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Preço do petróleo volta a mexer com a economia e com seu bolso

Gesner Oliveira

07/05/2018 14h30

A recente elevação do preço do petróleo deve ser temporária, mas é difícil escapar de seus efeitos abrangentes sobre a vida econômica.

O preço do petróleo atingiu o maior nível maior nível desde novembro de 2014, chegando a US$ 75,89 por barril e acumulando alta de 37% desde janeiro de 2017.

A turbulência política no Oriente Médio acelerou a escalada do preço do barril de petróleo no mercado internacional. A mais recente alta está associada à possibilidade de rompimento do acordo com o Irã e eventual imposição de sanções àquele país por parte dos Estados Unidos.

O prazo para a renovação do acordo nuclear entre o Irã e seis potências vence em 12 de maio e se Washington decidir se retirar do acordo, pode haver uma restrição na oferta de petróleo, levando a nova pressão de alta.

A elevação do preço do petróleo afeta o seu bolso de várias formas.  Em primeiro lugar, pelo aumento do preço dos combustíveis. Desde julho de 2017, quando a Petrobras adotou a atual política de reajustes de combustíveis colada no preço internacional, a gasolina já ficou 38,4% mais cara.

Isso coloca pressão inflacionária, atenuada apenas pelo fato de que a inflação está bem comportada, inferior a 3% em 12 meses. De qualquer forma, retira um pouco do espaço para redução da taxa de juros o que limita o estímulo para acelerar a recuperação da economia.

Em segundo lugar, ajuda a Petrobras, cujo plano foi feito com base a um preço mais baixo do petróleo, US$ 53 o barril. Bom para os acionistas do petróleo e para a Bolsa. O valor da empresa em 2018 já cresceu 40% na Bolsa de Valores, enquanto o Índice Bovespa aumentou em 7% seu valor.

Em terceiro lugar. beneficia os Estados e municípios produtores de petróleo que terão elevadas as suas arrecadações de royalties. Serve como ajuda ao estado do Rio de Janeiro que continua quebrado. Caso o petróleo permaneça nesse nível, pode gerar um aumento da arrecadação em torno de 30% para municípios, estado e União até o final do ano.

Em quarto lugar, pode levar a mais pressão sobre o preço do dólar no mundo e no Brasil. Isso porque aumenta a pressão inflacionária nos EUA, levando a projeções de mais elevação da taxa de juros naquele país. Por sua vez, isso aumenta a demanda por dólar no mundo, levando ao seu encarecimento frente a outras moedas, especialmente as de emergentes, como Argentina e Brasil.

Deu para ver que o petróleo mexe com o mundo. Mas a recente alta deve ser temporária. A tendência de longo prazo é de declínio do preço do petróleo em virtude das novas fontes de energia e da revolução das novas tecnologias, especialmente do carro elétrico e do carro autônomo. Mas antes de cair para sempre, o preço do petróleo ainda vai subir e oscilar várias vezes e afetar o planeta inteiro.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira