PUBLICIDADE
IPCA
0,25 Fev.2020
Topo

Histórico

Categorias

Para evitar a armadilha do risco político

Gesner Oliveira

17/04/2018 12h24

Muita gente está desapontada com a falta de vigor da recuperação da economia. O dado divulgado ontem pelo Banco Central sugere uma alta tímida do PIB no primeiro trimestre do ano, muito provavelmente abaixo de 0,5% ante o quarto trimestre do ano anterior.

 O IBC-BR, considerado a prévia mensal do PIB e calculado pelo Banco Central, apresentou alta de apenas 0,09% em relação a janeiro.

Na comparação com fevereiro do ano passado, a economia brasileira registrou crescimento de 0,66%. O resultado modesto refletiu a expansão de 0,2% do setor industrial e de 0,1% dos serviços, enquanto o varejo registrou queda, tanto no conceito ampliado – com veículos e materiais de construção (-0,1%), quanto no restrito (-0,2%) que exclui estes itens.

Tais dados não alteram a tendência de recuperação da economia, fruto de uma série de fatores, como a queda da taxa básica de juros, a Selic, a expansão das exportações e a ocupação da capacidade ociosa. Entretanto, põe um viés de baixa nas projeções mais otimistas para a atividade no ano.

Em meio a este cenário, o boletim Focus, também divulgado ontem pelo Banco Central, mostrou que o mercado reduziu pela terceira semana seguida a projeção para o PIB deste ano, de uma alta de 2,80% para 2,76%.

Por sua vez, a reação do mercado à pesquisa Datafolha não foi boa.  Segue a apreensão com a falta de candidatos competitivos que defendam a continuidade das reformas econômicas.

Por exemplo, no cenário, sem Lula, com o presidente Temer e Fernando Haddad (PT) só 14% das intenções de voto vão para os candidatos reformistas.

Essa indefinição e incerteza sobre o quadro eleitoral adia decisões de consumo e principalmente de investimento por parte das empresas. E sem inversões produtivas, a retomada não decola.

Teme-se, assim, que a incerteza política-eleitoral afete negativamente as decisões de consumo e investimento, tornando mais lenta a recuperação da economia.  Isso, por sua vez, enfraquece ainda mais os candidatos reformistas, aumentando o risco político, e assim por diante, em um círculo vicioso que pode constituir uma armadilha

A melhor forma de escapar dessa armadilha de estagnação e instabilidade política é garantir uma boa qualidade do debate eleitoral para deixar claro à sociedade quais as escolhas a serem feitas. E mãos à obra naquilo que dá para fazer ainda em 2018.

 

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira