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Queda dos juros ainda não aliviou o bolso do cidadão
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Gesner Oliveira

Todo mundo fala que os juros estão caindo, mas o cidadão ainda não sentiu grande diferença no bolso. Apesar da recente queda, os juros baixos ainda parecem estar muito longe do bolso do consumidor. A Selic, atualmente em 7,5%, estão muito longe dos 332% de juros do cartão de crédito, mostrando o elevado custo do crédito ainda no país.

O Banco Central divulgou as informações sobre o crédito do sistema financeiro, referentes ao mês de setembro. Os números divulgados reforçam o cenário de recuperação gradual do mercado de crédito voltado para as famílias, enquanto o crédito para as empresas segue mostrando números fracos.

O consumo está em recuperação. O investimento das empresas continua parado. Os saldos totais de crédito na carteira dos bancos corresponderam a R$ 3,1 trilhões no mês, queda real (excluindo a inflação) 4,4%, na comparação com setembro do ano passado.

As concessões de crédito registraram queda de 0,6% no mês, refletindo o resultado fraco do segmento empresarial, que caiu 6,0% em setembro. Por outro lado, as concessões para o segmento para as pessoas físicas subiram 0,6%.

A taxa média das operações de crédito caiu para 27,0%, uma redução de 1,45 p.p. contra o mês anterior. A queda das taxas de juros e dos spreads mostram que, diante da queda da taxa básica de juros da economia (Selic), dos sinais de recuperação, inclusive do mercado de trabalho, os bancos estão mais dispostos a conceder mais empréstimos já que a chance de calote é menor.

Para este ano, a expectativa é que as taxas de juros continuem caindo, refletindo tanto a queda da taxa Selic e a melhora da atividade econômica e do mercado de trabalho. Mas nada disso é possível se o ajuste fiscal for interrompido sem a continuidade das reformas.


Taxa Selic caiu para 7,5%, mas juro civilizado só com reformas
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Gesner Oliveira

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,75 p.p. Com isso, a taxa que estava em 8,25% passou a 7,5%, nível próximo da mínima histórica de 7,25%, atingida em outubro de 2012.

É o fim de um ciclo de corte nas taxas de juros teve início em outubro de 2016, quando os juros ainda estavam em 14,25%. De lá pra cá foram mais de 6 p.p. de cortes nas taxas de juros.

Ao atingir a mínima histórica em dezembro, surge a pergunta: vem mais cortes por aí ou é o fim da queda na taxa de juros?

A inflação acumulada de 12 meses em 2,5%, o cenário externo de alta liquidez e câmbio em níveis comportados, devem fazer o comitê levar os juros para 7,0%, na última reunião do Copom em dezembro. O comunicado pós-decisão foi claro a respeito.

Seja 7,25% ou 7,0% a estabilização da Selic, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Estamos longe de um juro civilizado. Enquanto vários países desenvolvidos têm juro real (isto é, juro descontado a inflação) abaixo de zero, no Brasil o juro real ainda é superior a 3%.

Embora positiva. a própria queda atual ainda está sob risco. Conforme o mesmo comunicado do Copom, dois fatores podem mudar o cenário de queda dos juros. Primeiro, os juros internacionais que dependem da política monetária dos EUA, sujeita aos humores de Donald Trump. Se os juros dos EUA subirem rápido, não haverá muito espaço para continuar a queda do custo do dinheiro no Brasil.

Segundo, se as reformas não prosseguirem no Brasil, ajustando a economia, não será possível baixar os juros de forma sustentada. Não será por decreto, como tentou a Dilma e muito menos no grito como promete demagogicamente o Bolsonaro que os juros cairão.

Terminado o longo, custoso e inútil processo da segunda denúncia de Janot, o país precisa começar a discutir uma agenda séria para transformar a recuperação em crescimento sustentado.


Juros em 2017: menor da história brasileira, um dos maiores do mundo
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Gesner Oliveira

2017 deve terminar com a taxa básica de juros em 7% ao ano, a mais baixa da história brasileira, mas ainda elevadíssima para padrões internacionais.

Isso é possível porque a inflação está bem comportada. O índice oficial de inflação do país (IPCA) apresentou alta de 0,19% no mês de agosto. O dado surpreendeu positivamente o mercado que esperava alta de 0,32%. É a 12ª queda consecutiva do indicador no acumulado em 12 meses e mostra a força com que a inflação está caindo.

A taxa Selic atingiu o menor nível em outubro de 2012, quando chegou a 7,25% ao ano e permaneceu assim até abril do ano seguinte. Porém, na época, a situação era outra. A inflação terminou em 5,91% em 2013, muito próximo do teto da meta. Além disso, havia forte controle sobre os preços administrados e grande volatilidade no preço do dólar.

Hoje, a taxa de juros está em queda sem artificialismo. O câmbio está relativamente estável, os preços administrados como a gasolina estão liberados e a queda da inflação é consistente e disseminada em toda a economia.

Com o último resultado, o IPCA atingiu a marca de 2,46% no acumulado de 12 meses, abaixo do piso da meta de 3,0%. É provável que a inflação termine 2017 próxima a 3,0%, a menor taxa da história econômica do pós-guerra.

A taxa de juros não pode ser reduzida por decreto. É necessário que haja condições para isso. Experiências passadas mostram que, cedo ou tarde, o preço do populismo chega. Mas atualmente, há um cenário favorável, uma janela de oportunidade para uma redução ainda maior.

Depois da maior crise do país, um aumento no ciclo de redução da taxa de juros será benéfico  para as pessoas e para a produção. Ainda há um longo caminho a ser percorrido que passa pela pelas reformas. Mas pelo menos o país está na direção correta para se livrar da anomalia de uma das maiores taxas de juros do planeta.


O que a queda de juros muda na sua vida?
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Gesner Oliveira

A decisão sobre a taxa de juros parece algo distante, mas afeta a sua vida em várias dimensões. A sua chance de manter ou conseguir um emprego, o crescimento da dívida que você tem com o banco e o ganho de suas aplicações financeiras são todos afetados pelos movimentos desta taxa de nome estranho, a Selic.

A Selic ou Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é a taxa básica de juros da economia, que acaba de retornar ao patamar mais baixo em quatro anos, caindo de 10,25% para 9,25% ao ano.

A taxa serve como parâmetro para os bancos na precificação do crédito e é usada como instrumento de controle da inflação. Quando os preços estão subindo a um ritmo superior à meta estabelecida, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a taxa Selic. No sentido contrário, como ocorre agora, quando o ritmo de aumento dos preços está diminuindo, a autoridade monetária pode reduzir a Selic.

A taxa Selic foi reduzida de 10,25% para 9,25% ao ano, a primeira vez que retorna a um dígito desde outubro de 2013. Esta redução tem três consequências principais na sua vida.

Em primeiro lugar, sua chance de manter ou conseguir um emprego aumenta. Isso porque a redução dos juros reforça a recuperação da produção, criando mais postos de trabalho.

Em segundo lugar, a taxa de empréstimo do dinheiro que você toma tende a diminuir. Infelizmente, essa redução é pequena e muitas vezes quase imperceptível. A diferença entre a taxa Selic e a taxa de empréstimo para pessoa física é enorme. Por exemplo, a Selic caiu para 9,25% e a taxa média de juros do crédito de recursos livres para pessoas físicas está em cerca de 63% ao ano.

Em terceiro lugar, suas aplicações em renda fixa vão render um pouco menos, porque estes investimentos têm como referência direta ou indireta a taxa Selic. Continuarão, contudo, mais atraentes que a tradicional caderneta de poupança. Mas, para aqueles com maior apetite para risco, talvez valha a pena considerar as alternativas do mercado de ações, que se enquadram naquilo que se denomina renda variável.

Por fim, fica a pergunta: a taxa de juros vai continuar baixa nos próximos anos ou é mais uma alegria que dura pouco, como ocorreu no governo Dilma? Em contraste com a redução da taxa de juros por decreto em 2011/12, as últimas decisões do Copom têm bons fundamentos. A inflação anda bem-comportada no curto prazo. O grande desafio, no entanto, será garantir juros e inflação civilizados em bases permanentes, o que exigirá arrumar as contas públicas para valer. Ainda estamos longe disso.


