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Consumidores começam a se acostumar com inflação baixa

Gesner Oliveira

20/04/2018 10h59

Depois de mais de um ano de desaceleração da inflação, os consumidores começam a se acostumar com preços mais estáveis.

O IPCA-15 divulgado hoje pelo IBGE continua baixo. As expectativas dos consumidores calculadas pela FGV também apontam para uma desaceleração. Mas se o ajuste da economia não continuar em 2019, a decepção será geral.

O índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), uma prévia da inflação oficial do país, foi de 0,21% em abril.

O item com a maior variação entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados foi o de saúde e cuidados pessoais (0,69%). Os reajustes dos planos de saúde (1,06%) e dos remédios (0,63%) exerceram as principais pressões.

Apesar da alta, a taxa de 0,21% foi a mesma registrada em abril do ano passado e a menor para o mês desde 2006, quando ficou em 0,17%. Ressalte-se, além disso, que a variação acumulada até abril foi de 1,08%, representando o menor nível para os quatro primeiros meses do ano desde a implantação do Plano Real, em 1994.

Os consumidores estão mais otimistas em relação ao futuro da inflação. Segundo a FGV, a expectativa dos consumidores brasileiros para os próximos 12 meses saiu de 5,3% em março para 5% em abril, o menor nível desde agosto de 2007 (4,9%).

Este índice vem caindo desde fevereiro de 2016, quando marcava 11,4% para os 12 meses seguintes. Para os próximos meses, espera-se que o indicador de expectativa de inflação continue caindo.

A história econômica brasileira tem sido marcada pela inflação crônica. A atual conjuntura constitui uma rara oportunidade de obter um patamar civilizado de inflação em bases duradouras. Mas se o ajuste não foi feito neste ano e a partir de 2019, com o próximo governo, os consumidores terão, mais uma vez, uma profunda decepção.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

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