Blog do Gesner Oliveira

13,5 milhões de desempregados. A foto é ruim, mas o filme começa a melhorar

Gesner Oliveira

A foto ainda é ruim, pois capta o drama do desemprego de 13,5 milhões de pessoas.  Mas o filme começa a melhorar. IBGE divulgou a terceira queda consecutiva no ano. O pior parece ter passado.

A taxa de desemprego recuou de 13,3% para 13,0% no trimestre encerrado em junho. Desde março de 2014, quando o desemprego atingiu a mínima de 6,6%, até março deste ano com o pico de 13,7%, o desemprego não tinha parado de subir.

O número de pessoas que possuem um trabalho, também chamado de população ocupada, subiu de 89,7 milhões para 90,2 milhões. Mas com uma diferença: nos meses anteriores este número havia subido principalmente no emprego por conta própria e informal, também conhecido no dia a dia como “bicos”.

No último mês foi diferente. O número de ocupados subiu de forma difusa entre as diferentes modalidades de ocupação, mostrando de fato um aquecimento no mercado de trabalho. Em junho, o emprego informal absorveu 153 mil trabalhadores, enquanto por conta própria subiu 135 mil e o número de trabalhadores com carteira assinada registrou avanço de 73 mil.

Outra boa notícia:  a renda média real do trabalhador (já descontada a inflação) apresentou crescimento de 3,0% em comparação com o mês de junho de 2016. Um dos reflexos da inflação. Como a inflação acumulada em 12 meses estava em 6,29% em dezembro do ano passado e agora passou para 3,0% em junho, o trabalhador vê aumentar o seu poder de compra mesmo sem ter grandes reajustes no salário.

Isso mostra como o imposto inflacionário é perverso. Pelo menos neste imposto o Governo Temer aliviou para os assalariados. A inflação que tinha fechado a quase 11% em 2015 está abaixo de 4%.

O aumento da renda do trabalhador com redução do desemprego reforça os últimos dados positivos da economia. O mercado de crédito voltou a se expandir, as taxas de juros estão menores e a confiança dos empresários aumentou. Era essa a expectativa no início deste ano, de que haveria uma melhora na economia brasileiro apenas a partir do segundo semestre.

Mas são apenas algumas cenas de um longa-metragem. Sem ajustes e continuidade das reformas não terá final feliz.