Para os juros continuarem caindo, setor público deve parar de se endividar
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Gesner Oliveira

O aumento dos preços dos combustíveis na bomba não irá comprometer a queda dos juros no curto prazo. Apesar do impacto esperado de até 0,53 ponto percentual na inflação, a queda dos preços nos últimos meses ainda deixou espaço para uma redução de 1 ponto percentual da Selic, a taxa básica de juros da economia. Pela primeira vez em quatro anos, espera-se uma taxa de juros abaixo dos dois dígitos, o que tende a estimular o consumo pelas empresas e famílias.

No índice de inflação, há um grupo que segue os preços dos transportes. Quando aumentam os preços dos combustíveis, aumenta a inflação. Dentre os diferentes combustíveis, a gasolina é a com o maior peso no índice e foi a que teve o maior reajuste nas alíquotas (11,78%). Por isso, será responsável pelo maior impacto, de 0,44 ponto percentual. A expectativa do mercado para a inflação no final do ano deve caminhar para a casa dos 3,5% a 3,6%, bem menor que os quase 11% atingido em 2015.

Mas ainda há espaço para a queda dos juros. Em primeiro lugar, o nível de ociosidade na economia é muito alto, tanto de capital, como de trabalho. Em segundo, o preço do dólar já voltou aos patamares anteriores à delação da JBS.  Terceiro, a safra agrícola recorde pressiona os preços dos alimentos para baixo.

Assim, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na próxima reunião nesta quarta-feira, deve reduzir a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 9,25% ao ano. Será a primeira vez desde 2013 que a taxa não fica em apenas um dígito. Até o final do ano, a inflação não deve ser um problema para o comitê e, assim, espera-se que a taxa chegue a 8% ao ano até o final do ano.

Essa é uma boa notícia para as empresas e famílias. O corte nos juros é um estímulo à recuperação do consumo e investimento. A economia mais aquecida ajuda a recuperar o mercado de trabalho, que ainda aflige cerca de 14 milhões de brasileiros.

Contudo, o que irá garantir a queda dos juros no longo prazo é a saúde das contas públicas. Quanto mais o setor público se endivida, menor sua credibilidade como bom pagador e maior o retorno exigido para emprestar para o governo.  Ou seja, sobem os juros.

A dívida pública mobiliária federal (DPF), isto é, a soma das dívidas de todos os órgãos do Estado brasileiro, incluindo o Governo Federal, Estados, Municípios e empresas estatais, atingiu R$ 3,357 trilhões no mês de junho. Uma alta de 3,22% em relação ao mês de maio e de 7,86% no primeiro semestre.

Tal dívida representa hoje cerca de 72,5% da dívida total do setor público. O restante corresponde às chamadas operações compromissadas que o Banco Central faz com o mercado financeiro (25,2%) e dívidas bancárias e externas de Estados e municípios (2,3%).

Outros países emergentes tem uma dívida menor como proporção do PIB: 17,1% na Rússia, 49,4% na Argentina e 49,3% na China.

A dívida pública brasileira não só se encontra em patamar elevado como está em trajetória de crescimento muito acelerada. A expectativa é que chegue a cerca de 90% em meados da próxima década, entre 2022 e 2023.

A queda dos juros só é uma boa notícia se for sustentável. Assim, o maior desafio da economia brasileira não é reduzir os juros no curto prazo. Mas sim, criar condições para que a queda da taxa de juros seja permanente, e se aprofunde ainda mais no médio prazo. Para isso é fundamental o setor público deixar de ser um potencial caloteiro, isto é, estancar a explosão de endividamento. Para que isso ocorra, não se pode abrir mão da reforma da previdência.


O que muda no seu bolso com o ataque à Síria?
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Gesner Oliveira

O lançamento de 59 Tomahawks contra uma base aérea Síria pegou o mundo de surpresa. De imediato o preço do petróleo subiu, assim como o ouro, reflexo do comportamento dos investidores que buscavam ativos mais seguros. As bolsas passaram a operar no vermelho sugerindo cautela. Além dessas reações momentâneas, qual o impacto deste ataque no seu dia a dia?

Um dos impactos pode ser na taxa de juro que nada mais é do que o custo do dinheiro. O Banco Central vem reduzindo a taxa Selic que é a taxa básica de juros da economia. Em setembro de 2016, a Selic estava em 14,25%; transcorridos seis meses, houve uma redução de dois pontos percentuais, levando a taxa para 12,25%. A projeção é que a taxa continue caindo e chegue ao final de 2017 em 8,75%.

Mas esta queda depende de alguns fatores. Um deles é que o cenário externo não apresente grandes reviravoltas. Com um cenário externo incerto, o preço do petróleo pode ter uma alta inesperada e investidores evitando correr para o dólar, elevando seu preço nas moedas de países emergentes como o Brasil. Um aumento do preço do dólar em reais aliado à elevação do preço do petróleo tornaria os importados mais caros, aumentando o preço dos combustíveis no país e tornando o cenário de queda da inflação mais difícil.

No entanto, até agora é razoável supor que a crise da Síria ainda continua localizada. Por enquanto, não há porque esperar forte impacto negativo sobre as bolsas, tampouco sobre as moedas. Os eventos recentes não alteram a projeção de continuidade de redução da taxa de juros. Na reunião do Copom a ser realizada dia 12 de abril para definir a nova taxa de juros, a previsão ainda é de queda de 1 pp., levando a nova taxa para 11,25%. Menos mal para o consumidor que que já paga juros elevadíssimos.

Mas uma coisa é certa: o mundo está mais incerto. E, portanto, sujeito a crises frequentes que alteram os principais preços para as economias nacionais. Uma escalada da guerra da Síria que leve a uma fuga em direção ao dólar poderia obrigar uma nova elevação dos juros, abortando a frágil recuperação da economia brasileira. Neste cenário, persistiria o elevado desemprego que atualmente atinge 13,5 milhões de pessoas.

Na era da globalização, qualquer conflito mesmo que do outro lado do planeta pode afetar o poder de compra de seu salário, sua poupança financeira e até mesmo o seu emprego.


Inflação em queda. Juros menores para os consumidores?
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Gesner Oliveira

A queda da inflação é sempre uma boa notícia para o consumidor. Segundo o IBGE, o indicador oficial de inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), saiu de 0,38% em janeiro para 0,33% fevereiro, mostrando uma leve desaceleração. É a taxa mais baixa para o mês desde 2000.

No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 4,76%, seguindo na sua trajetória de queda e se aproximando da meta estipulada pelo Banco Central de 4,5%. Desde junho de 2012, é a primeira vez que o acumulado de 12 meses fica abaixo de 5%. No ano passado, a inflação oficial no Brasil foi de 6,29%, dentro do limite máximo da meta.

O grupo de educação foi o que apresentou maior variação, com alta de 5,04%. Por outro lado, alimentação e bebidas apresentaram deflação (inflação negativa) de 0,45%. A variação positiva do grupo educação reflete os reajustes feitos geralmente no início do ano nas mensalidades escolares. O grande alívio veio dos alimentos em virtude da boa safra agrícola.

A queda da inflação afeta a vida econômica das pessoas de várias maneiras. Destaquem-se duas delas. A primeira é aumentando o poder de compra das pessoas. Em um cenário de inflação alta, como em 2015 onde a inflação terminou o ano em 10,67%, as pessoas compram menos bens e produtos com o mesmo salário. No sentido oposto, em um cenário de baixa inflação, não há essa perda do poder de compra. Ao que tudo indica, é nesse sentido que o país começa a caminhar.

A segunda maneira reflete como a queda da inflação tem outros reflexos na economia. O atual cenário é de inflação do centro da meta de 4,5%, câmbio relativamente apreciado entre R$ 3,10 e R$ 3,30 e relativo avanço na reforma da previdência. Essa combinação abre espaço para que o Banco Central reduza em 1 ponto percentual os juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM). A taxa de juros básica da economia (Selic) atual é 12,25%.

Dessa maneira, a queda da Selic possibilitaria a redução das taxas de juros que chegam ao consumidor, que, embora sejam muito diferentes da atual taxa Selic, apresentam certa relação. Entre diversos exemplos, a taxa do cheque especial está em 328% aa. e a  taxa média de juros do crédito pessoal 141% aa. Uma Selic menor contribui para que os juros que chegam ao consumidor também sejam menores.

Ao que tudo indica, o cenário caminha para uma inflação no centro da meta em 2017, próxima dos 4,5% e com isso juros menores para os consumidores. Apesar disso, há pontos sensíveis como o avanço das reformas no congresso, que não são triviais de serem aprovadas e podem mudar de uma hora para outra. Embora o cenário esteja melhorando, é necessário cautela para não se comemorar cedo demais.


