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Blog do Gesner Oliveira

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Recuperação industrial continua, mas só avança com ajuste

Gesner Oliveira

02/04/2019 19h18

A indústria brasileira prossegue em seu comportamento pendular. Em fevereiro, a produção industrial cresceu 0,7% no país em relação a janeiro e anulou queda de magnitude similar registrada no mês anterior.

Na comparação com fevereiro do ano passado, a produção cresceu 2% e interrompeu três meses consecutivos de taxas negativas. Mas lembre-se que o  Carnaval caiu em março, e fevereiro teve mais dois dias úteis em 2019, relativamente a fevereiro de 2018.

Se o comportamento mensal foi bom, a dinâmica não é tanto. Em 12 meses, a produção fabril brasileira aumentou apenas 0,5%. O indicador vem mergulhando de forma contínua desde julho do ano passado, quando estava em 3,3%.

Mas há aspectos positivos. A produção de bens de capital subiu 4,6% sobre janeiro. Isso pode significar alguma aposta das empresas em novos investimentos. Vale lembrar que bens de capital foi a categoria que jogou para baixo a indústria no final de 2018.

No extremo negativo, a tragédia de Brumadinho, que paralisou boa parte da extração de minério no país, jogou a produção da indústria extrativa para baixo: a queda de 14,8% em relação ao mês de janeiro é a maior desde 2002.

Não é novidade o enorme desafio que a indústria brasileira enfrenta. O setor acumula baixa de 12% desde que o país se deparou com a recessão industrial em 2014-16. O atual nível de produção é o mesmo do primeiro trimestre de 2009. Lá se vai uma década perdida mais uma. A expectativa é de que a indústria cresça 3% em 2019.

Quanto mais tempo for perdido na aprovação das alterações constitucionais no Congresso, mais tempo será necessário para que o setor faça o indispensável: investimento e inovação. O país tem pressa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.