economia não anda bem. Ainda não foi revertida a rota da desindustrialização.

A produção industrial caiu 1,3% em março, pior resultado desde setembro. Na comparação com março do ano passado, a queda foi de 6,1%, segundo o IBGE. A indústria brasileira segue 17,6% abaixo de seu ponto mais alto, alcançado em maio de 2011.

A expectativa pela reforma da previdência deixa tudo em compasso de espera. Tem gente adiando casamento para quando o Congresso votar a proposta do governo. Enquanto isso, a economia perde ritmo.

E o cenário regional não ajuda. O presidente Bolsonaro tem razão em se preocupar com a Argentina. O país vizinho, que é o terceiro maior cliente para os produtos brasileiros, entrou em nova crise.

A falta de bons resultados do governo Macri ressuscitou a candidatura de Cristina Kirchner e representa ameaça de recaída no mesmo populismo que arrebentou aquele país.

O exemplo argentino é importante para mostrar o risco de não aproveitar as oportunidades de reforma. Maurício Macri teve a chance, mas não fez. Ou fez pela metade. O resultado está aí: crise e risco de volta do populismo. É importante que governo e sociedade no Brasil evitem a rota argentina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.