Traduzindo o Copomês: como a ata do Copom afeta suas finanças
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Gesner Oliveira

O Banco Central divulgou hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 28 de fevereiro e 1° de março. Nesta reunião o Copom decidiu reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual (“pp”), passando de 13% para 12,25% ao ano.

A cada 45 dias, em média, acontece a reunião do Copom que define a taxa básica de juros da economia (Selic). E a cada 45 dias o Copom libera a ata da sua reunião recheado de termos econômicos, em Copomês. Para quem não é familiarizado com os termos, entender a ata é quase uma prova de interpretação de texto. Embora seja cheio de termos técnicos, é importante saber o que diz a ata, pois o documento sinaliza como o Banco Central deve alterar a taxa básica de juros da economia, fato que tem impacto no bolso do brasileiro diariamente.

A ata da última reunião envia a seguinte mensagem: o Copom abre possibilidade para corte de 1 pp na próxima reunião, apesar de não se comprometer. Com isso, a taxa que está em 12,25% aa tem grande chance de ir para 11,25% na próxima reunião que acontecerá nos dias 11 e 12 de abril. Será a menor taxa desde outubro de 2014. Esta mensagem está no seguinte trecho:

“O Copom ressalta que uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo, mas, também, da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação”.

Percebeu o Copomês? O documento reforçou alguns pontos já levantados no comunicado pós-reunião. Segundo a ata, há sinais mistos para o comportamento da atividade econômica e uma perspectiva de retomada gradual, conforme o trecho:

“A evidência sugere uma retomada gradual da atividade econômica ao longo de 2017. A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego”.

Além disso, o processo de desinflação está difundido pela economia o que significa que não é exclusivo da queda de preço de alguns itens específicos, mas de um conjunto amplo de produtos.

A ata ainda traz a projeção de inflação para 2017 e 2018. No cenário de mercado (taxa Selic e câmbio de acordo com o boletim Focus), a inflação ficaria em 4,2% e 4,5%, respectivamente. No cenário de referência (taxa Selic e câmbio constantes) a projeção é de 3,8% e 3,3%, na mesma ordem. Ambos os cenários mostram uma inflação abaixo da meta de 4,5%.

Mas o que mais é necessário para o Banco Central reduzir a taxa Selic em 1 pp já na próxima reunião?

Segundo o Copom, as reformas econômicas propostas pelo governo são capazes de reduzir a taxa estrutural de juros da economia e, portanto, é uma condição necessária para isso. A taxa estrutural de juros é aquela que gera crescimento econômico sem causar pressão inflacionária.

Outro ponto é que persistam a alta ociosidade dos fatores de produção, inflação em queda e as expectativas de inflação bem comportadas.

Por fim, os membros do Copom preferiram deixar em aberta a decisão para a próxima reunião, e que esta dependerá do cenário econômico. Não quiseram se comprometer com um corte mais forte de juros na próxima reunião, mas caso o ambiente econômico continue favorável, em especial, com o dólar se aproximando dos R$ 3,00, o órgão deve intensificar o ritmo e reduzir a Selic em 1 pp.

Se isso ocorrer a recuperação da economia tem mais condições de ganhar fôlego e, mais para frente, as oportunidades de emprego podem voltar. Esta é a esperança de todos brasileiros, versados ou não em Copomês.


Economia, política e seu bolso
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Gesner Oliveira

Um controle mais rígido dos gastos, o cenário de inflação baixa e a queda dos juros básicos da economia são indicadores que sugerem uma melhora da economia. Mas a política pode atrapalhar. A reforma da Previdência, peça essencial para o ajuste fiscal, promete uma aprovação mais difícil do que se chegou a imaginar há poucas semanas.

O primeiro mês da emenda constitucional de limite de gastos teve um resultado positivo, apresentando corte de despesas de 13,2% em termos reais. O governo central, que engloba o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, obteve, no primeiro mês de vigência da emenda constitucional que fixou o limite de incremento anual do gasto público, um superávit de R$ 19 bilhões.

O número é significativo, especialmente se comparado ao déficit de R$ 60 bilhões, verificado em dezembro, e ao superávit de R$ 14,8 bilhões de janeiro de 2016. Além disso, reforça a importância da reforma da Previdência para o ajuste fiscal. Apesar do superávit, os números mostram que o déficit do INSS continua elevado e chegou a R$ 13,37 bilhões no mês. Foi compensado por um bom desempenho do Tesouro e BC, com superávit de R$ 32,34 bilhões.

Um controle mais rígido dos gastos se soma a um cenário de inflação baixa e de queda dos juros básicos da economia. O corte de 0,75 ponto percentual na Selic, para 12,25% ao ano, na segunda reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), deve ajudar na recuperação prevista para este ano, de 0,5%. Com a desaceleração da inflação, a expectativa é de que a taxa básica chegue a 9,5% no final deste ano e a 9% no encerramento de 2018.

Se a economia melhorou, a política pode atrapalhar. Há um intenso trabalho do Planalto em tentar a aprovação da reforma da Previdência ainda no primeiro semestre, com uma votação inicial na Câmara do Deputados em meados de abril. Como indicado nas contas do governo central de janeiro, trata-se de peça chave para sanar o rombo nas contas públicas. Mas tudo indica que a aprovação será mais difícil do que se imaginava há poucas semanas.

De acordo com pesquisa preliminar liderada pelo cientista político Leonardo Barreto, com uma amostra de 200 deputados federais no início de fevereiro, não há consenso na Câmara dos Deputados capaz de garantir a aprovação das principais medidas da reforma apresentadas pelo governo. O levantamento mostra que nenhum dos principais pilares da reforma previdenciária, como tempo de contribuição e idade mínima, passarão fácil pelo Congresso.

Além disso, apenas 38% dos deputados entrevistados disseram concordar com a tese da Fazenda de que “apenas com a reforma da previdência será possível retomar o desenvolvimento econômico”. Consideradas em conjunto, a média de respostas que conferem prioridade alta às propostas do governo foi de apenas 20,5%.

Embora ainda seja cedo para ter uma visão mais precisa da posição dos deputados na votação da reforma, está claro que o relativo otimismo do governo e do mercado quanto à velocidade de aprovação da reforma pelo Congresso ainda não tem uma base sólida.

Tal fato, aliado ao licenciamento do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, com reconhecida capacidade de articulação e liderança, colocará novos desafios ao governo e poderá provocar volatilidade nos mercados nas próximas semanas.

Como isso afeta seu bolso? Prepare-se para certa instabilidade nas aplicações na Bolsa Valores e no preço do dólar.


Não houve surpresa na decisão do Copom
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Gesner Oliveira

A decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa primária de juros, a chamada Selic, de 13% para 12,25% ao ano, com uma redução de 0,75 ponto percentual, não surpreendeu o mercado. A expectativa da maioria dos analistas era a de que seria mantido o ritmo de redução, como de fato ocorreu.

Uma queda além do esperado no IPCA-15, índice de inflação divulgado hoje pelo IBGE, poderia constituir um fato novo que levasse a uma redução mais acentuada dos juros. O IPCA-15 confirmou a tendência de desaceleração da inflação, mas o resultado foi um pouco superior àquilo que o mercado esperava. Segundo o indicador, a inflação cresceu 0,54%, acima da mediana das expectativas do mercado, de 0,49%. Mesmo assim, trata-se da menor taxa para o mês de fevereiro desde 2012.

O comunicado do Copom não deixou claro se haverá ou não uma aceleração na queda da taxa de juros, mas permite concluir que este é um tema de discussão entre os membros daquele Conselho. O argumento foi de que uma aceleração do ritmo de queda depende da retomada econômica; de fatores de risco, em especial o cenário externo; e das projeções e expectativas para a inflação. A próxima reunião está marcada para os dias 11 e 12 de abril.

O modelo utilizado pelo Banco Central para determinar a taxa de juros é relativamente complexo e abrangente. Porém, nem toda a modelagem econométrica dispensa o bom senso e a intuição na hora de calibrar a taxa de juros. Na atual fase da economia brasileira, a recuperação da atividade e consequentemente dos milhões de empregos perdidos na crise dependerão, em grande medida, da verdadeira arte que é fazer política monetária.