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Blog do Gesner Oliveira

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O que esperar da economia no primeiro ano de Bolsonaro

Gesner Oliveira

01/01/2019 17h53

2019 chegou. A economia será decisiva para o sucesso ou não do governo Bolsonaro. Há temas essenciais como segurança e saúde. Há polêmicas que agitam as torcidas, como posse de armas e Escola sem Partido. Mas a economia mexe com o bolso.

Há três fatores que podem ajudar o primeiro ano do governo Bolsonaro na economia e permitir que a economia cresça mais de 3% em 2019, mais que o dobro da expansão de 2018.

O primeiro fator é a capacidade de viabilizar algumas reformas essenciais, a começar pela Previdência. Em contraste com o passado, o tema está mais maduro na sociedade. A crise fiscal de alguns estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Norte, ilustram de forma concreta o que significa quebrar o Estado.

No passado, foram necessárias décadas de fracasso no combate à inflação até chegar ao Plano Real. Algo análogo está ocorrendo com o ajuste fiscal e o sistema previdenciário. Não há alternativa. Vários governos, de FHC a Dilma, fizeram mudanças. Chegou a hora de uma "reforma estruturante", nos termos do discurso de posse de Bolsonaro no Congresso.

O segundo fator está relacionado às expectativas. Segundo o Datafolha, 65% esperam uma avaliação de "ótimo" ou "bom" nesta largada de governo. Este capital político volátil precisa ser usado rápida e criteriosamente.

O terceiro fator é o momento de recuperação do ciclo econômico. Embora o terreno esteja minado com "pautas bomba" para os cofres públicos, o governo Bolsonaro recebe a economia com bons indicadores de curto prazo. A inflação está baixa sem nenhum controle artificial; a taxa básica de juros chegou à mínima histórica, de 6,5%; as reservas internacionais nunca foram tão elevadas e se espera colher safra agrícola recorde em 2019.

Além disso, existe capacidade ociosa na economia e subocupação da mão de obra, permitindo que a produção aumente sem muita pressão sobre os custos.

Há um conjunto de investimentos de infraestrutura para os quais há projetos, apetite do setor privado e pela primeira vez se organizou de forma mais integrada a área de infraestrutura no governo.

O que pode dar errado? Duas coisas: um tsunami na economia mundial que gere uma onda gigante varrendo as economias emergentes. Ou um impasse na aprovação do programa de reformas no Congresso Nacional, que agrave a crise fiscal a ponto de paralisar a política pública.

Separadamente, estes eventos podem comprometer o crescimento em 2019 e condenar a economia à expansão tímida de 2017/18. Juntos, podem condenar o país a voltar para a recessão de 2015/16.

O governo Bolsonaro tem 80% de chance de evitar os piores cenários e estimular o crescimento. Será preciso foco, competência e uma dose de sorte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.