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Blog do Gesner Oliveira

O dolar está caro ou barato? O Big Mac ajuda a responder

Gesner Oliveira

18/01/2017 15h15

A revista britânica The Economist divulgou esta semana, como de praxe, o seu índice Big Mac. O objetivo desde índice é medir o grau de sobre ou subvalorização de uma moeda em relação ao dólar americano. Segundo a revista, a taxa de câmbio no Brasil está sobrevalorizada em 1,1%, ou seja, o real deveria estar cotado em R$ 3,26 por dólar, mas, conforme a publicação, está em R$ 3,22.

O índice Big Mac, embora não seja perfeito, tornou-se um padrão global, incluído em diversos livros de economia e pelo menos 20 estudos acadêmicos. O índice tornou-se uma referência em todo o mundo. Quanto vale um mesmo tipo de maçã nos Estado Unidos e no Brasil? Esta é a pergunta por trás do índice Big Mac.

Em teoria, a maçã deveria valer o mesmo, pois é o mesmo bem nos dois países. Caso a maçã estivesse muito mais cara nos Estados Unidos, um americano poderia importar a maçã mais barata do Brasil e vender nos Estados Unidos. Com isso, a demanda por maçã no Brasil aumentaria, elevando o seu preço. No Estados Unidos haveria maior oferta de maçã, o que faria o preço cair. Após estas trocas, as maçãs tenderiam a ter preços iguais.

Mas a característica particular dos países faz esse preço muitas vezes ser diferente. O Japão, por exemplo, não tem a mesma quantidade de terras que os Estados Unidos para plantar maçãs. A fruta, por este motivo, tenderia a ter preços mais altos no Japão.

A maçã, portanto, não é um bom candidato para comparar dois bens similares em países diferentes. Mas o Big Mac é. Os procedimentos operacionais do McDonald's são os mesmos em todos os países; os ingredientes também, inclusive a margem de contribuição por produto.

O índice Big Mac foi inventado 1986 como um guia para saber se as moedas estão em seu nível "correto". As taxas de câmbio de longo prazo devem se mover para a taxa que igualaria os preços de uma cesta idêntica de bens e serviços (neste caso, um hambúrguer) em dois países.

Por exemplo, o preço médio de um Big Mac nos Estados Unidos em janeiro de 2017 foi de US$ 5,06; na China foi de apenas US$ 2,83, nas atuais taxas de câmbio do mercado. Assim, o índice Big Mac diz que o yuan (moeda chinesa) está subvalorizado em 44%.

No Brasil, o preço do Big Mac é de R$ 16,50. Com a taxa de câmbio de mercado usada na pesquisa de R$ 3,22, o lanche brasileiro custa US$ 5,12. Já o mesmo sanduíche americano é vendido por US$ 5,06. Assim, o índice Big Mac mostra uma sobrevalorização de 1,1%.  A última vez que o real estava sobrevalorizado foi em janeiro de 2015 (+8,7%). Em julho do ano passado, o real estava subvalorizado de 5,1%.

A moeda com maior valorização frente ao dólar em 2017 é o franco suíço (25,5% acima), seguida da coroa norueguesa (12%), a coroa sueca (4%) e o bolívar venezuelano (3,7%). As moedas mais desvalorizadas são: libra egípcia (-71,1%), grívnia ucraniana (-69,5%) e ringgit malaio (-64,6%).

 De 43 países analisados pela revista The Economist, 38 estão com a moeda desvalorizado em relação ao dólar e cinco com a moeda sobrevalorizada, indicando que a perspectiva de alta de juros nos EUA já levou a um fortalecimento do dólar.

A publicação lembra que, para moedas emergentes, estar subvalorizada no índice Big Mac não é necessariamente sinal de que a taxa de câmbio deve subir em breve. Isso porque o custo do hambúrguer depende parcialmente de itens não comercializáveis, como aluguéis e salários, que tendem a ser menores em países mais pobres.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira