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Blog do Gesner Oliveira

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Juros civilizados só com reformas

Gesner Oliveira

13/12/2018 11h53

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), anunciada ontem, de manter a taxa Selic em 6,5% já era esperada. Dez em cada dez economistas achavam que este seria o resultado da última reunião do Copom do ano e do governo Temer.

A decisão sobre a taxa de juros visa a manter a taxa de inflação em linha com uma meta previamente fixada. A taxa de inflação saiu do trilho no governo Dilma, chegando a 10,7% em dezembro de 2015.

A atual gestão do Banco Central teve parcela do mérito na virada do jogo, derrubando a inflação abaixo da meta. O índice em 2018 deverá fechar abaixo de 4%, diante de uma meta de 4,5%. Para 2019, o mercado projeta 4,15%, abaixo da meta de 4,25%. Para 2020, projeta 4%, coincidente com a meta.

A taxa de inflação está baixa sem nenhum controle artificial de preços. É a primeira vez nas últimas dez transições de governo que a inflação não é uma das principais dores de cabeça de um novo presidente.

Para reduzir mais a taxa de juros ou, pelo menos, evitar a subida que o mercado espera para 2019, seria necessário avançar no ajuste da economia.

Segundo o comunicado do Copom, as principais preocupações residem em uma possível deterioração do cenário externo e nas incertezas em torno da discussão sobre reformas que possam promover o ajuste das contas públicas, a começar pela da Previdência.

Nas atuais circunstâncias, é possível projetar a manutenção da taxa de juros em 2019. Trata-se de previsão mais otimista que a do mercado, que projeta uma taxa primária de 7,5% para o ano que vem.

Os sinais emitidos pelo futuro governo Bolsonaro foram no sentido de manter como prioridade o combate à inflação, com a nova gestão do Banco Central, liderada por Roberto Campos Neto. Uma aprovação da independência da instituição financeira reforçaria as expectativas otimistas.

Em contraste com a expectativa do mercado, os baixos níveis atuais de inflação permitem afirmar que a taxa Selic não precisa subir em 2019. Mas, um avanço maior de juros civilizados depende do progresso das reformas.

Daí a importância do governo Bolsonaro usar seu capital político para acelerá-las. Conforme indicam outras experiências, como a da Argentina e da França, a popularidade conquistada em uma eleição evapora se resultados práticos não forem obtidos logo.

A política pode esperar. A economia, especialmente aquela que afeta o bolso das pessoas, tem pressa!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.