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Blog do Gesner Oliveira

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Natal da recuperação

Gesner Oliveira

24/12/2018 14h03

Não é um Natal de vacas gordas, mas o clima é melhor do que nos anos anteriores. As lojas não estão superlotadas, nem houve uma explosão de consumo. As vendas, contudo, serão melhores e o varejo deve crescer relativamente ao ano passado.

A inflação não tem mordido tanto o bolso do consumidor. Quem tem ido às compras percebeu que os preços podem estar altos, mas não têm crescido ao ritmo alucinante de outras épocas.

Os índices de inflação sugerem até mesmo uma ligeira queda na média. O IPCA-15 indicou deflação, isto é, taxa de inflação negativa,  de 0,16% para dezembro. O resultado foi o menor para este mês desde o início do Plano Real e o menor desde julho do ano passado.

É claro que a inflação varia de acordo com a renda. O leitor pode não ter sentido a deflação em sua cesta de consumo individual. Mas o fenômeno ocorreu para a média de uma faixa de consumidores que o IBGE capta com o índice oficial, o IPCA.

Na próxima sexta-feira, quando as pessoas estiverem saindo para o feriado da virada de ano, deverá ser divulgado o IGP-M, o "índice do aluguel", e que também deverá registrar deflação.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, atingiu o maior nível desde abril de 2014.

Pela primeira vez depois de três anos, o varejo abriu mais lojas do que fechou com um saldo entre abertas e fechadas de 6.000, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Um clima de otimismo foi captado pela pesquisa do Datafolha no final de semana com dados colhidos nos dias 18 e 19 de dezembro. Para 65% dos respondentes a economia vai melhorar, parcela bem maior do que os 23% em agosto deste ano. 67% acham que a sua própria situação individual vai melhorar, contra 38% em agosto.

Na mesma direção, pesquisa da universidade de Duke nos EUA em conjunto com a FGV mostra que o otimismo entre altos executivos brasileiros aumentou 17% em relação ao ano passado e está mais alto do que em países como Chile e Peru, que nos últimos anos têm tido desempenho melhor do que o brasileiro.

Para corresponder ao atual nível de otimismo, o novo governo terá que atacar os dois problemas principais e interligados: rombo fiscal e desemprego. Ao contrário da política, a economia tem pressa.

Enquanto isso, fica o desejo de um ótimo Natal e a torcida para que a tímida recuperação vire crescimento para todas famílias brasileiras.

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.