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Blog do Gesner Oliveira

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Brasil desperdiça 38% da água produzida, diz estudo

Gesner Oliveira

2005-06-20T19:17:26

05/06/2019 17h26

Os números sobre perda de água no Brasil são obscenos: segundo estudo do Instituto Trata Brasil, o país perde, em média, 38% da água potável produzida. O maior manancial do país é a nossa incompetência. Nada poderia gerar mais água do que um choque de eficiência no setor de saneamento.

Quem já não viu a água vazar pela rua? Estas são as perdas físicas. Decorrem de tubulações antigas, falta de planejamento urbano e oscilações da pressão na rede.

A perda comercial talvez seja menos conhecida. Muita gente acha que gato não gosta de água, mas existe "gato" hídrico! (trocar a exclamação por ponto final). Infelizmente, há muito furto na rede, e quem paga é a população. Não só porque o custo da perda vai para a tarifa paga por todos, mas porque muitas vezes as ligações clandestinas causam contaminação pela mistura com o esgoto.

Segundo o estudo do Trata Brasil, vazamentos e "gatos" fazem oito estados perderem pelo menos metade da água que produzem. A água perdida no Brasil seria suficiente para encher cerca de 7.000 piscinas olímpicas por dia, ou abastecer 30% da população.

O custo é astronômico: foram R$ 11,3 bilhões em 2017, algo superior ao total de investimento em água e esgoto no mesmo ano.

A experiência internacional sugere um intervalo de perdas de água entre 10% e 15% como algo tecnicamente aceitável e economicamente justificável. A perda zero é, na maioria das vezes, antieconômica. No Dia do Meio Ambiente, o Brasil precisa agir rápido para proteger o recurso mais valioso do planeta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.