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Blog do Gesner Oliveira

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Varejo está voltando, mas devagar

Gesner Oliveira

14/02/2019 09h18

Vai demorar um pouco até o varejo voltar aos tempos de vacas gordas. Mas o resultado em 2018 foi positivo para o setor, com alta de 2,3% nas vendas do comércio. Quando se inclui material de transporte e de construção, no chamado varejo ampliado, este crescimento chega a 5%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A Black Friday pegou no Brasil. Em 2018, novembro foi um mês mais forte em função da crescente importância da temporada de promoções do final de ano. Assim, dá pra entender porque as vendas do comércio varejista caíram 2,2% em dezembro na comparação com as de novembro.

Para 2019, a expectativa é de expansão da ordem de 3%, refletindo aumento da renda, melhora do crédito e taxas de juros e de inflação mais baixas. Isso tem aumentado o nível de confiança, tanto dos consumidores quanto dos empresários.

Em janeiro de 2015, no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, o índice de confiança dos consumidores havia recuado 17,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, e o índice de confiança dos empresários, 13,1%.

Em contraste, em janeiro de 2019, no primeiro mês do governo Bolsonaro, o índice de confiança dos consumidores aumentou 8,7% em relação a janeiro de 2018 e o dos empresários aumentou 4,7%.

A pior da crise passou e as vendas estão em recuperação modesta. Mas ainda falta um longo caminho até o pico da série que ocorreu em outubro de 2014. As vendas do varejo estão 7% abaixo deste ponto. Supondo um crescimento de 3% a partir deste ano, as vendas retornariam ao pico de 2014 apenas em meados de 2021, daqui a dois anos e meio.

Diferentemente de 2010, no final do segundo mandato de Lula, o consumo não vai bombar. Faltam renda e crédito para uma nova onda de consumo. Mas se a economia continuar em recuperação e as reformas forem implementadas, criam-se as condições para um crescimento mais equilibrado.

Em vez da montanha russa, alternando períodos de consumo desenfreado com grande endividamento e fases de forte contração do consumo, o que se quer é menos instabilidade e melhora contínua do poder aquisitivo das famílias.

Deixa a adrenalina para outras áreas de vida. Os brasileiros merecem conquistar um pouco de estabilidade na economia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Gesner Oliveira é ex-presidente da Sabesp (2006-10), ex-presidente do Cade (1996-2000) e ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda (1995) e ex-subsecretário de Política Econômica (1993-95). É doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), sócio da GO Associados, professor de economia da FGV-SP e coordenador do grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da FGV. Foi eleito o economista do ano de 2016 pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Sobre o blog

Você entende o que está acontecendo agora na economia? E o impacto que a macroeconomia tem sobre sua vida? Quando o emprego voltará a crescer? Como a economia impacta sobre o meio ambiente? Vale a pena abrir uma franquia? Investir em ações da Petrobras? Este blog se propõe a responder a questões desse tipo de maneira didática, sem economês.