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Cadastro positivo de crédito não faz milagre, mas ajuda a reduzir os juros

Gesner Oliveira

11/04/2018 19h37

O projeto de cadastro positivo de crédito pode contribuir para reduzir o custo do dinheiro na ponta do tomador. Não se espere milagre, mas é uma das medidas necessárias para reduzir o abismo entre a taxa básica de juros, a chamada Selic, e a taxa que qualquer mortal paga quando pega dinheiro emprestado.

Segundo dados do Banco Central, a pessoa física paga em média 41,1% no crédito pessoal e a pessoa jurídica 22,3%. Muito acima da Selic que está hoje em 6,5%.

A proposta prevê a formação de um banco de dados de bons pagadores que poderão ter acesso a taxas de juros mais baixas no mercado de crédito. A inclusão no cadastro seria automática, sendo que o consumidor que quiser sair poderá solicitar a exclusão.

Atualmente já existe um cadastro positivo de crédito. Porém, a inscrição requer um procedimento burocrático, que na prática restringe as informações disponíveis. Com mais dados de histórico de crédito das pessoas, as instituições podem conceder empréstimos tomando menor risco e, consequentemente, tendem a cobrar menos.

Algumas entidades de defesa do consumidor resistem à proposta de cadastro positiva de crédito. Uma razão frequentemente alegada é a proteção das informações privadas. A preocupação é justa, mas, diferentemente da atual discussão sobre a invasão de privacidade nas redes sociais e no Facebook, em particular, o projeto prevê salvaguardas suficientes e testadas em outros países.

O projeto de cadastro positivo de crédito foi colocado no conjunto de prioridades que seriam perseguidas neste final de mandato. O mínimo que se espera do governo é foco para obter a aprovação. E da oposição, é que não faça uma obstrução gratuita, ignorando os interesses do país.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira