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Blog do Gesner Oliveira

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Pesquisa Datafolha: reformistas ainda não cativam o eleitor

Gesner Oliveira

11/06/2018 12h00

A pesquisa do Datafolha não trouxe algo novo para as expectativas econômicas, mas reforçou aquilo que se temia e que outras pesquisas apontavam: os candidatos com maiores intenções de voto não são reformistas. Isto é, não apoiam reformas necessárias ao ajuste da economia.

Os três primeiros colocados no cenário sem Lula são contrários a pontos cruciais para arrumar a economia. Bolsonaro (19%) apoiou a greve dos caminhoneiros, um desastre para as contas públicas e para o crescimento em 2018. Marina (15%) se manifestou contra o teto dos gastos e a privatização da Eletrobras. Ciro Gomes (11%) é contra a reforma trabalhista, o teto de gastos e privatização da estatal de energia.

Geraldo Alckmin tem uma plataforma reformista, mas continua com um dígito nas intenções de voto (7%). O defensor da atual política econômica, Henrique Meirelles, tem apenas 1%.

Nenhuma das propostas emblemáticas de ajuste da economia atrai 50% das intenções de voto nos candidatos que apoiam tais medidas. A reforma trabalhista é apoiada por candidatos que, somados, tem 41% das intenções; a reforma previdenciária, 36%; o teto de gastos para o Estado, 26%; e a privatização da Eletrobras, 26%.

A consequência é a contínua apreensão sobre o futuro da política econômica, algo que se manifesta na queda da Bolsa e a pressão sobre o preço do dólar. O dólar não vai explodir porque o Banco Central tem bala, mas vai continuar pressionado.

A inflação não vai estourar o teto da meta porque a economia está muito devagar. O problema é o desemprego, que continuará com uma queda excessivamente lenta, diante do drama de quase 14 milhões de desempregados.

A Pesquisa Focus do Banco Central, divulgada hoje, está em linha com esse cenário. A previsão do PIB caiu de 2,18% na semana anterior para 1,94%; e a projeção da inflação subiu para 3,82% contra 3,65% da pesquisa da semana passada.

A conjuntura desfavorável não deveria desanimar. Quem trabalha e empreende no Brasil já se acostumou com a instabilidade e aprendeu a sobreviver em tempos difíceis. As próximas semanas prometem muitas emoções. Ainda mais na economia do que no futebol.

 

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.