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Dólar caro pode conviver com inflação baixa

Gesner Oliveira

10/05/2018 17h11

A inflação oficial do país, medida pelo IPCA, ficou em 0,22% em abril, abaixo da expectativa do mercado (0,28%). Isso apesar da forte subida recente do dólar associada às tensões da saída dos EUA do acordo com o Irã, do conflito comercial EUA e China e a perspectiva de alta da taxa de juros americana.

No ano, a taxa acumulada está em 0,92%, a mais baixa para os primeiros quatro meses de um ano desde a criação do Plano Real em 1994. Foi uma surpresa positiva que reforça a expectativa de mais uma redução da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 16 de maio.

Em 2018, a cotação do dólar já aumentou cerca de 8%. E o aumento do preço do petróleo interfere diretamente no preço da gasolina. Desde julho de 2017, quando a Petrobras colocou em prática a atual política de reajustes de combustíveis, a gasolina subiu 38,4%. O preço dos combustíveis no Brasil passou a acompanhar o mercado internacional. Enquanto durar a pressão sobre o preço do petróleo, o bolso do consumidor vai sentir.

Além da gasolina, o gás de cozinha também tende a subir de preço. Os dois itens representam 5,8% do IPCA. Por sua vez, o aumento do preço do diesel que subiu 46% desde julho de 2017, faz com que haja uma elevação do custo de transporte, encarecendo a circulação das mercadorias e o transporte urbano.

Apesar de tudo, o choque do preço do petróleo está sendo absorvido pela economia.  Mesmo com o cenário externo pressionando o preço do combustível, a previsão para a inflação em dezembro segue em 3,49%.

A inflação dos últimos doze meses está em 2,76%, nível bem inferior ao piso da meta do Banco Central, de 3%. Isso abre espaço para o Banco Central seguir com os planos de cortar mais uma vez os juros básicos, atualmente em 6,5% ao ano. Com a inflação baixa, a expectativa o mercado é de novo corte de 0,25 ponto percentual no encontro da próxima semana.

O choque do petróleo é temporário. No longo prazo, a era do petróleo acabou. Novas fontes de energia, o carro elétrico e autônomo e a nova concepção de cidade e mobilidade urbana decretaram o fim da era do petróleo. Se este cenário se confirmar e o Brasil não voltar para trás no ajuste da economia, preço alto do petróleo e inflação civilizada vão conviver pela primeira vez em mais de um século de história.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

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