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Cuidado ao surfar a onda do mercado pós-decisão do STF

Gesner Oliveira

05/04/2018 13h47

A tendência de alta na Bolsa de Valores será retomada com a decisão do Supremo de ontem de negar habeas corpus preventivo ao ex-presidente Lula. Mas pense bem antes de decidir surfar nessa onda. Persistem as incertezas e, consequentemente, o sobe e desce no mercado. Para quem não gosta de montanha-russa é melhor jogar na defesa.

A decisão do Supremo gerou uma  reação positiva no mercado em curtíssimo prazo. Lula é visto como antirreforma, representando força política que dificultaria o ajuste da economia. Mas a questão não é simples.

Onde residem as dúvidas? Em primeiro lugar, o sistema legal brasileiro é pródigo em recursos e a defesa de Lula não vai deixar de usá-los. Haverá os embargos dos embargos dos embargos.

Em segundo lugar, há a tensão decorrente do acirramento do debate político. Quer terminar com um almoço de família? Emita uma opinião forte sobre algum tema político. Nesse contexto, a novela do habeas corpus terminou, mas a polêmica continua. A atual conjuntura é marcada por elevado grau de polarização, de intensidade poucas vezes verificada na história brasileira. Isso afeta negativamente o ambiente de negócios.

Em terceiro lugar, é razoável supor que Lula não poderá ser candidato. Mas sua elegibilidade ainda não foi testada na prática.

Em quarto lugar, mesmo inelegível e preso, nada garante que o ex-presidente não possa transferir sua força eleitoral para candidatos que sejam contrários às reformas econômicas.

Por fim, ainda há o cenário externo que tem sido favorável, mas está repleto de armadilhas. A mais recente e grave é a guerra comercial entre China e Estados Unidos. Isso tem afetado negativamente o preço de ações e commodities a nível internacional.

O contencioso comercial entre as duas maiores economias do mundo inibe a expansão do comércio mundial e consequentemente o potencial de crescimento de  todos os países, especialmente os emergentes. Isso diminui a chance de transformar a atual recuperação da economia em crescimento sustentado.

Portanto, o cenário continua incerto. Não houve e nem haverá dia D ou Dia do Juízo Final. Não se iluda com ganhos excepcionais no curto prazo. Podem representar apenas isso: algo excepcional. Para a maioria dos investidores sem tanto apetite a risco, é melhor limitar o percentual de ativos de risco e seguir uma estratégia mais conservadora adequada a um ano com muita emoção.

 

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira