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O que a queda de juros muda na sua vida?
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Gesner Oliveira

A decisão sobre a taxa de juros parece algo distante, mas afeta a sua vida em várias dimensões. A sua chance de manter ou conseguir um emprego, o crescimento da dívida que você tem com o banco e o ganho de suas aplicações financeiras são todos afetados pelos movimentos desta taxa de nome estranho, a Selic.

A Selic ou Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é a taxa básica de juros da economia, que acaba de retornar ao patamar mais baixo em quatro anos, caindo de 10,25% para 9,25% ao ano.

A taxa serve como parâmetro para os bancos na precificação do crédito e é usada como instrumento de controle da inflação. Quando os preços estão subindo a um ritmo superior à meta estabelecida, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a taxa Selic. No sentido contrário, como ocorre agora, quando o ritmo de aumento dos preços está diminuindo, a autoridade monetária pode reduzir a Selic.

A taxa Selic foi reduzida de 10,25% para 9,25% ao ano, a primeira vez que retorna a um dígito desde outubro de 2013. Esta redução tem três consequências principais na sua vida.

Em primeiro lugar, sua chance de manter ou conseguir um emprego aumenta. Isso porque a redução dos juros reforça a recuperação da produção, criando mais postos de trabalho.

Em segundo lugar, a taxa de empréstimo do dinheiro que você toma tende a diminuir. Infelizmente, essa redução é pequena e muitas vezes quase imperceptível. A diferença entre a taxa Selic e a taxa de empréstimo para pessoa física é enorme. Por exemplo, a Selic caiu para 9,25% e a taxa média de juros do crédito de recursos livres para pessoas físicas está em cerca de 63% ao ano.

Em terceiro lugar, suas aplicações em renda fixa vão render um pouco menos, porque estes investimentos têm como referência direta ou indireta a taxa Selic. Continuarão, contudo, mais atraentes que a tradicional caderneta de poupança. Mas, para aqueles com maior apetite para risco, talvez valha a pena considerar as alternativas do mercado de ações, que se enquadram naquilo que se denomina renda variável.

Por fim, fica a pergunta: a taxa de juros vai continuar baixa nos próximos anos ou é mais uma alegria que dura pouco, como ocorreu no governo Dilma? Em contraste com a redução da taxa de juros por decreto em 2011/12, as últimas decisões do Copom têm bons fundamentos. A inflação anda bem-comportada no curto prazo. O grande desafio, no entanto, será garantir juros e inflação civilizados em bases permanentes, o que exigirá arrumar as contas públicas para valer. Ainda estamos longe disso.


Para os juros continuarem caindo, setor público deve parar de se endividar
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Gesner Oliveira

O aumento dos preços dos combustíveis na bomba não irá comprometer a queda dos juros no curto prazo. Apesar do impacto esperado de até 0,53 ponto percentual na inflação, a queda dos preços nos últimos meses ainda deixou espaço para uma redução de 1 ponto percentual da Selic, a taxa básica de juros da economia. Pela primeira vez em quatro anos, espera-se uma taxa de juros abaixo dos dois dígitos, o que tende a estimular o consumo pelas empresas e famílias.

No índice de inflação, há um grupo que segue os preços dos transportes. Quando aumentam os preços dos combustíveis, aumenta a inflação. Dentre os diferentes combustíveis, a gasolina é a com o maior peso no índice e foi a que teve o maior reajuste nas alíquotas (11,78%). Por isso, será responsável pelo maior impacto, de 0,44 ponto percentual. A expectativa do mercado para a inflação no final do ano deve caminhar para a casa dos 3,5% a 3,6%, bem menor que os quase 11% atingido em 2015.

Mas ainda há espaço para a queda dos juros. Em primeiro lugar, o nível de ociosidade na economia é muito alto, tanto de capital, como de trabalho. Em segundo, o preço do dólar já voltou aos patamares anteriores à delação da JBS.  Terceiro, a safra agrícola recorde pressiona os preços dos alimentos para baixo.

Assim, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na próxima reunião nesta quarta-feira, deve reduzir a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 9,25% ao ano. Será a primeira vez desde 2013 que a taxa não fica em apenas um dígito. Até o final do ano, a inflação não deve ser um problema para o comitê e, assim, espera-se que a taxa chegue a 8% ao ano até o final do ano.

Essa é uma boa notícia para as empresas e famílias. O corte nos juros é um estímulo à recuperação do consumo e investimento. A economia mais aquecida ajuda a recuperar o mercado de trabalho, que ainda aflige cerca de 14 milhões de brasileiros.

Contudo, o que irá garantir a queda dos juros no longo prazo é a saúde das contas públicas. Quanto mais o setor público se endivida, menor sua credibilidade como bom pagador e maior o retorno exigido para emprestar para o governo.  Ou seja, sobem os juros.

A dívida pública mobiliária federal (DPF), isto é, a soma das dívidas de todos os órgãos do Estado brasileiro, incluindo o Governo Federal, Estados, Municípios e empresas estatais, atingiu R$ 3,357 trilhões no mês de junho. Uma alta de 3,22% em relação ao mês de maio e de 7,86% no primeiro semestre.

Tal dívida representa hoje cerca de 72,5% da dívida total do setor público. O restante corresponde às chamadas operações compromissadas que o Banco Central faz com o mercado financeiro (25,2%) e dívidas bancárias e externas de Estados e municípios (2,3%).

Outros países emergentes tem uma dívida menor como proporção do PIB: 17,1% na Rússia, 49,4% na Argentina e 49,3% na China.

A dívida pública brasileira não só se encontra em patamar elevado como está em trajetória de crescimento muito acelerada. A expectativa é que chegue a cerca de 90% em meados da próxima década, entre 2022 e 2023.

A queda dos juros só é uma boa notícia se for sustentável. Assim, o maior desafio da economia brasileira não é reduzir os juros no curto prazo. Mas sim, criar condições para que a queda da taxa de juros seja permanente, e se aprofunde ainda mais no médio prazo. Para isso é fundamental o setor público deixar de ser um potencial caloteiro, isto é, estancar a explosão de endividamento. Para que isso ocorra, não se pode abrir mão da reforma da previdência.


O que muda no seu bolso com o ataque à Síria?
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Gesner Oliveira

O lançamento de 59 Tomahawks contra uma base aérea Síria pegou o mundo de surpresa. De imediato o preço do petróleo subiu, assim como o ouro, reflexo do comportamento dos investidores que buscavam ativos mais seguros. As bolsas passaram a operar no vermelho sugerindo cautela. Além dessas reações momentâneas, qual o impacto deste ataque no seu dia a dia?

Um dos impactos pode ser na taxa de juro que nada mais é do que o custo do dinheiro. O Banco Central vem reduzindo a taxa Selic que é a taxa básica de juros da economia. Em setembro de 2016, a Selic estava em 14,25%; transcorridos seis meses, houve uma redução de dois pontos percentuais, levando a taxa para 12,25%. A projeção é que a taxa continue caindo e chegue ao final de 2017 em 8,75%.

Mas esta queda depende de alguns fatores. Um deles é que o cenário externo não apresente grandes reviravoltas. Com um cenário externo incerto, o preço do petróleo pode ter uma alta inesperada e investidores evitando correr para o dólar, elevando seu preço nas moedas de países emergentes como o Brasil. Um aumento do preço do dólar em reais aliado à elevação do preço do petróleo tornaria os importados mais caros, aumentando o preço dos combustíveis no país e tornando o cenário de queda da inflação mais difícil.

No entanto, até agora é razoável supor que a crise da Síria ainda continua localizada. Por enquanto, não há porque esperar forte impacto negativo sobre as bolsas, tampouco sobre as moedas. Os eventos recentes não alteram a projeção de continuidade de redução da taxa de juros. Na reunião do Copom a ser realizada dia 12 de abril para definir a nova taxa de juros, a previsão ainda é de queda de 1 pp., levando a nova taxa para 11,25%. Menos mal para o consumidor que que já paga juros elevadíssimos.

Mas uma coisa é certa: o mundo está mais incerto. E, portanto, sujeito a crises frequentes que alteram os principais preços para as economias nacionais. Uma escalada da guerra da Síria que leve a uma fuga em direção ao dólar poderia obrigar uma nova elevação dos juros, abortando a frágil recuperação da economia brasileira. Neste cenário, persistiria o elevado desemprego que atualmente atinge 13,5 milhões de pessoas.

Na era da globalização, qualquer conflito mesmo que do outro lado do planeta pode afetar o poder de compra de seu salário, sua poupança financeira e até mesmo o seu emprego.


Inflação em queda. Juros menores para os consumidores?
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Gesner Oliveira

A queda da inflação é sempre uma boa notícia para o consumidor. Segundo o IBGE, o indicador oficial de inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), saiu de 0,38% em janeiro para 0,33% fevereiro, mostrando uma leve desaceleração. É a taxa mais baixa para o mês desde 2000.

No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 4,76%, seguindo na sua trajetória de queda e se aproximando da meta estipulada pelo Banco Central de 4,5%. Desde junho de 2012, é a primeira vez que o acumulado de 12 meses fica abaixo de 5%. No ano passado, a inflação oficial no Brasil foi de 6,29%, dentro do limite máximo da meta.

O grupo de educação foi o que apresentou maior variação, com alta de 5,04%. Por outro lado, alimentação e bebidas apresentaram deflação (inflação negativa) de 0,45%. A variação positiva do grupo educação reflete os reajustes feitos geralmente no início do ano nas mensalidades escolares. O grande alívio veio dos alimentos em virtude da boa safra agrícola.

A queda da inflação afeta a vida econômica das pessoas de várias maneiras. Destaquem-se duas delas. A primeira é aumentando o poder de compra das pessoas. Em um cenário de inflação alta, como em 2015 onde a inflação terminou o ano em 10,67%, as pessoas compram menos bens e produtos com o mesmo salário. No sentido oposto, em um cenário de baixa inflação, não há essa perda do poder de compra. Ao que tudo indica, é nesse sentido que o país começa a caminhar.

A segunda maneira reflete como a queda da inflação tem outros reflexos na economia. O atual cenário é de inflação do centro da meta de 4,5%, câmbio relativamente apreciado entre R$ 3,10 e R$ 3,30 e relativo avanço na reforma da previdência. Essa combinação abre espaço para que o Banco Central reduza em 1 ponto percentual os juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM). A taxa de juros básica da economia (Selic) atual é 12,25%.

Dessa maneira, a queda da Selic possibilitaria a redução das taxas de juros que chegam ao consumidor, que, embora sejam muito diferentes da atual taxa Selic, apresentam certa relação. Entre diversos exemplos, a taxa do cheque especial está em 328% aa. e a  taxa média de juros do crédito pessoal 141% aa. Uma Selic menor contribui para que os juros que chegam ao consumidor também sejam menores.

Ao que tudo indica, o cenário caminha para uma inflação no centro da meta em 2017, próxima dos 4,5% e com isso juros menores para os consumidores. Apesar disso, há pontos sensíveis como o avanço das reformas no congresso, que não são triviais de serem aprovadas e podem mudar de uma hora para outra. Embora o cenário esteja melhorando, é necessário cautela para não se comemorar cedo demais.


Traduzindo o Copomês: como a ata do Copom afeta suas finanças
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Gesner Oliveira

O Banco Central divulgou hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 28 de fevereiro e 1° de março. Nesta reunião o Copom decidiu reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual (“pp”), passando de 13% para 12,25% ao ano.

A cada 45 dias, em média, acontece a reunião do Copom que define a taxa básica de juros da economia (Selic). E a cada 45 dias o Copom libera a ata da sua reunião recheado de termos econômicos, em Copomês. Para quem não é familiarizado com os termos, entender a ata é quase uma prova de interpretação de texto. Embora seja cheio de termos técnicos, é importante saber o que diz a ata, pois o documento sinaliza como o Banco Central deve alterar a taxa básica de juros da economia, fato que tem impacto no bolso do brasileiro diariamente.

A ata da última reunião envia a seguinte mensagem: o Copom abre possibilidade para corte de 1 pp na próxima reunião, apesar de não se comprometer. Com isso, a taxa que está em 12,25% aa tem grande chance de ir para 11,25% na próxima reunião que acontecerá nos dias 11 e 12 de abril. Será a menor taxa desde outubro de 2014. Esta mensagem está no seguinte trecho:

“O Copom ressalta que uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo, mas, também, da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação”.

Percebeu o Copomês? O documento reforçou alguns pontos já levantados no comunicado pós-reunião. Segundo a ata, há sinais mistos para o comportamento da atividade econômica e uma perspectiva de retomada gradual, conforme o trecho:

“A evidência sugere uma retomada gradual da atividade econômica ao longo de 2017. A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego”.

Além disso, o processo de desinflação está difundido pela economia o que significa que não é exclusivo da queda de preço de alguns itens específicos, mas de um conjunto amplo de produtos.

A ata ainda traz a projeção de inflação para 2017 e 2018. No cenário de mercado (taxa Selic e câmbio de acordo com o boletim Focus), a inflação ficaria em 4,2% e 4,5%, respectivamente. No cenário de referência (taxa Selic e câmbio constantes) a projeção é de 3,8% e 3,3%, na mesma ordem. Ambos os cenários mostram uma inflação abaixo da meta de 4,5%.

Mas o que mais é necessário para o Banco Central reduzir a taxa Selic em 1 pp já na próxima reunião?

Segundo o Copom, as reformas econômicas propostas pelo governo são capazes de reduzir a taxa estrutural de juros da economia e, portanto, é uma condição necessária para isso. A taxa estrutural de juros é aquela que gera crescimento econômico sem causar pressão inflacionária.

Outro ponto é que persistam a alta ociosidade dos fatores de produção, inflação em queda e as expectativas de inflação bem comportadas.

Por fim, os membros do Copom preferiram deixar em aberta a decisão para a próxima reunião, e que esta dependerá do cenário econômico. Não quiseram se comprometer com um corte mais forte de juros na próxima reunião, mas caso o ambiente econômico continue favorável, em especial, com o dólar se aproximando dos R$ 3,00, o órgão deve intensificar o ritmo e reduzir a Selic em 1 pp.

Se isso ocorrer a recuperação da economia tem mais condições de ganhar fôlego e, mais para frente, as oportunidades de emprego podem voltar. Esta é a esperança de todos brasileiros, versados ou não em Copomês.


Economia, política e seu bolso
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Gesner Oliveira

Um controle mais rígido dos gastos, o cenário de inflação baixa e a queda dos juros básicos da economia são indicadores que sugerem uma melhora da economia. Mas a política pode atrapalhar. A reforma da Previdência, peça essencial para o ajuste fiscal, promete uma aprovação mais difícil do que se chegou a imaginar há poucas semanas.

O primeiro mês da emenda constitucional de limite de gastos teve um resultado positivo, apresentando corte de despesas de 13,2% em termos reais. O governo central, que engloba o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, obteve, no primeiro mês de vigência da emenda constitucional que fixou o limite de incremento anual do gasto público, um superávit de R$ 19 bilhões.

O número é significativo, especialmente se comparado ao déficit de R$ 60 bilhões, verificado em dezembro, e ao superávit de R$ 14,8 bilhões de janeiro de 2016. Além disso, reforça a importância da reforma da Previdência para o ajuste fiscal. Apesar do superávit, os números mostram que o déficit do INSS continua elevado e chegou a R$ 13,37 bilhões no mês. Foi compensado por um bom desempenho do Tesouro e BC, com superávit de R$ 32,34 bilhões.

Um controle mais rígido dos gastos se soma a um cenário de inflação baixa e de queda dos juros básicos da economia. O corte de 0,75 ponto percentual na Selic, para 12,25% ao ano, na segunda reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), deve ajudar na recuperação prevista para este ano, de 0,5%. Com a desaceleração da inflação, a expectativa é de que a taxa básica chegue a 9,5% no final deste ano e a 9% no encerramento de 2018.

Se a economia melhorou, a política pode atrapalhar. Há um intenso trabalho do Planalto em tentar a aprovação da reforma da Previdência ainda no primeiro semestre, com uma votação inicial na Câmara do Deputados em meados de abril. Como indicado nas contas do governo central de janeiro, trata-se de peça chave para sanar o rombo nas contas públicas. Mas tudo indica que a aprovação será mais difícil do que se imaginava há poucas semanas.

De acordo com pesquisa preliminar liderada pelo cientista político Leonardo Barreto, com uma amostra de 200 deputados federais no início de fevereiro, não há consenso na Câmara dos Deputados capaz de garantir a aprovação das principais medidas da reforma apresentadas pelo governo. O levantamento mostra que nenhum dos principais pilares da reforma previdenciária, como tempo de contribuição e idade mínima, passarão fácil pelo Congresso.

Além disso, apenas 38% dos deputados entrevistados disseram concordar com a tese da Fazenda de que “apenas com a reforma da previdência será possível retomar o desenvolvimento econômico”. Consideradas em conjunto, a média de respostas que conferem prioridade alta às propostas do governo foi de apenas 20,5%.

Embora ainda seja cedo para ter uma visão mais precisa da posição dos deputados na votação da reforma, está claro que o relativo otimismo do governo e do mercado quanto à velocidade de aprovação da reforma pelo Congresso ainda não tem uma base sólida.

Tal fato, aliado ao licenciamento do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, com reconhecida capacidade de articulação e liderança, colocará novos desafios ao governo e poderá provocar volatilidade nos mercados nas próximas semanas.

Como isso afeta seu bolso? Prepare-se para certa instabilidade nas aplicações na Bolsa Valores e no preço do dólar.


Não houve surpresa na decisão do Copom
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Gesner Oliveira

A decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa primária de juros, a chamada Selic, de 13% para 12,25% ao ano, com uma redução de 0,75 ponto percentual, não surpreendeu o mercado. A expectativa da maioria dos analistas era a de que seria mantido o ritmo de redução, como de fato ocorreu.

Uma queda além do esperado no IPCA-15, índice de inflação divulgado hoje pelo IBGE, poderia constituir um fato novo que levasse a uma redução mais acentuada dos juros. O IPCA-15 confirmou a tendência de desaceleração da inflação, mas o resultado foi um pouco superior àquilo que o mercado esperava. Segundo o indicador, a inflação cresceu 0,54%, acima da mediana das expectativas do mercado, de 0,49%. Mesmo assim, trata-se da menor taxa para o mês de fevereiro desde 2012.

O comunicado do Copom não deixou claro se haverá ou não uma aceleração na queda da taxa de juros, mas permite concluir que este é um tema de discussão entre os membros daquele Conselho. O argumento foi de que uma aceleração do ritmo de queda depende da retomada econômica; de fatores de risco, em especial o cenário externo; e das projeções e expectativas para a inflação. A próxima reunião está marcada para os dias 11 e 12 de abril.

O modelo utilizado pelo Banco Central para determinar a taxa de juros é relativamente complexo e abrangente. Porém, nem toda a modelagem econométrica dispensa o bom senso e a intuição na hora de calibrar a taxa de juros. Na atual fase da economia brasileira, a recuperação da atividade e consequentemente dos milhões de empregos perdidos na crise dependerão, em grande medida, da verdadeira arte que é fazer política monetária.


Sem reforma da previdência não há ajuste fiscal
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Gesner Oliveira

Os deputados e senadores encontrarão, na volta do recesso, um cenário mais otimista para a economia em 2017. Os primeiros sinais de recuperação, aos poucos, começam a surgir. A produção industrial, que será divulgada esta semana pelo IBGE, deve mostrar a primeira alta depois de 33 quedas consecutivas na comparação anual.

A taxa básica de juros da economia, Selic, foi reduzida em 0,75 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM). Com isso, o Banco Central teve sucesso em uma importante e difícil tarefa: agradar tanto aos mercados, que estavam preocupados com a inflação elevada, e àqueles setores que desejam juros mais baixos para reativar a economia.

A convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% em 2017 permite vislumbrar a retomada do crescimento econômico no segundo semestre do ano. É razoável esperar que a Selic termine o ano abaixo dos dois dígitos, em 9,5%.

As circunstâncias do momento favorecem a agenda reformista do governo. Há uma leve sensação de otimismo no ar. Mas os desafios ainda são enormes e o ajuste das contas públicas é condição necessária para a recuperação da economia.

Esta semana foi divulgado o resultado das contas do governo para o ano de 2016 pelo Tesouro Nacional. Os números mostram uma situação ainda bastante preocupante devido à persistência do cenário de recessão na economia brasileira e a queda na arrecadação federal. As contas do governo tiveram forte piora em 2016 e registraram um rombo recorde de R$ 154,3 bilhões. Este déficit é equivalente a 2,4% do Produto Interno Bruto e significa que as despesas do governo federal no ano passado superaram as receitas (impostos e tributos) em R$ 154,25 bilhões.

Este valor, embora tenha vindo abaixo da meta de R$ 170,5 bi estipulada pelo governo, é o maior da história.

Em 2015, as contas do governo já tinham apresentado resultado ruim, com um déficit primário de R$ 114,9 bilhões. Em 2014, o rombo somou R$ 17,21 bilhões.

Mas de onde vem essa rápida deterioração das contas públicas? Da previdência social.

Somente o INSS foi responsável por um déficit de R$ 149,7 bilhões, ou seja, 97,0% do déficit primário total. Tanto a previdência urbana como rural foram deficitárias no ano, em R$ 46,3 bilhões e R$ 103,4 bilhões, respectivamente. E ilustram a importância da reforma da previdência para o processo de consolidação fiscal e consequentemente recuperação da economia brasileira. Em 2015 o déficit da previdência foi de R$ 85,81 bilhões em 2015, o que representou 75% do déficit total do governo. Para 2017, a expectativa do governo é de um novo crescimento no rombo do INSS. A previsão que consta no orçamento já aprovado pelo Congresso Nacional é de um resultado negativo de R$ 181,2 bilhões.

Diante deste cenário, uma conclusão é simples: sem reforma da previdência não há ajuste fiscal. Por isso, a equipe econômica de Michel Temer já encaminhou ao Congresso uma proposta de reforma das regras da Previdência Social. Entre as principais mudanças está a criação de idade mínima de aposentadoria de 65 anos, para homens e mulheres.

No futuro, o Governo Temer será avaliado pelo grau em que terá logrado encaminhar soluções para a crise, preparando o caminho para um ciclo de crescimento.


Redução da Selic de 0,75 p.p. foi acertada
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Gesner Oliveira

Foi anunciada há pouco a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic para 13,00% a.a., reduzindo a taxa primária de juros da economia em 0,75 ponto percentual (“p.p.”). A maioria do mercado esperava um corte de 0,5 p.p.

O Copom acertou. Era necessário sinalizar uma aceleração no ritmo de corte que até então vinha sendo feito em doses de 0,25 p.p.

O comunicado do órgão destacou que a atividade econômica ainda está muita fraca. Os índices de emprego e produção ainda estão em queda. O Copom também reconheceu que a inflação no curto prazo está abaixo do esperado e as expectativas de inflação próximas à meta de 4,5%.

Ressalte-se que o Copom avaliou que a eleição de Trump não gerou nenhum efeito forte na taxa de câmbio, que voltou a girar em torno de R$ 3,20. Na cifrada linguagem do Copomês, “…até o momento, os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados”. Leia-se, o Trump foi eleito, mas o mundo não acabou.

Por fim, o Copom reconheceu que o ajuste fiscal segue em ritmo mais rápido que o esperado. A   aprovação da PEC de limitação de gastos e o envio da reforma da previdência constituem os exemplos mais importantes.

Diante dessas evidências, o Copom decidiu, de forma correta, acelerar o ritmo de queda dos juros. E o mais importante é que o comunicado explicita que deve manter esse ritmo de queda de 0,75 p.p. nas próximas reuniões.

Diante de uma economia em frangalhos, acelerar a redução da taxa de juros tem diversos impactos na economia.

Quando o Banco Central diminui a taxa, todas as outras taxas tendem a cair, pois a taxa Selic serve como taxa básica de juros de referência para o mercado. Do lado das empresas, elas podem se financiar com juros menores e, portanto, podem, em princípio, investir mais. Do lado das famílias, os indivíduos podem obter mais créditos e passam a consumir mais. Com a demanda maior, as empresas passam a produzir mais, efeitos que aquecem a economia com efeitos multiplicadores.

Foi a maior redução da taxa básica de juros da economia desde de abril de 2012. Sinal promissor para 2017.

Veja na integra o comunicado do Copom

Copom reduz a taxa Selic para 13,00% ao ano

 

O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 13,00% a.a., sem viés.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente;

No âmbito externo, o cenário ainda é bastante incerto.  Entretanto, até o momento, os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados;

A inflação recente continuou mais favorável que o esperado. Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico;

A inflação acumulada no ano passado alcançou 6,3%, bem abaixo do esperado há poucos meses e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação estabelecido para 2016;

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 4,8% para 2017, e mantiveram-se ancoradas ao redor de 4,5% para 2018 e horizontes mais distantes;

As projeções condicionais do Copom também recuaram em relação às divulgadas no Relatório de Inflação passado, que foram baseadas no conjunto de informações disponíveis até 9 de dezembro de 2016. Dentre outros fatores, os recuos nas projeções foram influenciados por dados de inflação e atividade econômica divulgados desde então. As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente; e

Os passos no processo de encaminhamento e aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento.

O Comitê ressalta os seguintes riscos para o cenário básico para a inflação:

Por um lado, (i) o alto grau de incerteza no cenário externo pode dificultar o processo de desinflação; (ii) o processo de desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária requer atenção contínua; (iii) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia é longo e envolve incertezas;

Por outro lado, (iv) a atividade econômica mais fraca e o elevado nível de ociosidade na economia podem produzir desinflação mais rápida que a refletida nas projeções do Copom; (v) a inflação tem se mostrado mais favorável, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário; e (vi) o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia pode ocorrer de forma mais célere que o antecipado.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 13,00% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente crescente, de 2018, é compatível com intensificação da flexibilização monetária em curso.

O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião. Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização. A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco mencionados acima.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel


Hora de acelerar a redução dos juros
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Gesner Oliveira

 A primeira reunião do Copom de 2017 ocorre hoje e amanhã. Depois de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual nas duas últimas reuniões de 2016, a decisão é importante para sinalizar uma aceleração no corte de juros.

Por mais longínqua que pareça, a decisão do Copom afeta seu cotidiano.  Menos inflação significa maior poder de compra para as famílias e empresas, maior capacidade de previsibilidade dos preços, e um ambiente mais favorável para se planejar para o futuro. Além disso, o Banco Central poderá reduzir a taxa de juros e ajudar na recuperação da economia no curto prazo.  Juros menores significam menor custo para as famílias e empresas tomarem novos empréstimos ou conseguirem renegociar com taxas mais baixas de dívidas antigas. Juros menores estimulam as empresas a fazerem novos investimentos produtivos, e as famílias a adquirirem bens de consumo duráveis.

Uma coisa é saber o que o Banco Central vai fazer. Outra é o que seria recomendável que a autoridade monetária fizesse. A opção provável é de um corte de 0,50 p.p., levando a taxa Selic para 13,25% ao ano, patamar de abril de 2015. Mas o Banco Central deveria reduzir mais rápido: algo como uma redução de 0,75 p.p. já nesta reunião.

Vários fatores justificam esta aceleração na redução dos juros: a inflação desacelerou e as expectativas estão convergindo para a meta de 4,5% a.a.

Amanhã o IBGE divulgará o resultado final do IPCA de 2016. O mercado espera que o índice oficial de inflação suba cerca de 0,35% em dezembro e assim, encerre 2016 com alta de 6,35%, abaixo do teto da meta, de 6,5%.

A atividade econômica, por sua vez, segue muito fraca. Há elevada ociosidade tanto na capacidade instalada das empresas, e elevado desemprego. O crescimento da produção industrial de apenas 0,2% em novembro, frustrou o mercado, que esperava uma alta maior.  E no geral, os indicadores de atividade e emprego têm mostrado sido pouco animadores.

Um outro ponto a favor de uma maior redução da taxa Selic é o comportamento dos mercados. O dólar tem estado nos últimos dias perto de R$ 3,20. Próximo da taxa de R$ 3,17, registrada no dia anterior à eleição de Donald Trump nos EUA. Depois de um período turbulento inicial, os mercados acalmaram; e com a perspectiva de um crescimento econômico maior nos EUA nos próximos anos, os preços das commodities voltaram a subir, o que ajuda a explicar esta recente queda do dólar. Outro fator positivo que ajuda a conter a alta da inflação aqui dentro.

Por fim, e ainda que se quisesse mais, u dever de casa ainda por fazer. A PEC do teto de gastos foi aprovada no fim do ano passado e a reforma da previdência já foi encaminhada para o Congresso. Ambos acontecimentos ajudam a reduzir o temor sobre a sustentabilidade da dívida pública.

Uma atividade econômica ainda fraca; Inflação em desaceleração e com expectativas ancoradas; ajuste fiscal avançando no Congresso; nenhum grande choque nos mercados, em especial na taxa de câmbio, depois da eleição de Donald Trump geraram um cenário favorável para o Copom acelerar o corte da taxa Selic em pelo menos 0,50 ponto percentual, embora haja mais espaço para uma redução de 0,75 p.p.

A condução da política monetária exige enorme sensibilidade e talento. Ás vezes até maior do que na mais requintada gastronomia. A ver se o Banco Central não perde o ponto do açúcar.

Gesner Oliveira
Professor da EAESP-FGV e Sócio da GO Associados


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