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Desemprego deixa sequelas

Gesner Oliveira

17/05/2018 19h11

27,7 milhões de brasileiros estão, de uma forma ou de outra, marginalizados do mercado de trabalho. A taxa de subutilização vem crescendo desde 2015. A modesta recuperação da economia ainda não conseguiu reverter esse quadro.

A taxa de subutilização do trabalho chegou a 24,7% no primeiro trimestre de 2018, a maior da série histórica da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – Contínua (PNAD), iniciada em 2012. O contingente de subutilizados também é o maior já registrado pela pesquisa.

Um primeiro grupo são os 13,7 milhões de desempregados que estão ativamente procurando emprego sem sucesso nos últimos 30 dias.

Um segundo grupo é formado pelos 6,2 milhões de subocupados: pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana, mas gostariam de trabalhar por um período mais longo.

Um terceiro grupo inclui os 4,6 milhões de desalentados que desistiram de procurar emprego, presumivelmente pela escassez de oportunidades de trabalho.

Finalmente uma última categoria é formada por aqueles que o IBGE denomina de força de trabalho potencial, composta por pessoas que, por algum motivo, não tem condições de se engajar em um processo . É o caso, por exemplo, de uma mãe que não tem com quem deixar sua criança durante a jornada de trabalho.

O desemprego tem demorado a cair, apesar da retomada da economia. Os dados do IBGE divulgados na última sexta-feira aumentaram a aflição com o maior drama da economia. O desemprego atingiu 13,1% no trimestre encerrado em março de 2018, correspondente a 13,7 milhões de pessoas desocupadas.

O drama do desemprego vai muito além das taxas elevadas de desocupação. O longo período durante o qual o desempregado fica fora do mundo do trabalho, diminui sua empregabilidade e a chance de encontrar emprego. Segundo o IBGE, 3 milhões de brasileiros procuram emprego há mais de dois anos. Nesse sentido, as crises geram sequelas, dilapidando capital humano tão necessário ao desenvolvimento do país.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira