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Greve dos caminhoneiros e falta de chuva geraram barriga inflacionária

Gesner Oliveira

21/06/2018 18h37

Greve dos caminhoneiros e falta de chuva provocaram uma barriga inflacionária. Ganhar barriga é fácil. O duro é se livrar dela.

 A prévia da inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou a maior elevação em mês de junho em 23 anos. O indicador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cresceu 1,11% contra 1,23% em junho de 1995.

A inflação foi pressionada por três grupos: alimentação, transportes e habitação. Já se previa alta no indicador dos dois primeiros como resultado da paralisação dos caminheiros em maio, mas o número veio acima do esperado. No caso do terceiro grupo, refletiu o acionamento da bandeira vermelha nível 2 nas contas de energia elétrica em função da queda do nível dos reservatórios.

A expectativa é que parte de tal alta seja revertida nos próximos meses, com a regularização da oferta de produtos, especialmente os alimentos in natura que foram prejudicados pela paralisação.

A energia elétrica foi o item que mais impactou a alta do grupo de Habitação (5,44%) A conta de luz representou o segundo maior impacto individual no IPCA-15 de junho. Além da vigência, a partir de 1º de junho, da bandeira tarifária vermelha nível 2, adicionando a cobrança de R$0,05 a cada kwh consumido, foram aplicados reajustes nas tarifas de diversas regiões metropolitanas do Brasil.

A inflação ainda pode ser considerada bem comportada porque a atividade econômica está fraca. Mas não se deve esquecer que o Brasil tem uma excelente memória inflacionária. Choques inflacionários tendem a gerar efeitos mais duradouros em função da indexação de preços e contratos. Além disso, o rombo nas contas públicas sem a reforma da previdência causa apreensão em relação ao futuro. Será preciso muita ginástica para se livrar em bases permanentes desta barriga.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.

Gesner Oliveira